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Delator utilizado pelo MP para acusar Haddad teve obra bilionária suspensa por ele

Candidato a vice de Lula questiona: "O que está por trás disto, faltando 45 dias para a eleição?"

Haddad e Dilma, candidata ao Senado, em Belo Horizonte. Foto: reprodução twitter
Da Redação
28 de agosto de 2018, 18h15

O delator Ricardo Ribeiro Pessoa, controlador da UTC Participações, que firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República e é a principal fonte das acusações do Ministério Público de São Paulo ao candidato a vice do PT, Fernando Haddad, teve um contrato bilionário cancelado pelo petista assim que assumiu a prefeitura. Em fevereiro de 2013, o então prefeito Haddad suspendeu a implantação de um túnel de 2,3 quilômetros ligando a Avenida Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes, uma obra da UTC em parceria com a Odebrecht contratada por seu antecessor, Gilberto Kassab, que custaria 2,5 bilhões de reais aos cofres públicos.

De acordo com o promotor Wilson Tafner, a UTC teria pago, ao longo de 2013, mesmo ano em que teve sua obra bilionária suspensa, dívidas da campanha eleitoral de Haddad com uma gráfica. Ele pede a condenação do petista, o bloqueio de seus bens e a perda dos direitos políticos. Em entrevista coletiva nesta terça-feira no Rio, o vice de Lula disse que a acusação não faz sentido. “Não entendo por que a imprensa não pergunta ao Ministério Público o que eles querem com isso. Por que não perguntam ao promotor: como é que depois do cancelamento de uma obra superfaturada alguém faria um favor desses para um político?”

Como é que o Ministério Público de São Paulo utiliza a delação de um empresário prejudicado por um político para tentar incriminar o mesmo político que o prejudicou? Não vale mais o princípio da suspeição?

Haddad demonstrou estranheza de que seja justamente um empresário prejudicado por ele em benefício dos cofres públicos que esteja sendo utilizado pelo MP para acusá-lo. “O ex-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, é um corrupto confesso. Sobre meu caso específico, ele tinha razão para mentir. Com 44 dias de meu governo, eu cancelei uma obra bilionária da UTC e da Odebrecht, do túnel Roberto Marinho. Cancelei porque meu secretário me trouxe a informação de que essa obra estava superfaturada”, disse Haddad.

“Eu pergunto: como é que um prefeito que cancela uma obra de um corrupto, bilionária, passa por um constrangimento destes, ao invés de receber do Ministério Público os devidos agradecimentos por ter salvado algumas centenas de milhões de reais? O que está por trás disto, faltando 45 dias para a eleição?”, questionou. “O  que tem de escândalo no governo do Estado durante 24 anos que o PSDB atua em são Paulo, tem escândalo em todo canto, no metrô, na Dersa, na CPTM, na merenda, não tem nada ali que pare em pé. E não há nada, nenhum procedimento. E justamente num caso onde demonstrei que é possível governar com lisura, cancelando a obra, da Odebrecht e da UTC, que eram sócias?”

Outra boa pergunta é: como é que o Ministério Público de São Paulo utiliza a delação de um empresário prejudicado por um político para tentar incriminar o mesmo político que o prejudicou? Não vale mais o princípio da suspeição? Será que os promotores não sabiam que Haddad cancelou a obra do delator que agora utiliza para atacá-lo? Difícil, porque saiu em todos os jornais na época.

Confira:

As empreiteiras, como a UTC, estavam insatisfeitas com os cortes nas grandes obras feitos por Haddad ao assumir a prefeitura. Matéria publicada pela Folha de S.Paulo em outubro daquele ano dizia textualmente; “o diretor de uma grande entidade que reúne empreiteiras disse à Folha que o setor estava preocupado. A gestão Haddad, em avaliações internas, havia feito um ‘freio de arrumação’ para tentar colocar as finanças em ordem e não deveria priorizar as grandes obras. Somente ‘pintava faixas no asfalto’, sobre as faixas exclusivas para os ônibus”.

Como se pode acreditar na seriedade de um Ministério Público que permite a empreiteiros acusar um político que os fez lucrar menos?

 


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(3) comentários Escrever comentário

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Maria em 29/08/2018 - 12h51 comentou:

Eles querem tumultuar a campanha do Haddad. Estão desesperados porque os candidatos deles não decolam e vão apelar #baixarias!

Responder

Pedro em 03/09/2018 - 22h50 comentou:

Não existe lugar para honestidade.

Responder

João Junior em 03/09/2018 - 23h16 comentou:

Com a lava-jato aprendemos que só petistas devem ser presos e condenados, nunca os tucanos…

Responder

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