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A esquerda não perdeu com condenação de Lula, quem perdeu foi o Brasil

É curioso que tantos reaças tratassem da condenação como se nós, de esquerda, tivéssemos "perdido". Perdemos o quê? O julgamento de Lula só nos deu razão

Lula em Curitiba em maio do ano passado. Foto: Ricardo Stuckert
Cynara Menezes
28 de janeiro de 2018, 15h53

Após a condenação sem provas do ex-presidente Lula, passei a semana sendo atacada por reaças nas redes sociais com expressões típicas do futebol, “chupa” a mais frequente delas. Como já sabemos, os inimigos de Lula são incapazes de ficar felizes: em vez de sair por aí comemorando terem conseguido o que tanto queriam, continuaram xingando opositores nas redes sociais. Eu sempre digo: o problema dessa gente não é nem nunca foi política.

Mas achei curioso que tantos reaças tratassem da condenação como se nós, de esquerda, tivéssemos “perdido”. Perdemos o quê? O julgamento de Lula só nos deu razão. Ficou comprovado que estávamos certos quando dizíamos que se tratava de perseguição ao maior líder político que o Brasil já teve e que não descansarão enquanto não o prenderem, como fazem os países que eles acusam de ser “autoritários” com a oposição. Estávamos certos quando dizíamos que era um jogo de cartas marcadas com direito até a acelerar processo por baixo dos panos e sentença combinada. Estávamos certos quando dizíamos que iriam condenar Lula para que não fosse candidato porque a direita tem medo de enfrentá-lo nas urnas. Estávamos certos quando falávamos da existência de um complô jurídico-midiático-policial contra Lula.

Sim, é claro que ficamos tristes. Mas não porque “perdemos” algo ou porque fomos “derrotados”. Nosso campo de batalha é nas urnas e não no tapetão. Chegar ao poder sem votos é coisa de gente de direita. Ficamos tristes, desacorçoados, porque sabemos que os que perseguem Lula querem o pior para o Brasil e os brasileiros. Quem perde é o povo, como bem disse Lula. Não nós. Não a esquerda.

A direita no poder na América Latina sempre foi sinônimo de desigualdade, de miséria, de desemprego, de falta de soberania. No passado, foi sinônimo também de ditaduras militares sanguinárias. Nada de bom pode vir da direita. É isso que lamentamos. Conhecemos a história. Sabemos o que era o Brasil antes de Lula chegar ao poder e sabemos no que se tornará se conseguirem manter o poder. Em menos de dois anos a direita já foi capaz de destruir os direitos dos trabalhadores, ameaçar o futuro da saúde e da educação públicas, dilapidar o patrimônio do povo; agora pretende acabar com a aposentadoria. Imaginem o que não farão com mais quatro anos pela frente.

O que os “anti-Lula” não entendem nem nunca irão entender é que nós preferíamos perder a eleição do que ver o Brasil tomado pelos cupins vorazes da direita rentista

Atualmente, a direita no mundo conseguiu o que parecia impossível, piorar o capitalismo. O capitalismo que pelo menos produzia e gerava empregos foi substituído pelo rentismo, pela especulação pura e simples, que só gera lucro sem dar nada em retorno à sociedade. Foi a ONU quem deu o alerta: “Estamos enfrentando um mundo de ‘lucros sem prosperidade’, onde o poder de mercado assimétrico é um fator que contribui fortemente para a desigualdade de renda”, disse o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi, em setembro. É essa gente que está conseguindo iludir os pobres sobre “meritocracia”, quando o que querem é apenas ganhar o poder para lucrar sem limites. E é essa gente que está condenando Lula, para continuar no poder e destruir nossos sonhos de nação.

É ou não é de chorar assistir isso impotente, sabendo que o povo pobre é quem mais vai sofrer, inclusive muitos dos que hoje apoiam a condenação do ex-presidente? O que os “anti-Lula” não entendem nem nunca irão entender é que nós preferíamos mil vezes perder a eleição do que ver o Brasil tomado pelos cupins vorazes da direita rentista. Porque a derrota aí seria mesmo nossa, e não do país.

