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Equador decide entre Lenín e o banqueiro

Por Rafael Holanda Barroso, de Quito* Todo o continente sul-americano assiste à disputa mais acirrada da história recente do Equador. Mas o que falam as pesquisas sobre a conjuntura eleitoral do país? E os candidatos derrotados no primeiro turno, como votam? Nas ruas de Quito, o clima durante a semana foi de disputa, com ambos […]

Da Redação
01 de abril de 2017, 19h59
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(O candidato Lenín Moreno em seu último comício, na periferia de Quito. Foto: divulgação)

Por Rafael Holanda Barroso, de Quito*

Todo o continente sul-americano assiste à disputa mais acirrada da história recente do Equador. Mas o que falam as pesquisas sobre a conjuntura eleitoral do país? E os candidatos derrotados no primeiro turno, como votam?

Nas ruas de Quito, o clima durante a semana foi de disputa, com ambos os lados confiantes na vitória na eleição deste domingo. Para a oposição, a situação é especial: esta é a primeira vez em mais de 12 anos que eles conseguem apresentar um candidato realmente competitivo.

As últimas pesquisas de intenção de voto no segundo turno da eleição presidencial no Equador foram divulgadas durante essa semana. Os institutos de pesquisa, as encuestadoras, tinham até a última quarta-feira, 29 de março, para divulgar resultados. No primeiro turno, o governista Lenín Moreno (Alianza PAÍS) ficou a menos de um ponto percentual de ganhar, com 39,36% dos votos. Guillhermo Lasso (CREO), da oposição, alcançou 28,09%. No Equador, o candidato é proclamado vencedor em primeiro turno se alcança mais de 40% dos votos e uma vantagem de mais de 10 pontos percentuais à frente do segundo colocado.

Os institutos de pesquisa Opinión Pública, Diagnóstico e Perfiles de Opinión mostram mais de 12% de vantagem para Lenín Moreno. Cedatos e Market, mostram vantagem menor, 5% e 4%, respectivamente. Veja a tabela comparativa que preparei:
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Duas semanas atrás, Cedatos e Market chegaram a mostrar Lasso na liderança, mas os últimos levantamentos passaram a mostrar Lenín na frente, ainda que por pequena margem. As encuestadoras parecem adotar uma estratégia comum a institutos de pesquisa quando querem beneficiar um dos nomes da disputa: semanas antes, inflam seu candidato, mas mais perto das votações vão se aproximando do resultado real para não perderem credibilidade.

A Cedatos, por exemplo, chegou a dar vitória para Lasso no primeiro turno, quando na realidade o candidato ficou mais de dez pontos atrás de Lenín Moreno. Curiosamente, um dos sites que divulgou essa informação, o La Republica, recebe investimentos de publicidade do Banco de Guayaquil, que pertence ao candidato opositor.

bancoguayaquil

Apoio de outros candidatos

A maioria dos candidatos derrotados em primeiro turno decidiu apoiar a oposição: Cynthia Viteri, que ficou em terceiro lugar, Paco Moncayo, Abdala Bucaram, Patrício Zuquilanda e Washington Pesántez votarão em Lasso.

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(Os números do primeiro turno)

Apenas Iván Espinel, do Movimento Compromisso Social, apoiará a chapa governista. Ele me deu uma entrevista exclusiva no último ato de Lenín Moreno aqui em Quito e falou sobre o apoio.

Por um lado, esse cenário não é muito favorável a Lenín, uma vez que terá de conquistar mais de 7% dos votos de candidatos do primeiro turno que agora não o apoiam, mas o que não parece ser uma tarefa impossível. Por outro, mostra a unidade do governismo e a divisão da oposição no cenário eleitoral. Conseguirá Lasso unificar os votos que não foram para Lenín no primeiro turno? Os institutos de pesquisa apontam que não, mas que a disputa será voto a voto.

Em seu último discurso de campanha, na periferia de Quito, Lenín tratou de defender o que os governistas acreditam ser a principal diferença entre as duas candidaturas: um governo popular, com foco em serviços públicos, ou um governo-empresa, que vê a população como cliente. A disputa entre um modelo progressista, com um Estado indutor do desenvolvimento e garantidor de direitos e um modelo liberal, quando o Estado se limita a arbitrar modestamente a iniciativa privada, que, através da competição, garantirá oportunidades aos cidadãos.

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(O centro de Quito esta semana. Fotos: Rafael Holanda Barroso)

“Vamos escolher entre um país para poucos, um punhado de gente, ou um país para todos, um país de direitos, de cidadãos, não de clientes”, disse Lenín. “Não permitiremos que se privatize a educação, a saúde e a segurança, muito menos que se precarize o trabalho. Por isso vamos todos votar e dizer não ao banqueiro.”Diferentemente do que acontece no Brasil, a direita, representada pela candidatura de Lasso, não nega sua agenda liberalizante, e coloca todas as fichas na ampla liberdade da iniciativa privada para enfrentar os problemas do Equador, como o desemprego.

O cadeirante Lenín concentra seu plano de governo num programa chamado “Toda uma vida”, que se baseia em cinco eixos: a luta contra a pobreza; programas sociais para populações vulneráveis; a ampliação dos serviços de educação, saúde e habitação; o aumento da produção do país (PIB); e a criação de empregos.

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DÓLAR

O uso do dólar no Equador é uma questão que voltou a ser tema na eleição. Alguns apoiadores na Alianza PAÍS levantaram o tema durante o governo Correa, apontando as limitações que a medida traz para a política monetária e a soberania do país. Aqui a moeda é o dólar americano, mas utiliza-se também a moeda fracionária equatoriana.

Acabar com a dolarização não desfruta de grande popularidade por aqui, uma vez que o fantasma da hiperinflação ainda está vivo na memória coletiva dos cidadãos, o que fez Lenín se pronunciar sobre o tema: “Vamos manter o dólar (como moeda oficial) por que isso dá confiança ao Equador, que teremos dinheiro que alcance, e essa é a vontade popular”.
Acompanhe toda a cobertura que estou fazendo das eleições no Equador aqui.

 

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