Dicas regionais para abrasileirar o Natal

perutucupi

(Peru no tucupi com jambu. E o jambu treme, treme, treme…)

Tem gente que adora o Natal. E tem gente que sente uma antipatia mortal pelo Natal. Não porque não gosta de reunir a família, de dar e receber presentes. Não é nem mesmo uma questão de ser ou não cristão. É que, para alguns, é difícil de deglutir algumas “tradições” natalinas importadas, tipo “neve” em pleno verão. Além de ser ridículo, é um sinal de como ainda somos colonizados. Uma das primeiras atitudes descolonizadoras seria acabar com este Natal fake e criar um Natal genuinamente nosso.

Outra coisa difícil de deglutir são algumas das comidas natalinas. Sempre o infalível peru assado, de Norte a Sul do Brasil. Será mesmo? Conversando com meus leitores, levantei algumas dicas de comidas e bebidas regionais para fugir à ditadura do peru na véspera do Natal e também no dia seguinte. Só não pode faltar a brasileiríssima farofa! Confira.

Na noite de Natal:

1. Leitoa à pururuca: tradição em Minas Gerais e Goiás, substitui com ganhos o peru. Muito mais saborosa, suculenta e macia…

2. Tainha assada recheada: tradição nos bairros italianos de São Paulo e também no litoral. Na Espanha é bem mais comum comer peixe assado (besugo) no Natal do que peru. Em nosso país, ainda mais nesta época do ano, acho que combina muito, hein? No Rio se come bacalhau e bolinho de bacalhau na ceia.

3. Frutas da estação: em alguns países da Europa, o costume é ter frutas tropicais na ceia de Natal. Aqui, fazemos o contrário, usamos frutos secos. Que tal aproveitar a época e usar frutas nossas na ceia? Muito mais bonito e colorido! É época de: manga, jaca, goiaba, fruta do conde, umbu, seriguela…

4. No Mato Grosso do Sul, o porco ou pato assado ganhou um acompanhamento do país vizinho: a sopa paraguaia, que não é uma sopa, mas uma espécie de bolo salgado de milho.

5. No interior de Minas, o peru é substituído por frango caipira com quiabo e farofa de andu. Mais brasileiro, impossível.

6. No Acre e no Pará tem vatapá na ceia! Vatapá à maneira do Norte, com pão velho, camarão seco e fresco e pouquíssimo dendê.

7. No Piauí, tem torta de caranguejo com leite de coco, acompanhada de farofa.

champanhota

8. E para beber, champanhota ou coquetel de champanhe, receita da família Micheleto, de São Paulo: 1 garrafa de sidra bem gelada; 1/2 garrafa de água mineral com gás também bem gelada (use a garrafa de sidra como medida); 4 ou 5 metades de pêssego em calda; calda do pêssego a gosto para adoçar; bater tudo e separar uns cubinhos de pêssego para decorar; servir com muito gelo. A sidra pode ser substituída por espumante seco se você não quiser a champanhota muito doce.

E no dia seguinte:

1. No Pará e em Roraima, cozinham-se as sobras do peru lentamente no tucupi com jambu. Acompanha arroz branco. Dizem que cura ressaca!

2. Na Bahia, Pernambuco e outras cidades do Nordeste aproveita-se o peru para um grande cozido, com verduras, paio e pirão feito com o caldo.

3. Em Vitória, no Espírito Santo, faz-se “roupa velha” (um mexido) com os restos do peru, bem temperadinha e apimentada, com feijão preto.

4. No Paraná e em São Paulo, prepara-se um “brodo” (caldo) com os restos do peru para comer com capeletti ou arroz (canja).

Se você tiver mais dicas regionais mande para mim até o Natal.

 

 

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Publicado em 21 de dezembro de 2016