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“Che era um assassino” –menos quando o capitalismo usa sua imagem para vender

A direita se esmera em tentar destruir a imagem do revolucionário argentino Che Guevara. Mas vira um ícone respeitável quando é para ganhar dinheiro e não para ameaçar o status quo. Hay que endurecer, pero sin perder la plata

Um lugar revolucionário para viver
Cynara Menezes
26 de julho de 2017, 12h33

Nos últimos anos, a direita, sobretudo a latino-americana, tem se esmerado em tentar destruir a imagem do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara. Ignorando as circunstâncias de uma revolução, Che é pintado como “assassino”, “genocida” e até “homofóbico”. Boa parte das afirmações é pura invencionice de reacionários movidos pelo recalque de não possuir ídolos à altura, como já disse o biógrafo de Che, Jon Lee Anderson.

Curioso é que, quando é para vender produtos, apropriam-se da imagem de Che Guevara sem a menor cerimônia. Com sua indefectível boina, o rosto de um dos líderes da revolução cubana é usado para vender tudo, até biquínis no Brasil, como aconteceu em 2002 na São Paulo Fashion Week. Na época, Gisele Bündchen causou frisson ao desfilar com Che Guevara estampado no bumbum pela Companhia Marítima.

(Gisele Bündchen desfila biquíni de Che em 2002)

(Gisele Bündchen desfila biquíni de Che em 2002)

Esta semana, porém, o uso do revolucionário pelo capitalismo bateu todos os recordes: um Che de charuto e óculos Ray Ban é a estrela do anúncio de um edifício de apartamentos e escritórios na Inglaterra. Tuitado pelo perfil do britânico George Rowland no twitter, a imagem causou polêmica nas redes. “Acho que encontrei o pior marketing para apartamentos de luxo de merda”, escreveu Roland.

Obviamente a coisa toda virou gozação, com vários perfis fazendo montagens com o “Che capitalista”.

A revista Adweek lembrou que não foi a primeira vez que a imagem de Che Guevara foi usada para vender produtos típicos do capitalismo. Em 2012, após muita reclamação, a Mercedes-Benz pediu desculpas por utilizar a imagem do argentino para promover uma “revolucionária” campanha de carona solidária. A Mercedes cometeu a audácia de utilizar a famosa foto de Alberto Korda com Che, mas substituindo a estrela de sua boina pelo logo da marca. Blasfêmia!

O diretor da Mercedes, Dieter Zetsche, justificou que a ideia de dividir o carro causava em alguns colegas a sensação de que era algo próximo ao comunismo. “Se assim, viva la revolución“, ele declarou. Daí a ideia “brilhante” dos publicitários em usar a imagem de Che. Mas a empresa só pediu desculpas após as reclamações de dissidentes cubanos e não por se aproveitar de um ícone anticapitalista para lucrar.

Em 2001, Korda foi à Justiça contra o uso de sua foto de Che pela Smirnoff para vender vodca.

smirnoffche

A moral dúbia da sociedade de consumo fica evidente: Che Guevara é um ícone respeitável, desde que seja para ganhar dinheiro e não para ameaçar o status quo. Hay que endurecer, pero sin perder la plata.

 

 

 

 

 

 


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