Série: por que estou ocupando? Hoje: Universidade de Brasília

Publicado em 21 de novembro de 2016
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(Foto: reprodução de cartaz na reitoria da UnB)

No início do mês, o presidente ilegítimo Michel Temer disse que os estudantes que estão ocupando escolas e universidades contra as medidas de seu governo que prejudicam o futuro dos brasileiros nem sequer sabem o que quer dizer PEC (Proposta de Emenda Constitucional). Em evento com empresários, Temer ironizou afirmando que os jovens pensam que PEC é “Proposta de Ensino Comercial”… Será mesmo que os estudantes não sabem por que estão ali?

Pois o blog vai ouvi-los. Este é o primeiro post de uma série com vídeos curtos trazendo depoimentos de estudantes sobre as ocupações nas escolas e universidades contra a PEC55, que já foi aprovada na Câmara e começa a ser discutida esta semana pelo Senado. A PEC institui o teto de gastos públicos para os próximos 20 anos e trará cortes na saúde e educação que alcançarão 63 bilhões de reais nos próximos 20 anos. Os estudantes também estão mobilizados contra a MP 746 do governo ilegítimo de Michel Temer, que impôs, sem discussão na sociedade, a reforma no ensino médio.

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(Faixas na reitoria)

Hoje, a Justiça decidiu impor aos estudantes da UnB que desocupem a universidade em 48 horas e autorizou, inclusive o uso de força para expulsá-los de lá. O juiz do TRF (Tribunal Regional Federal) que ordenou a desocupação, a pedido do estudante de Direito Edinailton Silva Rodrigues e de um grupo de alunos, é o mesmo que impediu Lula de se tornar ministro de Dilma, em março deste ano.

“O objetivo do movimento é político, direciona-se à rejeição de projeto de emenda constitucional. Matéria que não tem relação direta com a atividade acadêmica, o que retira qualquer legitimidade dos atos de ocupação/invasão. Sob todos os aspectos, a invasão/ocupação não pode prevalecer”, argumentou o juiz.

Estudantes contrários à ocupação reuniram mais de 3 mil assinaturas e entraram com o pedido de desocupação junto ao Ministério Público. Agora, os estudantes favoráveis estão recorrendo e reúnem assinaturas para manter o movimento.

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(Corredor do instituto de Letras)

Fui conhecer a ocupação na Universidade de Brasília na sexta-feira, 18, e encontrei baixa adesão, mas vi um movimento totalmente pacífico e ordeiro. O Instituto de Letras estava ocupado e também a reitoria da Universidade. Na manhã de segunda-feira, a imprensa registrou bate-boca entre estudantes contrários e favoráveis à ocupação. Segundo a UNE (União Nacional dos Estudantes), já há quase 200 institutos e universidades federais ocupados em todo o país.

Ouvi as razões dos estudantes para ocuparem a Universidade de Brasília porque acho que a voz deles é o que mais interessa ouvir neste momento: por que ocupar? Outros posts virão em mais escolas e universidades ocupadas, aguardem.

Bárbara Pádua, 26, estudante de Letras

Antonio Aurélio 26, estudante de Ciências Sociais:

Diana Cristina, 26, estudante de Letras-Português

 

 

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Dia Mundial Contra a Monsanto: OMS confirma que pesticida mais vendido pode causar câncer

Publicado em 23 de maio de 2015

monsanto

Uma prova contundente de como a mídia é refém do poder econômico e de como não se importa em omitir notícias importantes para as pessoas em nome disso ocorreu em março. A Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, da OMS (Organização Mundial de Saúde), publicou um relatório confirmando o que muitos ecologistas e o MST (Movimento dos Sem-Terra) vem dizendo há anos: o pesticida glifosato, vendido comercialmente pela Monsanto com o nome de Roundup, pode causar câncer. “Possivelmente cancerígeno” é a classificação que o glifosato recebeu da agência no relatório, publicado pela prestigiosa revista The Lancet Oncology (leia aqui). Nenhum grande jornal brasileiro destacou a notícia.

O estudo mostrou um aumento dos casos de câncer (especialmente linfoma não-hodgkin) em agricultores expostos ao glifosato na Suécia, EUA e Canadá. Após o alerta, as ações da Monsanto na bolsa de Nova York caíram. A Colômbia anunciou a proibição do uso de glifosato no país.

A multinacional reagiu furiosamente, dizendo que o estudo patrocinado pela OMS é baseado em “ciência lixo” e reafirmou que o glifosato “é seguro para a saúde e o meio ambiente”. Já os representantes da AIPC garantiram a qualidade do relatório, “baseado nos melhores dados científicos, e livre de conflito de interesses”.

No Brasil, campeão mundial no uso de agrotóxicos, o MPF (Ministério Público Federal) pediu à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a reavaliação toxicológica do glifosato com urgência e recomendou que o produto seja banido do mercado nacional. Atualmente, a Anvisa classifica o Roundup apenas como “ligeiramente tóxico” e temos em nossa ministra da agricultura, Kátia Abreu, uma grande defensora do glifosato. Em 2014, o glifosato foi proibido no Sri Lanka após um estudo comprovar que o agrotóxico é responsável pelo aumento de casos de doença renal no país. Uma pesquisa também encontrou vestígios do glifosato na urina de pessoas em 18 países europeus.

Hoje, 23 de maio, Dia Mundial contra a Monsanto, eu convido vocês a conhecer mais sobre esta empresa, que lucra 4,53 bilhões de dólares por ano vendendo agrotóxicos para o mundo. Também produz 98% da comercialização de soja transgênica e 78% do milho tolerantes a herbicidas. Na Europa, só Portugal e Espanha aceitaram comprar as sementes geneticamente modificadas da Monsanto.

Assista ao documentário O Mundo Segundo a Monsanto (2008), de Marie-Monique Robin.

Assista também a O Veneno Está na Mesa (2012), do brasileiro Silvio Tendler.

 

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O mais sensacional protesto de todos os tempos (não, não foi a manifescoxa)

Publicado em 13 de abril de 2015

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Não, não foi a manifescoxa de domingo. O mais sensacional protesto de todos os tempos foi em Madri, na sexta à noite. Dezenas de manifestantes protestaram diante do Parlamento contra a chamada Lei da Mordaça, aprovada pelos deputados do PP por iniciativa do governo de direita, e que restringe a liberdade de protesto na Espanha. Para driblar a lei, em vez de gente, eram hologramas os que gritavam palavras de ordem. É a primeira vez que acontece um protesto assim no mundo. Fantasmagórico, futurista, histórico.

A Lei da Mordaça, aprovada em dezembro passado, proíbe e multa, entre outras atividades (das mais leves para as mais graves):

– Ocupar entidades bancárias;

– Escalar edifícios;

– Gravar a polícia e fazer uso das imagens sem autorização;

– Manifestar-se em frente ao Congresso, ao Senado e às assembléias estaduais se “perturba a segurança”;

– Impedir um despejo;

– Reunir-se ou manifestar-se em infra-estruturas de serviços públicos;

– Celebrar espetáculos ou atividades recreativas contra a proibição ordenada pela autoridade correspondente.

Vocês têm alguma dúvida que, se os protestos no Brasil fossem contra um governo de direita, eles já teriam feito o mesmo? E não é que o “terrível” PT, que vive “atentando contra a liberdade de expressão”, segundo a mídia e a oposição, pelo contrário, está garantindo total liberdade aos manifestantes, inclusive para usar cartazes xingando a presidenta da República?

Vejam imagens do protesto na Espanha. É sensacional.

 

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