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Anos Rebeldes – o remake

Vinte anos depois do sucesso da primeira versão, que inspirou os caras-pintadas a irem às ruas contra o governo de Fernando Collor, a TV Globo anunciou que irá fazer um remake da minissérie Anos Rebeldes. O autor da trama original, Gilberto Braga, declarou-se impedido de reescrever o texto por razões pessoais e foi substituído pelo […]

Na nova versão, Maria Lucia se elege pelo colégio eleitoral a primeira mulher presidenta
Cynara Menezes
08 de outubro de 2012, 21h47

Na nova versão, Maria Lúcia se elege pelo colégio eleitoral a primeira mulher presidenta do Brasil

Vinte anos depois do sucesso da primeira versão, que inspirou os caras-pintadas a irem às ruas contra o governo de Fernando Collor, a TV Globo anunciou que irá fazer um remake da minissérie Anos Rebeldes. O autor da trama original, Gilberto Braga, declarou-se impedido de reescrever o texto por razões pessoais e foi substituído pelo blogueiro Agnaldo Figueiredo (nenhum parentesco com o general homônimo). O jornalista née dramaturgo decidiu fazer algumas modificaçõezinhas na sinopse, “para dar um toque atual, mais novo millenium” ao enredo.

O cenário da nova versão também é o Rio de Janeiro. Os jovens Maria Lúcia e João Alfredo, alunos do tradicional colégio Pedro II, estão começando a namorar quando acontece uma deposição constitucional no Brasil, no dia 31 de março de 1964. Com amparo na Carta Magna, os militares gentilmente obrigam o presidente João Goulart a deixar o poder e o substituem de forma legítima por um general. O povo comemora nas ruas a vitória da Revolução mais pacífica da história mundial.

João Alfredo é um radical de esquerda treinado em Cuba que atua como estudante profissional e só frequenta as aulas para fazer política, atrapalhando os que desejam estudar. Rebelde sem causa, mesmo com a calma e a felicidade reinantes, teima em provocar as autoridades dizendo que o país vive uma ditadura, o que é uma falácia, já que os militares a cada quatro anos realizam eleições e se revezam no poder da forma mais democrática possível.

No entanto, o rapaz, com um grupo de subversivos hippies e viciados em drogas, organiza ações extremistas e começa a praticar atentados contra os valentes homens de farda que salvaram o País da ameaça dos comunistas que queriam implantar, isso, sim, uma ditadura, a famigerada e sangrenta ditadura do proletariado. Os subversivos montam sofisticados centros de tortura em seus aparelhos clandestinos, para onde levam qualquer um que encontram fardado pelas ruas, até mesmo escoteiros.

Decepcionada com as atitudes de João Alfredo, Maria Lúcia se filia à Arena e passa a ser perseguida pelo antigo namorado, a quem havia trocado pelo belo Edgar, formado no Mackenzie e membro do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), entidade extremamente libertária inspirada no grande democrata norte-americano Joseph McCarthy. Edgar é um homem puro e do bem, nascido na tradicional família paulistana e descendente de alemães, mas não é racista e tem inclusive alguns amigos negros.

Enquanto isso, a lésbica e viciada em drogas Heloísa, filha de um humilde banqueiro que doava a maior parte de sua fortuna aos pobres, resolve entrar para o grupo dos subversivos. Seu principal objetivo é explodir lugares e atingir civis inocentes. Má e egocêntrica, Heloísa é presa e submetida a um tipo de interrogatório avançado para a época e que daria ao Brasil diversos prêmios na área dos Direitos Humanos: deitada no divã, amparada por psicólogos e tomando água de coco, a terrorista resolve nada dizer, recebe alguns conselhos e é imediatamente liberada.

