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Direitos Humanos

Como os bandeirantes paulistas destruíram o Quilombo dos Palmares e mataram Zumbi

Em seu afã de continuar a escrever a história sob a ótica dos vencedores, autores de direita têm se notabilizado por divulgar que no Quilombo dos Palmares também havia negros escravizados. Uma “descoberta” que não chega nem a ser novidade: já aparece no clássico O Quilombo dos Palmares, do baiano Edison Carneiro (1912-1972), publicado em […]

Cynara Menezes
19 de novembro de 2014, 12h44
guerradospalmares

(A Guerra dos Palmares, óleo de Manuel Vítor, 1955)

Em seu afã de continuar a escrever a história sob a ótica dos vencedores, autores de direita têm se notabilizado por divulgar que no Quilombo dos Palmares também havia negros escravizados. Uma “descoberta” que não chega nem a ser novidade: já aparece no clássico O Quilombo dos Palmares, do baiano Edison Carneiro (1912-1972), publicado em 1947 (leia aqui). “Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos. Entretanto, tinham uma oportunidade de alcançar a alforria: bastava-lhes levar, para os mocambos dos Palmares, algum negro cativo”, diz o livro.

Mas qual seria o interesse da direita em desmerecer os quilombos, especialmente Palmares, como sociedades em que os negros podiam ser livres do domínio branco, chefiados por si mesmos e com suas próprias regras e leis? A primeira intenção certamente é fazer a abjeta escravidão de seres humanos negros parecer “menos cruel” e “normal” afinal, se até nos quilombos havia escravos, não é? Um destes reaças travestidos de historiadores teve a pachorra de afirmar, por incrível que pareça, que existia a possibilidade de ascensão social para os africanos que vinham para cá à força, acorrentados em navios negreiros…

Deseja-se demolir, portanto, o mito fundador da “consciência negra” entre os negros: se o seu principal herói era um “escravocrata”, que sentido teria imaginar uma outra realidade possível, em que o negro estivesse livre dos grilhões impostos pelos brancos? Cairia por terra Palmares e com ele toda a concepção de um Estado negro para onde fugiam todos aqueles que não queriam viver nas senzalas e que alcançou, em seu auge, na segunda metade do século 17, uma população de cerca de 20 mil pessoas. Sem o Quilombo dos Palmares, sem Zumbi, a direita reforça a ideia do negro conformado com sua desgraça, de cabeça baixa, resignado com o “destino” que a história lhe reservou.

Menos óbvio, em minha opinião, é o propósito de tentar livrar a cara dos “heróicos” bandeirantes paulistas na destruição completa de Palmares, o maior dos quilombos e que existiu por quase um século, ameaçando a autoridade das elites açucareiras e da coroa portuguesa. Propagar que também havia escravos nos Palmares funciona como uma espécie de cortina-de-fumaça para o fato de os bandeirantes terem sido responsáveis pelo fim do mais próspero dos quilombos, pouco importa como fosse o seu funcionamento interno. Detalhe: as terras onde se situava Palmares eram consideradas as melhores da então capitania de Pernambuco, e até por isso cobiçadíssimas. E se Palmares tivesse sobrevivido?

“Os quilombolas viviam em paz, numa espécie de fraternidade racial. Havia, nos quilombos, uma população heterogênea, de que participavam em maioria os negros, mas que contava também mulatos e índios. Alguns mocambos dos Palmares, como o do Engana-Colomim, eram constituídos por indígenas, que pegaram em armas contra as formações dos brancos. O alferes Francisco Pedro de Melo encontrou, na Carlota, apenas seis negros entre as 54 presas que ali fez, pois 27 eram índios e índias e 21 eram caborés, mestiços de negros com índias cabixês das vizinhanças. E os negros chegaram a estabelecer comércio regular com os brancos das vilas próximas, trocando produtos agrícolas por artigos manufaturados. (…)

