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Delegado da PF pede fim da impunidade para tucanos e Temer –e é repreendido

Delegado que investigou cartel do metrô sofrerá "medidas administrativo-disciplinares" após cobrar no facebook que punição a Lula se estenda a outros políticos

Da Redação
10 de abril de 2018, 16h26

O delegado da Polícia Federal Milton Fornazari Júnior, da Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros, em São Paulo, foi repreendido pela instituição após cobrar no facebook que outros políticos também sejam investigados e processados, não só Lula.

“Agora é a hora de serem investigados, processados e presos os outros líderes de viés ideológico diverso, que se beneficiaram dos mesmos esquemas ilícitos que sempre existiram no Brasil (Temer, Alckmin, Aécio, etc). Se isso acontecer, teremos realmente evoluído muito como civilização, se não acontecer e só Lula ficar preso infelizmente tudo isso poderá entrar para a história como perseguição política”, escreveu Fornazari.

Nenhum tucano jamais foi punido, inclusive no caso do cartel do metrô de São Paulo, caso investigado e descoberto pelo próprio Fornazari, que nunca deu em nada

O delegado, na verdade, apenas repetiu uma cobrança de milhões de cidadãos. Afinal, todos os processos envolvendo políticos do PSDB até hoje foram arquivados ou prescreveram. Nenhum tucano jamais foi punido, inclusive no caso do cartel do metrô de São Paulo, caso investigado e descoberto pelo próprio Fornazari, que nunca deu em nada. Entre os 28 intimados pelo delegado no esquema do metrô estava o ex-governador e atual senador José Serra. A investigação contra o tucano Serra foi rapidamente arquivada pelo Ministério Público de São Paulo.

Em vez de seguir o conselho do delegado e investigar “os outros”, a Polícia Federal fez o contrário: desautorizou e repreendeu Fornazari publicamente e disse que vai adotar “medidas administrativo-disciplinares” contra ele. “O delegado de Polícia Federal Milton Fornazari Jr. não é responsável pela Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros em São Paulo, tendo exercido a chefia da delegacia de 26/10/2015 a 02/11/2016”, disse a PF, em nota oficial. “As declarações proferidas são de cunho exclusivamente pessoal e contrariam o normativo interno referente a manifestações em nome da instituição, razão pela qual serão tomadas as medidas administrativo-disciplinares em relação ao caso concreto.”

A PF afirmou agir de forma isenta, discreta e apartidária, embora nunca tenha aplicado medidas administrativo-disciplinares contra os delegados que se manifestavam a favor de Aécio Neves e atacavam o PT nas redes sociais em 2014

A PF ainda afirmou agir de forma “isenta, discreta e apartidária”, embora nunca tenha punido os delegados que se manifestavam a favor de Aécio Neves e atacavam o PT nas redes sociais em 2014. Tampouco adotou “medidas administrativo-disciplinares” contra o delegado Márcio Anselmo, que indiciou o ex-presidente Lula e sua esposa Marisa Letícia no inquérito do triplex no Guarujá, enquanto atuava como cabo eleitoral de Aécio.

Intimidado pela corporação, Fornazari apagou o post original e fez uma nova postagem em seu perfil no facebook onde dizia que sua opinião era “exclusivamente pessoal, como cidadão”.

 

 


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Sergio Souza em 10/04/2018 - 18h14 comentou:

É preciso tomar cuidado nessa “punição” a PSDBistas ou MDBistas. Cuidado com a jogada deles. Podem muio bem jogar bois de piranhas como Aécio e Temer para dizer que a Lava Jato prendem todos! Que Lula é tão “criminoso” quanto eles. E aí se fica nivelado todo mundo!

Cuidado com o fim do foro privilegiado. É outra armadilha para a esquerda! Cairá tudo para a primeira instância, e aí uns julgam com a rapidez e outros com a morosidade. Vejam Lula e Eduardo azeredo. Cuidado!

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Yuri Calixto de Alencar em 15/05/2018 - 21h08 comentou:

Socialista morena o que você pensa sobre a sabotagem da investigação do caso Banestado (roubo do PSDB) feita pelo Lula, ao trocar o delegado Castilho da polícia federal da investigação do caso, não é igual a atitude do Gilmar mendes mandar soltar Paulo Preto para livrar o PSDB da justiça?

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Yuri Calixto de Alencar em 15/05/2018 - 21h17 comentou:

Um dos maiores roubos da História do Brasil foi o do Banestado. Moro e Lula estavam lá. Moro era o juiz do caso de corrupção praticado pelo PSDB e que tinha a frente da investigação criminal o delegado Castilho da policia federa que já estava rastreando o dinheiro desviado para o exterior e chegando aos cabeças da organização criminosa quando Lula assumi o poder da república e nomeou como seu ministro da justiça Márcio Thomáz Bastos que afastou das investigações o delegado Castilho para outro delegado assumir a presidência do inquérito. Com isso o rastreamento do dinheiro no exterior foi interrompido e nunca mais retomado e impedindo, assim, a produção de provas materiais do crime para que o juiz Moro realizasse o seu trabalho. PT e PSDB já fizeram parte da mesma quadrilha e na verdade ainda fazem.

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