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Como se não bastassem os políticos, Brasília está infestada de escorpiões

Bichos peçonhentos que se auto-reproduzem, se movem pelos esgotos, e que podem ser fatais para idosos e crianças viraram praga na capital federal. Sim, os políticos corruptos que infestam Brasília encontraram um concorrente à altura. Como se não bastassem os urubus, ratazanas, hienas, serpentes, carrapatos e, bem, tucanos, o escorpião amarelo invadiu casas, apartamentos e até repartições públicas. […]

Cynara Menezes
19 de agosto de 2016, 17h13
escorpioes

(Não, não é uma sessão do Congresso)

Bichos peçonhentos que se auto-reproduzem, se movem pelos esgotos, e que podem ser fatais para idosos e crianças viraram praga na capital federal. Sim, os políticos corruptos que infestam Brasília encontraram um concorrente à altura. Como se não bastassem os urubus, ratazanas, hienas, serpentes, carrapatos e, bem, tucanos, o escorpião amarelo invadiu casas, apartamentos e até repartições públicas. E o pior: à semelhança de seus homólogos que se esgueiram pelos poderes da República, o número de escorpiões cresce a cada ano.

A Divisão de Vigilância Sanitária do governo do DF contabiliza 597 chamados sobre escorpiões apenas entre janeiro e julho de 2016. Há dez anos, eram 148 casos anuais notificados. Em fevereiro deste ano, um exemplar de Tityus serrulatus foi achado dentro das instalações da própria Câmara dos Deputados, fazendo concorrência com os demais aracnídeos que se encontram por lá. O escorpião não se feriu. E nem picou ninguém: foi colocado dentro de um copo de plástico por um membro do corpo de Bombeiros.

(O escorpião encontrado na Câmara não se feriu)

(O escorpião encontrado na Câmara não se feriu)

Em abril, uma copeira foi picada por um escorpião em pleno ministério da Saúde. Nos hospitais de Brasília tanto chegam feridos pelo bicho quanto existem pessoas que o viram lá mesmo. No final do ano passado, um paciente filmou um escorpião dentro do pronto-socorro de um dos maiores hospitais públicos da cidade, o HRAN (Hospital Regional da Asa Norte). Outro foi encontrado perto da sala de raio-X do Hospital de Base de Brasília, onde foi operado Tancredo Neves em 1985.

Tityus, o amarelo, é o mais perigoso; a outra espécie, preta (Tityus bahiensis), causa apenas febre local. Ninguém sabe exatamente o porquê de os escorpiões estarem se proliferando tanto na capital, mas os especialistas atribuem a saída deles, dos esgotos onde vivem, para a superfície das áreas urbanas ao aumento de lixo e de baratas. Brasília tem muita barata, quem mora aqui sabe. E os escorpiões se alimentam delas.

“É um bicho sinantrópico, que convive apenas no ambiente humano. Não se encontra mais livremente na natureza. O aumento da quantidade de lixo e de edificações, a falta de limpeza em terrenos baldios, tudo isso contribui para o aumento deles. Mas o número de baratas é o mais preocupante”, diz o biólogo Randy Baldresca, da Biópolis, empresa especializada de São Paulo que já está até pensando em abrir uma filial em Brasília. E Baldresca tem más notícias para nós: “Os escorpiões vão aumentar 70% nos próximos anos. Não sou eu quem diz, é o instituto Butantã.”

Em pânico com os escorpiões, muitos moradores da capital cometem um erro fatal: dedetizam as casas, o que não só não adianta nada como pode piorar o problema. “Os inseticidas não funcionam neles, não são insetos. E deixam o bicho estressado, o que pode acelerar a auto-reprodução. O escorpião se reproduz por partenogênese, gera descendentes por si só”, explica o biólogo.

A solução para livrar-se dos aracnídeos, diz o também biólogo Israel Martins, da Dival (Diretoria de Vigilância Ambiental), é evitar que saiam dos subterrâneos: colocar telas nas saídas de esgoto e nos ralos e não acumular material de construção no quintal. A dedetização para controle das baratas, o acepipe dos escorpiões, deve ser feita usando veneno sólido. “Os pulverizados desalojam os escorpiões, que correm para se resguardar, saindo das tubulações. Existe veneno específico, mas não há evidência de que funcionem. Além disso, quando coloca veneno, o morador acaba negligenciando outros cuidados.”

O escorpião amarelo de Brasília é uma espécie de anão do Orçamento: um bicho perigoso porém pequenino, com no máximo 10 centímetros. Ao dar de cara com um no banheiro, o melhor a fazer é matá-lo com uma pá ou outro objeto que o esmague. Se não tiver nada a mão, as clássicas chineladas resolvem. Escorpiões não são tão difíceis de eliminar quanto os maus políticos.

 

 


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