O motivo das entradas parece estar mais na conquista de novas terras do que mesmo na recaptura de escravos e na redução dos quilombos. (…)Era voz corrente que as terras dos Palmares eram as melhores de toda a capitania de Pernambuco e a guerra de palavras pela sua posse só não foi menor, nem mais suave, do que a guerra contra o Zumbi. O quilombo do rio das Mortes ficava exatamente no caminho dos abastecimentos para as lavras de Minas Gerais, o que pode dar uma ideia do valor das suas terras e da riqueza econômica que representavam, e é nessa circunstância que se encontra a razão da crueldade de Bartolomeu Bueno do Prado, que de volta a Vila Rica trouxe 3900 pares de orelhas de quilombolas.” (Edison Carneiro)

A construção do mito do bandeirante como “herói” pela elite paulista passa, sem dúvida, pela destruição do Quilombo dos Palmares. Não à toa, Domingos Jorge Velho, algoz de Zumbi, foi eternizado numa pintura de Benedito Calixto, uma das muitas obras de arte encomendadas pelo governo de São Paulo no início do século 20 para enaltecer os bandeirantes como símbolo da “superioridade paulista”. Sintomaticamente, Velho, que era mameluco, foi pintado à imagem e semelhança dos barões do café, em pose idêntica à dos quadros que retratavam a monarquia europeia: branco, bem-vestido, bem-cuidado, altivo e robusto.

velho

(Domingos Jorge Velho mitificado por Benedito Calixto, 1903)

Com uma estratégia digna de qualquer marqueteiro de hoje, implantava-se assim, no inconsciente coletivo, a ideia de que a elite cafeeira era descendente direta dos “valentes” bandeirantes e que o paulista seria, por natureza, mais “batalhador” que os demais brasileiros. Percepção que, pelo que temos visto, permanece viva na memória de boa parte dos habitantes do Estado até hoje.

Alcunhado mais tarde “herói dos Palmares”, o sanguinário Domingos Jorge Velho, atual nome de rua em 12 cidades de São Paulo, foi contratado pelo governador de Pernambuco para esmagar o Quilombo quando estava “aposentado” no Piauí, vivendo nas terras que tomara dos índios, cercado de concubinas. O governador deu plenos direitos ao “coronel”, como foi logo chamado, inclusive o de prender qualquer branco que ajudasse os negros do Quilombo dos Palmares. Se bem sucedidos, o bandeirante e seus homens seriam recompensados com dinheiro e terras, embora os vizinhos de Palmares preferissem os negros aos “bárbaros” paulistas por perto.

O bispo de Pernambuco assim descreveu o “heróico” bandeirante em carta ao rei: “Este homem é um dos maiores selvagens com que tenho topado: quando se avistou comigo trouxe consigo língua (intérprete), porque nem falar sabe, nem se diferencia do mais bárbaro tapuia mais que em dizer que é cristão, e não obstante o haver-se casado de pouco, lhe assistem sete índias concubinas, e daqui se pode inferir como procede no mais”.

O que aconteceu em Palmares foi um banho de sangue e o aprisionamento de mulheres e crianças. “Foram tantos os feridos que o sangue que iam derramando serviu de guia às tropas que os seguiram”, escreveu o governador Caetano de Melo e Castro. Ficara acertado que as presas menores de 12 anos seriam vendidas aos paulistas. Os meninos menores de 12 anos ficariam em Pernambuco. Às negras com crias também foi permitido permanecer na capitania até que os rebentos chegassem à idade de três anos, quando “poderão viver sem o leite de suas mães”. Somente um ano depois da queda dos Palmares, porém, é que Zumbi foi capturado e morto.

Conta Edison Carneiro:

“Os moradores do Rio São Francisco (Penedo) conseguiram prender um dos auxiliares imediatos do Zumbi –’um mulato de seu maior valimento’, como dizia o governador Caetano de Melo e Castro.

O prisioneiro estava a caminho do Recife, sob escolta, quando o grupo deu com uma tropa, ‘que acertou ser de paulistas’, comandada pelo capitão André Furtado de Mendonça. Provavelmente os paulistas torturaram o mulato, pois este, ‘temendo… que fosse punido por seus graves crimes’, prometeu que, se lhe garantissem a vida em nome do governador, se obrigava a entregar o ‘traidor’ Zumbi. A oferta foi aceita e o mulato cumpriu a palavra, guiando a tropa ao mocambo do chefe negro.

