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É na marra! Mesmo com crise institucional, trator de Temer continua em ação no Congresso

Por Katia Guimarães* O Brasil está (literalmente) pegando fogo, mas Temer não arreda o pé do cargo e sua base no Congresso continua a todo vapor, trabalhando para aprovar as “reformas” que tiram direitos dos trabalhadores e dos aposentados. Com o país de ponta-cabeça desde que o presidente ilegítimo foi flagrado numa conversa nada republicana com […]

24/05/2017- Brasília- DF, Brasil- Segurança é reforçada no Palácio do Planalto Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Cynara Menezes
24 de maio de 2017, 22h43
24/05/2017- Brasília- DF, Brasil- Segurança é reforçada no Palácio do Planalto  Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

(Soldados do Exército em frente ao Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Por Katia Guimarães*

O Brasil está (literalmente) pegando fogo, mas Temer não arreda o pé do cargo e sua base no Congresso continua a todo vapor, trabalhando para aprovar as “reformas” que tiram direitos dos trabalhadores e dos aposentados. Com o país de ponta-cabeça desde que o presidente ilegítimo foi flagrado numa conversa nada republicana com o dono da JBS, Joesley Batista, o governo Temer apela para a força, dentro e fora do Congresso.

A violência policial marcou a manifestação desta quarta-feira-24 em Brasília contra as reformas trabalhista e previdenciária, pela saída do peemedebista e por Diretas Já. O dia tenso culminou com o governo colocando as Forças Armadas de prontidão nas ruas da capital por uma semana. No Congresso, a oposição resiste, mas a base aliada está pronta para aprovar a pauta neoliberal das “reformas” trabalhista e previdenciária. Com o apoio da mídia, querem vencer na marra, mesmo que o presidente não dure por muito mais tempo.

Trabalhadores de todo o país vieram à capital federal em centenas de ônibus e ocuparam a Esplanada num protesto que reuniu cerca de 150 mil manifestantes, segundo os organizadores. Logo no começo do Ocupa Brasília, a Polícia Militar partiu para violência, com forte repressão da Tropa de Choque, que usou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo e foi flagrada usando armamento de verdade. Uma pessoa foi baleada. A Esplanada parecia uma praça de guerra. Prédios de ministérios tiveram vidraças quebradas, banheiros químicos foram virados, placas derrubadas, um cenário de destruição. Todos os ministérios foram evacuados por segurança.

Parlamentares que estiveram na manifestação denunciaram no plenário da Câmara e do Senado que pessoas infiltradas tumultuaram o protesto para desqualificar o movimento. “Ninguém prende os 50 e dispersa toda a passeata jogando bomba para tudo que é lado. Esse é o equívoco da condução policial. Eu fico preocupado porque eu acho que isso, às vezes, ajuda a construir a narrativa que eles querem. Qual é a narrativa? Que os manifestantes vieram aqui fazer quebra-quebra, vieram dos Estados fazer baderna e quebra-quebra”, reagiu o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Enquanto os manifestantes apanhavam da polícia lá fora, a tensão repercutia do lado de dentro do Congresso e a oposição na Câmara voltou a ocupar a Mesa Diretora do plenário para obstruir a sessão de votação de medidas provisórias. O deputado que comandava a sessão na hora, Carlos Manato (SD-ES), se negou a interromper a ordem do dia e saiu sob gritos de “Fora, Temer” e “Diretas já, o povo quer votar”. Uma faixa com Fora Temer foi esticada e retirada à força por deputados aliados do Planalto.

O presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi cobrado por fugir à responsabilidade de criar a comissão de impeachment de Michel Temer e impedir a votação da proposta que prevê eleições diretas. “Será que nesse momento vossa excelência vai virar as costas para o que está acontecendo fora do Parlamento, tentando mostrar um clima de normalidade que não existe? Tem pessoas feridas. Esta mesa está ocupada por um conjunto de parlamentares não é à toa. A Câmara não pode dar as costas ao que esta acontecendo na Esplanada”, questionou o líder do PSOL, Glauber Braga (RJ).

O anúncio da convocação das Forças Armadas pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, no Palácio do Planalto, agravou ainda mais a situação no Congresso. O decreto da Garantia da Lei e da Ordem, que só foi acionado em casos de grandes eventos internacionais como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016 ou em ações extremas como a tomada da Maré, assustou a todos. Nem no auge dos protestos de 2013, quando manifestações tomaram conta do país e em Brasília ocuparam o prédio do Congresso, a presidenta Dilma Rousseff tomou essa iniciativa.

Especialistas e juristas afirmam que o decreto é inconstitucional e que Temer cometeu novo crime de responsabilidade. O Planalto afirmou que atendia a pedido de Rodrigo Maia, que negou haver solicitado as Forças Armadas, e sim a Força Nacional para proteger a Esplanada. A temperatura subiu no plenário quando o deputado Paulo Pimenta (PT) questionou sobre convocação do Exército em Brasília.

No Senado, a oposição também se insurgiu e cobrou explicações do presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE) e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), considerou que a iniciativa do Planalto “beira a insensatez” e afirmou que não serão as Forças Armadas que irão salvar o governo Temer.

“Isso é gravíssimo, é gravíssimo”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ao afirmar que o decreto, neste momento, é um decreto que busca restabelecer a ordem, mas, na verdade, é travestido de um decreto de estado de defesa. “Não há, Sr. Presidente, calamidade de grandes proporções ou instabilidade institucional para haver decretação de estado de defesa, e, para o decreto de estado de defesa, conforme preceitua o art. 136 da Constituição, ter validade, é necessário que o Congresso Nacional seja convocado em 24 horas.”

Ontem, o Senado já havia sido palco de enfrentamento entre governo e oposição, que tentava barrar outro golpe do governo de fazer avançar a tramitação da reforma trabalhista. A sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado contou com vários atropelos regimentais comandados por senadores do PSDB, PMDB e DEM, que resolveram blindar Temer. O senador Paulo Paim (PT-RS) deu uma aula do que é a vida de trabalhador de fábrica, contando a sua própria experiência como operário no sul. Ele disse ter confiado plenamente em Ferraço. “O Congresso virou um verdadeiro ovo da serpente”, afirmou Paim, em vídeo no twitter.

Após mais de 7 horas de discussões acaloradas para impedir a da leitura do relatório da reforma, a confusão tomou conta da comissão quando Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente da CAE, se negou colocar em votação o segundo recurso dos oposicionistas para suspender a matéria e quis dar início à leitura do relatório. Os senadores se levantaram, houve gritos, acusações e quase chegaram as vias de fato. No fundo da comissão, manifestantes gritavam Fora Temer, Diretas Já e cadeia para Aécio e Jucá. No meio da confusão, o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) partiu pra cima de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o chamou pra briga.

Fechado no Planalto, Temer passou os últimos dias recebendo aliados. Em sua última declaração no início da semana, parece ter desafiado o povo brasileiro e a oposição ao afirmar, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo: “Não renunciarei, se quiserem que me derrubem”. Nas ruas, novas manifestações estão sendo organizadas e no Rio já está previsto evento similar ao das Diretas de 1984, com a participação de diversos artistas, como Caetano Veloso e Criolo.

Em Brasília, a oposição promete também não arredar o pé e continuar a obstruir votações. A ideia é subir o tom. Vale observar o que disse hoje o senador Lindbergh: Temer é um presidente fraco, que pode cair a qualquer momento, e, enquanto o país vive uma grave crise política, um acordo está sendo costurado por cima para eleger um presidente de forma indireta. A ordem é aprovar as “reformas”, com Temer ou sem Temer.

 

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