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Eduardo Cunha acusa a Lava-Jato de proteger empresas estrangeiras e prejudicar nacionais

Primeiro depoimento do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara coloca mais um tijolo nas suspeitas de que a operação beneficia empresas internacionais que tinham negócios com a Petrobras

Eduardo Cunha em seu depoimento. Reprodução Youtube
Cynara Menezes
07 de fevereiro de 2017, 22h15

O primeiro depoimento do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha ao juiz da Lava-Jato, Sergio Moro, coloca mais um tijolo nas suspeitas de que a operação está beneficiando empresas internacionais que tinham negócios com a Petrobras, ao mesmo tempo que destrói empresas nacionais como a Odebrecht. Esta tem sido uma acusação recorrente à operação Lava-Jato.

Desta vez, a acusação partiu de ninguém menos que Eduardo Cunha, no final do seu depoimento de três horas a Moro, em Curitiba. Cunha citou nominalmente a sul-coreana Samsung e a Keppel Fels, de Cingapura.“Gostaria também de dizer que nós estamos com um processo político aqui, onde empresas estrangeiras, eu queria protestar, são poupadas de responsabilização e empresas brasileiras pagam bilhões no exterior, além da perda de mercado.”

“A ação penal é indivisível, mas não houve, por exemplo, a responsabilização da Keppel Fels na sentença divulgada na semana passada, apesar da imputação direta da empresa pelo delator Zwi (Skornicki), ou da Samsung, onde é pública sua participação nos crimes de corrupção, que depôs a presidente da Coréia. As punições não podem ser seletivas e poupar os corruptores internacionais. Falo com a autoridade de quem foi responsável pelo impeachment da ex-presidente da República para defender a legalidade no nosso País. Não é minha prisão que vai me impedir de poder elencar minhas opiniões”, disse Cunha, lendo uma carta a Moro.

Zwi Skornicki atuava como representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels, de Cingapura, um dos maiores fornecedores da Petrobras, com contratos no valor de 25 bilhões de reais. Entre 2006 e 2007, a Samsung vendeu dois navios-sonda para a Petrobras, negociação pela qual teria pago propina ao ex-diretor da estatal brasileira, Nestor Cerveró.

Em junho de 2015, a colunista do Estadão Sonia Racy publicou uma lista de 21 empresas internacionais que foram citadas na Lava-Jato, mas que não sofreram nenhuma sanção até agora: Maersk, Jurong, Kawasaki, Keppel Fels, Mitsubishi, Rolls-Royce, Samsung, SBM, Sembcorp Marine, Skanska, Techint, Toyo, Mitsui, Toshiba, Sargent Marine, Astra Oil, GB Marine, Trafigura, Glencore, Ocean Rig, Pirelli e Sevan.

No mês passado, foi divulgado que a Petrobras convidou 30 empresas estrangeiras para retomar as obras de construção da unidade de processamento de gás natural (UPGN) do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A obra era da Queiroz Galvão, envolvida na Lava-Jato. Questionado sobre por que a estatal não convidou nenhuma empresa brasileira, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou que há um impedimento legal justamente por conta da operação comandada por Moro.

O juiz Sergio Moro não respondeu às acusações feitas por Eduardo Cunha. Assista ao trecho abaixo.

 

 

 


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