O chefe dos Palmares já se tinha desembaraçado da família e se encontrava apenas com 20 negros. Destes, distribuiu 14 pelos postos de emboscada e, com os seis que lhe restavam, correu a esconder-se num sumidouro ‘que artificiosamente havia fabricado’. A passagem, porém, estava tomada pelos paulistas. O Zumbi ‘pelejou valorosa ou desesperadamente, matando um homem, ferindo alguns, e não querendo render-se, nem os companheiros, foi preciso matá-los…’.

Somente um dos homens do Zumbi foi apanhado vivo.

Domingos Jorge Velho, mais tarde, em requerimento a Sua Majestade, dizia, expressamente, que o Zumbi fora liquidado por ‘uma partida de gente’ do seu Terço, que topara com o chefe negro a 20 de novembro de 1695.

A carta do governador, em que contava detalhadamente o episódio, está datada de 14 de março de 1696, mas Caetano de Melo e Castro conhecia a notícia muito antes, pois já recebera dos Palmares a cabeça do Zumbi e a mandara espetar num poste, ‘no lugar mais público desta praça’ (o Recife), para satisfação dos ofendidos e para atemorizar os negros, que consideravam ‘imortal’ o chefe palmarino. O atraso certamente decorreu das dificuldades de navegação: o governador viu-se forçado a mandar a sua carta por um patacho que seguia para a ilha da Madeira, na esperança de que ali houvesse navio que ‘com maior brevidade’ chegasse a Lisboa, pois não queria ‘dilatar’ a nova a Sua Majestade.

A morte do Zumbi teve lugar, como o indicam esses documentos, a 20 de novembro de 1695 quase dois anos depois de destroçado o reduto do Macaco.”

Diz-se que o negro Zumbi foi morto com 15 ferimentos a bala e mais de 100 golpes de armas brancas. Um de seus olhos teria sido arrancado, assim como a mão direita. O pênis foi cortado e enfiado em sua própria boca. A cabeça foi salgada e levada para o Recife para ser exposta em praça pública. O bandeirante Domingos Jorge Velho morreu em 1705, aos 64 anos, em sua fazenda na Paraíba.

Para mim, parece bem claro quem é o herói desta história. Para a direita, não.


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Rafael em 19/11/2014 - 16h24 comentou:

Belo texto. A raízes históricos do pensamento paulista, suas vísceras, expostas no leva a creditar o porquê das recentes manifestações.

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Tarcísio em 19/11/2014 - 17h02 comentou:

Prezada colega

Chamar racistas e escravocratas de “direita” é o fim da picada. Conheco racistas em todos os partidos políticos, inclusive no PT, inclusive centenas de pretos (negros, crioulos, cabras, pardos e cafuzos), mormente os mais letrados.
Esse papo de se falar que em Palmares tinha escravos é tão ao mais idiota do que aquele lançado pelo presidente da entidade homossexual da Bahia que disse que Zumbi era bicha, ISTO, porque ele não encontrou comprovação de que Zumbi fosse casado (!). E até hoje ninguém detonou esse idiota da Bahia.
Quem governou MUITO mais tempo e elevou Palmares condição de Estado foi Ganga-Zumba, visto ter trocado embaixadores com o rei de Portugal, através do Governo de Pernambuco. A meu ver, Ganga-Zumba foi um estadista e Zumbi e General.
Porém, o Governo de Zumbi foi o ocaso. Obteve uma ou duas vitórias; depois, foi uma coleção de derrotas e mais derrotas até a destruição total.
O problema é que, desde Jayme de Altavilla (1918) até hoje, só houve cópias e mistificações idiotas de sociólogos marxistas. PESQUISA DOCUMENTAL mesmo, quase nada. O Pessoal só quer é se juntar à luz emanada da cabeça de Zumbi para se LOCUPLETAR para conseguir uma boquinha no governo, mormente, no PT e no PC do B.
Atualmente, quase todos os militantes do tal movimento negro estão arranjados em empregos públicos, mormente na Fundação Palmares, bem como nas secretarias estaduais e municipais de proteção ao negro. SUMIRAM.

Tarcísio José Martins
Do site MGQUILOMBO

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    lafaierty em 19/11/2014 - 21h40 comentou:

    Se não me falha a memória, Zumbi não era gay pqe não era casado, mas sim porque ele fazia parte de uma etnia ("quimbanda") em que a homossexualidade era considerada natural.

