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Candidatura Boulos-Guajajara incendeia… o próprio PSOL

Debate entre pré-candidatos à presidência pelo partido hoje promete pegar fogo, em meio a acusações de falta de discussão interna

Sonia Guajajara e Guilherme Boulos na Conferência Cidadã. Foto: Pablo Capilé/Facebook
Cynara Menezes
07 de março de 2018, 18h03

O debate entre os pré-candidatos do PSOL à presidência que acontece a partir das 19h desta quarta-feira na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio, promete pegar fogo. Inconformados com o lançamento da pré-candidatura do recém-filiado Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, para a presidência, e de Sonia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas, para vice, outros pré-candidatos e membros antigos do PSOL botaram a boca no trombone nas redes sociais.

As vozes mais estridentes foram as do ex-deputado Babá e do filho de Plínio de Arruda Sampaio, o economista Plínio Júnior. A principal crítica é a de que Boulos, por admirar Lula, coloca o PSOL como “linha auxiliar” do PT, uma acusação recorrente ao partido e que foi usada na última campanha presidencial contra a candidata Luciana Genro. Foi criado até mesmo um evento no Facebook, articulado por Plínio Jr., com o nome “Lula, tire as mãos do PSOL”, convocando a militância para se manifestar por prévias em frente à ABI antes do debate.

Em sua página oficial, Plínio Júnior disse que o lançamento da candidatura de Boulos à presidência “por fora das instâncias partidárias” representa “um absoluto desrespeito à democracia do PSOL”. Isso porque o líder do MTST foi ungido pré-candidato graças à articulação entre dirigentes do partido, artistas e intelectuais na “Conferência Cidadã” do último sábado, quando a chapa Boulos-Guajajara foi lançada. A filiação de Boulos, no dia seguinte, foi acompanhada por líderes do partido como Ivan Valente e Chico Alencar na sede do PSOL em São Paulo.

Para Plínio, a participação em vídeo de Lula na conferência, “abençoando a candidatura de Boulos, representa um atentado à história de um partido que nasceu exatamente como uma crítica ao lulismo”. “Escolha de programa e candidato sem consulta à base é golpe. Não faremos vista grossa à usurpação da história do PSOL”, disse.


Babá, um dos fundadores do PSOL, chamou Boulos de “lulista”, disse que o lançamento de sua candidatura é “uma vergonha irreparável” e pediu sua expulsão da legenda. “Os companheiros do PSOL que lutam tanto contra corrupção e construíram no partido uma avaliação correta de que a corrupção mata (!) e principalmente a população mais pobre e que hoje apoiam a candidatura terceirizada por Lula, que é o lulista Guilherme Boulos, deveriam sentir vergonha de fazer o lançamento de Boulos em São Paulo apresentando um vídeo do corrupto Lula apoiando o seu candidato terceirizado para o PSOL. FORA BOULOS DO PSOL e que ele vá se abraçar com o governo corrupto de LULA dentro do PT!!!”, vociferou, também no facebook.

Também pré-candidato à presidência, o professor da UFSC Nildo Ouriques disse ao Socialista Morena que vai cobrar durante o debate a realização de prévias pelo partido. “Lutei por prévias desde o dia em que Chico Alencar anunciou sua preferência pela disputa ao senado. No congresso nacional do partido, fiz declaração de voto solitária pelas prévias. Creio que é uma enorme contradição o Boulos solicitar três meses para ouvir as bases do MTST sobre sua decisão de aceitar o convite do PSOL e negar aos filiados e militantes do partido esta mesma possibilidade. Por que Boulos não apoia as prévias no PSOL?”, questionou.

O debate interno entre a militância, as correntes, os pré-candidatos, é fundamental. Não só isso: a democracia dentro do PSOL é imprescindível para que o partido cresça e se torne uma alternativa política no Brasil. Com dirigentes passando o trator, perde Boulos e perde o PSOL

“De resto, o PSOL não pode se limitar ao perigoso papel de figurar como a consciência crítica do fracasso programático e moral do PT, seus governos e de Lula. O PSOL nasceu para superar dialética e historicamente o PT. Boulos pretende fazer do PSOL um prolongamento do PT. É uma opção perigosa e um imenso retrocesso político.”

