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Após Bolsonaro confirmar que Sínodo será “monitorado”, CNBB lança campanha de apoio

Líder católico está sob intenso bombardeio da extrema direita, que acusa o papa de ser "herege" por defender a Amazônia

Foto: divulgação
Da Redação
02 de setembro de 2019, 14h46

Após os ataques da extrema direita à entrevista do papa Francisco em defesa da Amazônia e a confirmação, pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, de que o evento será “monitorado” pelo governo, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) resolveu lançar uma contra-ofensiva em defesa do Sínodo para a Amazônia, que ocorrerá de 6 a 27 de outubro de 2019, no Vaticano, em Roma.

Desde o último domingo, 1º de setembro, “Dia Mundial de oração pelo Cuidado da Criação”, até o dia 5, “Dia da Amazônia”, a CNBB vai desenvolver, em parceria com a REPAM-Brasil (Rede Eclesial Pan-Amazônica), uma estratégia de comunicação para sensibilizar a igreja e a sociedade sobre a importância do Sínodo. As ações se desdobrarão no período que antecede e durante a realização da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica.

Integram a campanha vários vídeos com depoimento de bispos e lideranças da igreja católica, que serão divulgados nos sites e nas redes sociais da CNBB e da REPAM-Brasil, e também nas TVs católicas. As emissoras ligadas à igreja estão sendo convocadas a produzir conteúdo próprio e a disseminar os conteúdos produzidos sobre o Sínodo pela Repam, especialmente a série Voz da Amazônia.

O arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, disse que a intenção é acabar com os “ruídos” em relação ao Sínodo. Em junho, o cardeal alemão Walter Brandmuller, representante da extrema direita católica, acusou o Sínodo de ser “herético” por falar em “mãe Terra” e em respeitar as crenças tradicionais indígenas, que os críticos chamam de “rituais pagãos”. “O que ecologia, economia e política tem a ver com a missão da igreja?”, questionou Brandmuller.

Em junho, o cardeal alemão Walter Brandmuller, representante da extrema direita católica, acusou o Sínodo de ser “herético” por falar em “mãe Terra” e em respeitar as crenças tradicionais indígenas, que os críticos chamam de “rituais pagãos”

A mesma acusação já havia sido feita ao próprio papa Francisco no final de abril por 19 sacerdotes e teólogos em carta publicada no site católico conservador LifeSiteNews. Para eles, o papa teria “suavizado” posições da igreja ao não se opor veementemente ao aborto e dar sinais de abertura do Vaticano a homossexuais e divorciados em documentos como o Amoris Laetitia, onde Francisco fala em tornar a igreja mais “inclusiva”.

No primeiro vídeo da série, o bispo de Rio Grande e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers, fala da Amazônia como “um dom de Deus”. “Pensar a Amazônia é pensar no homem de maneira integral. É pensar o dom que Deus nos deu. É pensar no quanto que somos gratos por este dom que recebemos que é a Amazônia”, destacou o religioso brasileiro.

Para encontrar a campanha da CNBB basta procurar na ferramenta de buscas da rede social por CNBB Nacional ou pelas hashtags #euapoioosínodo #euapoioopapa #sinodoamazonico.

Com informações da assessoria da CNBB

 


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