Fabio em 19/11/2014 - 17h12 comentou:

Cynara e o fascismo , pousou aqui nas terras paulistas quando, foi depois da 2 guerra ?
Li que os italianos seguidores de Mussolini, vinham para a America do Sul para vender aviões e outras máquinas antes do inicio da guerra, é interessante que este comportamento "fascista" vai da Argentina passando pelo Rio Grande do Sul e vem até São Paulo.

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paibolivia em 19/11/2014 - 17h24 comentou:

O claro preconceito contra o povo de São Paulo por parte dos que se dizem esquerdistas é algo muito triste, mas é fato que os que se declaram pensadores de esquerda apreciam dividir a sociedade para assim poder chegar ao poder.

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    @domvc5 em 19/11/2014 - 22h34 comentou:

    Quem guerreou contra a Constituição ,em minoria eleitoral–NÃO ACEITAVAM UM TRABALHISTA COMO GETULIO SER ELEITO, QUE EMPÁFIA! diziam os "REVOLTOSOS" , enfim ,quem TRAIU A UNIÃO BRASILEIRA, PEDIU A SECESSÃO, FORAM OS PODEROSOS LOBISTAS PAULISTAS DA ÉPOCA,E NÃO POR ACASO A MINORIA MAIS RICA DO PAIS, DE RAÍZES EUROPEIAS DE 100 ANOS NO MAXIMO

Silvestre em 19/11/2014 - 17h41 comentou:

Escrever que a direita clama os Bandeirantes como heróis inquestionáveis é praticar da mesma premissa que condena. Qual o problema em difundir a real história de que em Palmares e outros quilombos haviam escravos? Se pessoas utilizam dessa informação para desmerecer a resistência negra da época, não se pode utilizar da generalização para condenar interpretações, opiniões e principalmente grupos políticos. Tenho pensamento tendente à direita, sei das histórias que recheiam o país, não me condene no mesmo balaio que ignorantes racistas e fascistas, assim como não quero a colocar em um buraco ideológico onde nascem as intolerâncias.

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Luis em 19/11/2014 - 18h11 comentou:

Bom texto sobre os bandeirantes e sua imagem mistificada, só não entendi o ataque ao historiador entrevistado no artigo do Uol. O que o artigo dizia era que existia a possibilidade de acensão social do negro na sociedade brasileira, ao contrário do que ocorria na norte-americana, e não que o negro estaria em uma situação melhor aqui do que se estivesse em sua terra de origem… Aliás, uma das citações diretas do artigo é: "Pelo contrário, acho que eles podem se orgulhar de que seus antepassados não eram pobres coitados, mas, em muitos casos, pessoas prósperas, que não abaixavam a cabeça". Achei que seu uso do artigo foi desonesto.

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muniz em 19/11/2014 - 18h38 comentou:

Essa é a nossa história brasileira, onde um bêbado é colocado como herói, e Zumbi é tratado como vilão por que queria a verdeira independência, que é o direito de liberdade.

Responder

    Fabio SP em 20/11/2014 - 00h16 comentou:

    O bêbado seria o Lula?

    morenasol em 20/11/2014 - 01h45 comentou:

    obsessão pelo lula. sugiro procurar ajuda médica

gilson em 19/11/2014 - 18h41 comentou:

Cynara, se você não leu, leia O Capitão Mouro, de Georges Bourdoukan – Casa Amarela. É uma narrativa sobre o Quilombo dos Palmares sob o olhar de um muçulmano que por lá viveu.

Responder

José Filho em 19/11/2014 - 18h44 comentou:

curioso é que na grande sp a maioria dos paulistas atuais são filhos de nordestinos, enquanto no interior os paulistas tem mais ascendência europeia(italianos, alemães e japoneses); mas, vão td pro msm saco dos terríveis direitistas fascistas nesses blogs…

Responder

    lafaierty em 19/11/2014 - 21h22 comentou:

    Eu moro no interior paulista e sou filho de baianos. Aqui no interior não há tantos descendentes de europeus, não. O nosso Estado é formado praticamente de migrantes do nordeste. E esse artigo é muito tendencioso.