Mas a pérfida Heloísa sai dali disposta a espalhar mentiras sobre os heróicos golpistas constitucionais. Quando descobre, nas páginas da imprensa livre do País, que está sendo vilmente acusado pelos terroristas, o presidente Costa e Silva chora durante várias noites e, deprimido, baixa o AI-5, uma espécie de libelo governamental em favor da convivência pacífica com opositores. Heloísa, #chatiada, muda-se para a Albânia. Suas palavras antes de deixar o país: “Lá, sim, tem democracia”.

Mais tarde, Maria Lúcia se lança candidata e é eleita a primeira presidente mulher no Colégio Eleitoral. João Alfredo, arrependido, também entra para a Arena e se torna governador biônico de Brasília. Contrariando as más línguas que sugeriam que, na verdade, é ele quem de fato governa, Edgar se torna o braço direito da mulher no Planalto e juntos promovem, lenta e gradualmente, a volta das eleições, digamos, convencionais. É tão suave a transição que o povo praticamente nem sente a diferença. No final, ao som de “Eu Te Amo, Meu Brasil”, um grupo de simpáticos generais aparece acenando, como a dizer: “Se vocês precisarem de nós novamente, estaremos aqui. Contem conosco”. Fim.

(Este é um texto de ficção. Qualquer semelhança com personagens e acontecimentos reais é mera coincidência.)

 

 


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(13) comentários Escrever comentário

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Aline Coelho em 08/10/2012 - 22h01 comentou:

Gênia.

Responder

José Eduardo Cruz em 08/10/2012 - 22h04 comentou:

Cynara, para seu conhecimento o Gilberto conversou muito com meu sogro (eu ainda não era casado) durante a preparação do esboço da novela. A família dele, juntamente com minha esposa sofreram bastante naquela época. Uma de minhas filhas, hoje autora, estreante com algum sucesso, era apaixonada por esta novela. Desculpe, mas apesar de detestar novela, filha é filha!!!

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Victor Farinelli em 08/10/2012 - 22h54 comentou:

Deu medo de que pudesse ser verdade – até porque algumas coisas eu não duvido de que eles fossem mesmo capazes de fazer, as mais absurdas não, mas as menos absurdas sim, totalmente.

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justdu em 08/10/2012 - 23h35 comentou:

Genial, prá não dizer que não falei em flores

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Сталин em 09/10/2012 - 22h03 comentou:

Divertido, mas espero que um dia a 'esquerda' saia desse maniqueismo.

Discordo da teoria 'ditabranda' neocon, mas também é bom ter um pouco de senso de realidade
e admitir que no bloco sovietico as ditaduras foram mais opressoras e que os socialistas brasileiros
tinham URSS e Cuba como modelo.

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    Diego em 04/11/2013 - 20h37 comentou:

    Não. Tá falando bobagem e faltando leitura!

    Joaquim em 31/03/2014 - 18h20 comentou:

    Tá falando bobagem e faltando leitura [2]

Сталин em 09/10/2012 - 22h15 comentou:

Ah. tambem é um erro atribuir a stalin o endurecimento do regime sovietico – meus professores esquerdistas falaram MUITO sobre isso, mas tambem estudei a historia da Ucrania e sei que nao foi bem assim 😉

Responder

Gabriel (Trovão) em 13/10/2012 - 15h56 comentou:

Muito bom o texto! O final com os generais prometendo voltarem se preciso foi genial 😉

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Armando Coelho em 03/11/2013 - 19h41 comentou:

Eu espero que no remake real os autores contem o papel da Rede Globo, pois na primeira versão eles foram omissos.

Responder

Lenir Vicente em 03/11/2013 - 22h39 comentou:

Essa Socialista Morena ainda acaba dando ideia pros home lá da Vênus Platinada. Eles estão mal de invenção, vai que gostem do enredo?

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ana em 04/11/2013 - 08h44 comentou:

Foi me dando uma sensação meio orwelliana lendo o texto rs… um arrepio, um peso no estomago

Responder

Augusto Marin em 31/03/2014 - 03h47 comentou:

Adorei, só a ironia salva!! Marin

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