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Direitos Humanos

Ao atacar pai de Michelle Bachelet, Bolsonaro faz mais um elogio à tortura

Opositor ao golpe contra Allende, o brigadeiro Alberto Bachelet morreu após meses sendo torturado pelo regime de Pinochet

Michelle Bachelet e seu pai, o militar Alberto. Foto: álbum de família
Da Redação
04 de setembro de 2019, 12h12

Jair Bolsonaro volta a atacar uma mulher e criar novos embaraços para o país em nível internacional: após as críticas de Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, à “redução do espaço democrático” no Brasil, o presidente direcionou sua fúria contra a ex-presidenta chilena no facebook.

“Nos últimos meses, observamos uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil”, disse a comissária da ONU em entrevista coletiva em Genebra. A ex-presidenta do Chile também lamentou o “discurso público que legitima as execuções sumárias” e a persistência da impunidade.

De quebra, ao defender a prisão e morte do pai de Bachelet, o brigadeiro Alberto Bachelet, mais uma vez Bolsonaro elogia publicamente a tortura de seres humanos. O militar Bachelet se opôs ao golpe encabeçado por Augusto Pinochet que derrubou Salvador Allende em 1973, foi preso e torturado durante vários meses, até morrer no ano seguinte na cadeia, de um ataque do coração, aos 50 anos de idade. Em junho de 2012, uma perícia confirmou que Alberto Bachelet morreu em virtude das torturas. A própria Michelle Bachelet também foi presa e torturada pelo regime que o presidente brasileiro defende.

O militar Alberto Bachelet se opôs ao golpe que derrubou Allende em 1973, foi preso e torturado pelo regime de Pinochet durante vários meses, até morrer na cadeia, aos 50 anos. Em junho de 2012, uma perícia confirmou que ele morreu em virtude das torturas

Em entrevista na saída do Alvorada, na manhã desta quarta-feira, Bolsonaro voltou a atacar a ex-presidenta do Chile e a elogiar o assassinato de seu pai militar por Pinochet. Não surpreende vindo de um presidente que homenageia publicamente um torturador, Brilhante Ustra, a quem considera um “herói nacional”.

O presidente brasileiro está se especializando em zombar de pessoas que perderam o pai na época da ditadura. Há dois meses, o presidente fez troça sobre o desaparecimento de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Felipe tinha apenas 2 anos de idade quando seu pai foi preso e nunca mais reapareceu.

 


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Sergio Caldieri em 04/09/2019 - 22h44 comentou:

Capitão privada quando abre a boca é uma descarga.

Responder

Aparecido em 04/09/2019 - 22h48 comentou:

Reflexão lúcida sobre esse momento dantesco de nossa realidade política.

Responder

Isaías Ferreira de Assis em 05/09/2019 - 00h03 comentou:

O momento, é mesmo para nos preocupar co problemas internos atuais, e parar de remoer e desenterrar velhos assuntos, que não nos interesse e nem consteoi nada na atualidade. Quem vive de passado é museu. Precisamos que coisas novas que nos faça crescer.

Responder

Marco André Lopes Furlan em 05/09/2019 - 08h58 comentou:

Depois de tudo ao que já assistimos neste quase ano de “presidência” de Bolsonaro, me espanta o silêncio dos moralistas, “superéticos”, sempre antes e ainda de plantão contra a esquerda. O Brasil parece ir adquirindo um ar de complacência com o ódio e com o que é desumano o que, no final das contas, o irá destruir, internacionalmente, como economia, como estado e em sua soberania e, tão ruim quanto, como pátria, aqui sim como mal interno, para com seu próprio povo. É um caminho triste o que estamos trilhando.

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