André em 19/11/2014 - 19h36 comentou:

Belo texto que faz lembrar sobre a ausência desse tema tão importante na formação escolar.

Responder

Paulo em 19/11/2014 - 19h51 comentou:

Não entendi o motivo da crítica a "autores de direita" de história. Se você mesmo reconhece que havia escravos em Palmares, eles mentem ou falseiam? Deveriam omitir tal fato em seus livros? Ao que parece, você sempre prefere a mitologia à verdade dos fatos. Aliás, isto fica claro ao final de seu texto: o importante é criar heróis, não narrar e analisar fatos. Se o negro Zumbi tinha escravos e o mameluco Domingos Velho era truculento na guerra, eles apenas eram homens de seu próprio tempo. Ou você acha que havia alguém – negro, branco ou índio -, no interior da América Portuguesa (não se esqueça, não havia "Brasil"), no século XVII, que defendesse o fim da escravidão ou as regras da "guerra limpa" da futura Convenção de Genebra?
Estude mais um pouquinho e talvez você descubra que a mitificação dos bandeirantes, pelos paulistas, assim como dos inconfidentes, por nós, mineiros, foi produto da historiografia oficial da República, que procurou minimizar a importância das cortes portuguesa e imperial brasileira para a construção do Brasil, buscando heróis "genuinamente brasileiros" em nosso passado colonial. O mesmo raciocínio foi usado pelos modernistas paulistas, que descobriram "Aleijadinho" e o violão.
É duro para alguém, como eu, que gosta de História, ter de aguentar as atuais disputas ideológicas rastaqueras em torno destes assuntos Pelo amor de Deus, a História Brasileira não se divide em a.L. e d.L. (antes e depois de Lula).

Responder

Lenir Vicente em 19/11/2014 - 21h23 comentou:

"A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre como cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para conter os possessos e criar uma sociedade solidária." Darcy Ribeiro e sua (nossa) utopia, em "O Povo Brasileiro", p-108

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Guilherme Melo em 19/11/2014 - 23h57 comentou:

Isto é um punhado de fatos desconexos travestido de argumentação.

Parágrafos

1: Edison Carneiro relata que Zumbi era escravocrata
2 ao 8: A direita expõe fatos que levam a crer que Zumbi era ruim e os bandeirantes eram bons
9 ao 16: Os bandeirantes destruíram Palmares e mataram Zumbi junto.

Conclusão: Zumbi é um herói.

Parabéns pela argumentação. Aprendeu com o Reinaldo Azevendo?

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crioulo em 20/11/2014 - 13h17 comentou:

Em pleno século XXI ainda tem gente celebrando Zumbi dos Palmares?! Zumbi se tornou um líder rebelde e ainda tinha a mentalidade tribal da África, ele não aceitava a dominação portuguesa, mas aceitava a hierarquia tribal,onde o chefe tinha direito a escravos e concubinas. No fundo ele era igual aos portugueses sedento de poder, e terras, nada ele fez em favor dos negros, e dizer que foi libertador e manobra das elites dominantes, ele era algoz da própria etnia. Excluiria zumbi da história do povo negro.Ele não era libertador,era um pária puxa saco que perseguia a própria etnia. A cultura de escravizar é muito forte na África, onde a tribo que vence a guerra escraviza a tribo perdedora. E ainda, algumas, praticavam o canibalismo com os melhores guerreiros da tribo dominada, acreditando que se comessem seus corpos absorveriam os seus poderes e se tornariam mais fortes. http://educacao.uol.com.br/…/zumbi-era-um-

Responder

afra aleixo em 20/11/2014 - 13h31 comentou:

O preconceito cega a razão! o odio pelos paulista faz a autora do texto so culpar os capangas!