A vereadora Sâmia Bomfim, de São Paulo, publicou em seu site que o líder do MTST é bem-vindo ao PSOL e que sua vinda “é uma conquista para o partido”, mas também lamentou a ausência de debate interno em relação à sua candidatura à presidência. “O debate interno entre a militância, as correntes, os pré-candidatos, é fundamental para que haja maior engajamento na campanha eleitoral e para que o programa expresso seja fruto da diversidade de posições. Não só isso: a democracia dentro do PSOL é imprescindível para que o partido cresça e se torne uma alternativa política no Brasil. Com dirigentes passando o trator, perde Boulos e perde o PSOL”, criticou.

Estou com Guilherme Boulos e Sonia Guajajara e não abro. Esses sectários precisam entender que pós-lulismo não é antilulismo: o pós-lulismo não nega nem abre mão das conquistas do lulismo, parte destas para conquistar o que o lulismo não foi capaz

Partidário da candidatura Boulos-Guajajara e um dos signatários da carta-manifesto em favor da chapa, o deputado federal Jean Wyllys afirma que o coro dos descontentes não representa uma visão majoritária no PSOL. “Existe coisa mais anacrônica e até cafona do que esse antipetismo e esse antilulismo que fazem com que essa galera secretária, egocêntrica e irresponsável se pareça mais com os patos da FIESP e com os proto-fascistas das manifestações pelo impeachment de Dilma do que com pessoas de esquerda, socialistas, humanistas ou progressistas realmente preocupadas com o destino do país? Tem coisa mais bizarra do que isso? Não!”, disse o deputado ao site. “Ainda bem que eles não são todo o PSOL nem falam em nome da maioria do partido nem em nome da bancada federal. Estou com Guilherme Boulos e Sonia Guajajara e não abro. Esses sectários precisam entender que pós-lulismo não é antilulismo: o pós-lulismo não nega nem abre mão das conquistas do lulismo, parte destas para conquistar o que o lulismo não foi capaz.”

 


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John em 07/03/2018 - 21h18 comentou:

É a ala direitista do psol, que o boulos ganhe e expulse essas porcarias de lá o psol perdeu muita moral com esses canalhas enfunados lá.

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Débora em 07/03/2018 - 21h51 comentou:

Plínio Júnior é de direita!

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Leonardo Couto em 09/03/2018 - 00h09 comentou:

Direi uma coisa simples a minha verdadeira preocupação não é com o ataque de pequeno burguesia de nossa esquerda e sim que e o que tem condições de reverter o que é possível dentro de um programa de esquerda e com aspecto revogatório e que leve o Brasil a uma nova realidade para um caminho como potência e não como uma colônia dos Reis do mundo Usa acobertados por nossa estupida elite.O que lamento é que tem liberal de nível intelectual duvidoso que acredita na sua própria baboseira e parece que certas pessoas de esquerda estão mais preocupados em aparecer e governar não sei o quê pois a situação do Brasil é de invasão e não de situação de sociedade sueca,enfim no momento o foco da esquerda deva ser defender uma reação maior para debelar o golpe que o nosso país sofreu;outra coisa não dá para o Brasil evocar os Estados Unidos o tempo todo e esquecer que a sua elite nos prejudica tanto quanto a nossa, nós devemos é dialogar com a esquerda de lá e criar uma agenda comum para derrubar as duas elites simultaneamente.

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Cleber Barbosa em 09/03/2018 - 07h58 comentou:

Cada partido tém o direito e o dever de escolher seu candidato. Se o. Boulos não tém aceitação do partido, porque essa preocupação com a opinião do ex Presidente Lula . Não vejo isso como nenhuma forma de interferência e sim como uma total insegurança do Partido.

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Fagner em 09/03/2018 - 20h21 comentou:

Psolistas precisam superar seu pstuzismo (inclusive eu superei), não dá pra ficar marcando posição em cima do muro e achar que sem as contradições se governará em paz. As palavras de Jean Willys são muito precisas.

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