Responder

    morenasol em 20/11/2014 - 14h08 comentou:

    ódio pelos paulistas? não me meça por sua régua. nem tente apagar a história só porque você assim deseja

    afra aleixo em 20/11/2014 - 19h06 comentou:

    De que maneira apago a historia ,mostrando que domingos jorge velho foi apenas um dos instrumentos usados pela elite nordestina da epoca para destruir palmares!

    morenasol em 20/11/2014 - 19h09 comentou:

    a elite nordestina contratou os sanguinários bandeirantes paulistas para destruir palmares. e depois a elite paulista transformou os assassinos em heróis.
    mas quer dizer que seu problema é com o nordeste? meu problema é com a elite, seja de SP, do nordeste ou da europa

afra aleixo em 20/11/2014 - 14h02 comentou:

Domingos jorge velho que aparece na tela ,nunca poderia ter destruido o kilombo dos palmares pois morreu em 1670 ! conforme seu inventario datado de Santana de Parnaíba 29/12/1670

Responder

magah em 20/11/2014 - 16h58 comentou:

Mais de 300 anos se passaram e continuam alimentando o ÓDIO dentro da alma. Ao que parece os descendentes negros gostam de cultivar o ressentimento, a vingança, a busca aos "culpados". É um povo que jamais será feliz pois "não quer" se desvencilhar do passado, levantar a cabeça e olhar pra frente. Cultiva o rancor, a animosidade, a lamentação, o amargor, o revanchismo, o sofrimento, a vingança a qualquer custo.. O maior erro dos negros alforriados foi não ter negociado a volta à África. Quem sabe lá encontrariam a paz.

Responder

    @thecamilarocha em 20/11/2014 - 18h53 comentou:

    Ué? Como vão se 'desvencilhar do passado' se o racismo se arrasta ao longo dos séculos? Se ainda é necessário que o negro lute por seus direitos é por que a sociedade ainda tem a mesma visão sobre eles e também não se desvencilhou do passado!

    "O maior erro dos negros alforriados foi nao ter negociado a volta à África. Quem sabe lá encontrariam a paz." – Comentário infeliz, muito infeliz '-'

    Luis CPPrudente em 20/11/2014 - 22h22 comentou:

    Esses negros que continuam alimentando o ódio! Esses negros que querem deixar de ser empregados e empregadas domésticas! Esses negros que querem entrar onde só os brancos entram (na universidade, em cursos de medicina, engenharia, por exemplo)! Esse negros precisam se espelhar na Tia Anastácia! Isto sim que é uma negra sem ódio!. Mas não! Esses negros querem ter o que de direito não é deles! Eles deveriam ficar quietinhos, obedecendo sem questionar os seus patrões, só assim eles vão deixar de ser pessoas amarguradas, derrotadas, sem futuro. O futuro desses negros empregados e empregadas domésticas estão no carinho e atenção que as sinhazinhas sempre deram para eles! Esses negros tão querendo demais! Então que voltem para a África e deixem a nossa sociedade branca em paz! Né Magah!!!!!

    enylce em 24/11/2014 - 02h28 comentou:

    Acho que é uma doença.Como os negros alforriados negociaram sua volta à Africa? Quem pagaria?

Luis CPPrudente em 20/11/2014 - 17h14 comentou:

Zumbi de Palmares é um herói do povo brasileiro, se isto é uma construção ideológica ou não, fico com ela. O fato de se ter criado uma data em que os negros possam refletir sobre a sua existência, que eles possam ver que muitos escravos negros não foram submissos à escravidão, que durante muito tempo eles foram tratados como inferiores e sem méritos, que quem trabalhou duro para gerar as riquezas das elites do Brasil colonial e do Brasil império foram os negros. Tudo isto faz com que os negros possam refletir sobre a sua situação social e o quanto a sociedade brasileira deve muito aos negros. As elites paulistas enaltecem os bandeirantes, eles que foram caçadores de índios para serem vendidos como escravos. Outro fato que as elites paulistas elogiam foi a tentativa de golpe infrutífero, a secessão ou intentona de 1932.
Viva Zumbi dos Palmares! Viva o Dia da Consciência Negra!

Responder

Jason em 20/11/2014 - 18h18 comentou:

QUE HERÓI É ESSE QUE ESCRAVIZAVA O SEU PRÓPRIO POVO QUE JÁ ESTAVA FUGINDO DA ESCRAVATURA?????? ELE PARA MIM ERA UM BANDIDO, UM VAGABUNDO COMO OS PRÓPRIOS ESCRAVOCRATAS, E NÃO VAMOS NOS ESQUECER QUE A PRIMEIRA ESCRAVIDÃO DO MUNDO QUE SE TEM NOTÍCIA , FOI O NEGRO QUEM ESCRAVIZOU OS BRANCOS, OS FARAÓS ERAM NEGROS E ESCRAVIZARAM OS HEBREUS, ZUMBI ERA UM VAGABUNDO.

Responder

    Luis CPPrudente em 20/11/2014 - 22h08 comentou:

    Pai, ele não sabe o que diz! Perdoai a ignorância dele!

Rodrigo em 21/11/2014 - 17h17 comentou:

Ao contrário da escravidão antiga, legitimada pela vitória na guerra, a escravidão moderna se deu dentro de uma cultura que considera inaceitável obrigar o homem a satisfazer os desejos de outrem.
Daí a discussão coordenada pela igreja em torno da questão de se os índios e negros tinham alma ou não. Sagrou-se vitoriosa a corrente segundo a qual eles não tinham alma, de modo que, dessa maneira, restou aberto o caminho para trata-los como animais e escraviza-los sem dores de consciência.
Esse tal de Leandro Narloch é um amador, sem nenhum reconhecimento acadêmico, claramente empenhado em detonar os ícones de esquerda e limpar a barra dos ícones de direita.
Prova disso é a afirmação dele de que dom Pedro I era um constitucionalista. Mentira. Qualquer estudante de 1° semestre de Direito sabe que a constituição de 1824 foi outorgada pelo imperador, em razão de sua recusa a aceitar os limites que os constituintes queriam estabelecer sobre seus poderes.

Responder

@SgGeizi em 21/11/2014 - 17h43 comentou:

Digite o texto aqui!

Responder

@SgGeizi em 21/11/2014 - 17h54 comentou:

Cynara,leio seus textos,pois gosto da ideia central deles,eles costumam fazer com que eu pense sobre alguns as aspectos.Mas,acho que as vezes,vc é muitos ácida nas criticas.E não concordo com o aspecto de Zumbi ser um heroí,nem os bandeirantes.Não tenho intenção de colocar Zumbi e bandeirantes no mesmo patamar,pq seria injusto,seria relativar a escravidão.Contudo,para mim,o Zumbi ter escravos é um fator importante,um herói da LUTA RACIAL não poderia fazer isso.

Responder

Antonio em 21/11/2014 - 20h22 comentou:

Tanta raiva pelos paulistas!
Porque então você trabalhou em alguns meios de comunicação daqui??
Trabalhou na Veja??? Kkkkkk
Não vai me dizer que… mora em Sampa?
Porque será que o estado mais desenvolvido do país é contra o socialismo e comunismo??
ps: Adoro o Quino. Um gênio. Mas pelo que eu sei, o coração bate no centro do corpo! E não do lado esquerdo!

Responder

NRA Borges em 24/11/2014 - 01h50 comentou:

Tudo depende de como você quer considerar o Zumbi: como um mito para sustentar uma necessária afirmação da autoestima dos afrodescendentes (mais de 50% da população recenseada recentemente) ou como um personagem histórico. No caso desta segunda opção os quilombolas dos Palmares provavelmente tinham escravos sim. É preciso entender que Palmares aconteceu no final do século XVII e essa era a ordem das coisas então. Procure ler " A Manilha e o Libambo" do Alberto Costa e Silva se você quer conhecer mais sobre a história do tráfico de cativos africanos a partir do século XV.

Responder

Marco Boncompanho em 25/11/2014 - 17h48 comentou:

Você recebe para escrever tanta asneira ??? Grandes Heróis os Bandeirantes… Non Dvcor Dvco.

Responder

@dmd_elialmeida em 23/12/2014 - 17h00 comentou:

O texto é rico em informações mas, não esconde o seu viés ideológico da luta de classes que muitas vezes enche o saco! Que tal lembrar que os negros que foram trazidos escravos da Africa para o resto do mundo eram vendidos e escravizados por outros negros?

Responder

Renan em 16/08/2017 - 19h43 comentou:

Misturar escravatura (fenômeno presente no planeta inteiro, inclusive na África até os dias de hoje) com ladainha ideológica marxista da mais rasa é de duas uma, ou bobeira mesmo ou desonestidade intelectual…

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