 

 

 


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Wilson Luz PTRJ 1388 em 28/01/2018 - 20h16 comentou:

Por toda a vida e na vida de nós todos, tem os 2 lados, tem os que acham que somos bons e outros nos acham ruins. Uma coisa é certa “fazemos o que consideramos certo, acertamos e erramos”.
Um bilionário aos 18 anos não tinha nada, como nós. Na nossa idade ele é bilionário e nós não. Por que? As oportunidades e as nossas escolhas foram diferentes, ele é bilionário e nós não.
LULA aos 18 anos nada tinha, pobre, analfabeto, retirante do nordeste. Foi Presidente 2 vezes e nós não, emplacou Dilma 2 vezes, pagou a dívida do FMI, emprestou $15 bilhões ao FMI, pagou bilhões dos Bancos do Clube de Paris. Criou o Banco Soberano Brasileiro com $15 bilhões, criou as Reservas Internacionais de $375 bilhões, tirou 32 milhões de brasileiros da llinha da pobreza, elevou o salário mínimo de $45(FHC) para $300. O BRADESCO tem 108.000 funcionários, o Itaú 94.000 e ficaram P da vida com LULA. Na Venezuela o salário mínimo é $20= R$ 64,00. Veja um caixa de Banco na Venezuela ganha pouco acima de 64,00, no Brasil 954,00 nos Estados Unidos 5.700,00, na Alemanha 5.850,00, no Japão R$ 7.000,00. Multiplique por 108.000 do BRADECO, POR 94.000 do Itaú e entenderá as “Forças Ocultas” dito por Jânio Quadros, entenderá como é difícil fazer o que governantes USA, Alemanha e Japão … já fizeram: passar para quem produz as riquezas, para os trabalhadores, o fruto do que produzem.
Se a Lei permitir LULA ser candidato, ganhará e será o melhor Presidente do Brasil em todos os tempos. Em Setembro, que decidirá se ele pode ser candidato será o Advogado do PT: Ministro Dias Tofoli, colocado lá no STF por LULA. No mérito, quem julgará LULA é o STF e LULA tem 7 Ministros colocados lá por LULA e Dilma e … será absolvido por falta de Provas.
Wilson Luz PTRJ 1388

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    Mano Capone em 28/01/2018 - 21h57 comentou:

    Quem dera, amigo.

João Junior em 29/01/2018 - 19h10 comentou:

Entre os ideais liberais e os comunistas existe o Estado. Entre a ideologia e a prática, o Estado colocará entraves. O Estado é central na realização, ou na aproximação, do ideário contido numa e noutra ideologia. De um lado e de outro, capitalistas e comunistas se lançam ao Estado. Os capitalistas o querem mínimo, e os comunistas, máximo. É o resultado o que interessa nesse dualismo. E tudo porque o Estado tem a função de regular a vida do povo, ou das pessoas, entre ricos e pobres. O ricos querem um Estado menos regulador, mais ausente da economia e isso quer dizer, menos protetor. O Estado pode intervir na economia de tal modo a corrigir as distorções sociais, reduzindo a distância socioeconômica entre ricos e pobres. Um Estado mínimo é um Estado incapaz de interferir nesse problema, incapaz de dar proteção social. Um Estado máximo seria um Estado capaz de realizar todas as tarefas necessárias para assegurar o equilíbrio social, embora um Estado gigante seja um caminho fácil para o totalitarismo. Mas num e noutro, no Estado máximo e mínimo, é possível uma consolidação do Estado policial. O poder de polícia da República, sem dúvida, é um poder importante e necessário, mas não deve ser o único porque baseia-se na autoridade, levando até, veja só, o autoritarismo. Sem dúvida que é um problema para ser resolvido por um lado e outro, mas o Estado tem essa multiplicidade de possibilidades que vai do nazi-fascismo até o autoritarismo comunista da União Soviética. A melhor solução para o problema, pelo menos a melhor que conhecemos, é a democracia e a participação democrática dos cidadãos.

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    Sergio Souza em 02/02/2018 - 12h55 comentou:

    Problema aqui no Brasil são os extremos! Quando olhamos para aqueles que querem um estado mínimo, privatizam empresas dando imensas vantagens ao capital privado, em detrimento a interesses públicos. Ou quando olhamos aqueles que defendem um estado forte, recusam as privatizações, mas tomam as empresas públicas como quintais, inchando-as com aliados e correligionários, muitos sem competência alguma, e da mesma forma, em detrimento a interesses públicos.

    Precisamos de políticos, independentemente se direita ou de esquerda, mas que pensem o Brasil! Direita ou esquerda, nada disso levou nosso país à frente!

    “A melhor solução para o problema, pelo menos a melhor que conhecemos, é a democracia e a participação democrática dos cidadãos.”

Sergio Souza em 02/02/2018 - 12h50 comentou:

Não perdeu? Tira Lula da disputa. Quem são os nomes da esquerda capazes de serem eleitos? Qual é o nome forte da esquerda? Problema é que a esquerda apegou-se a idolatria ao Lula. Ou é Lula, ou é ninguém! Só Lula salva! Só Lula isso e aquilo! E aí está a consequência. Sem Lula, a esquerda se vê perdida! Que apareçam novos nomes na esquerda, porque Lula já era!

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Ana Carolina Caldas Vale em 29/10/2018 - 09h47 comentou:

Um país que, democraticamente, escolheu a Ditadura:Brasil! Não deu apenas respaldo ao pior que ainda virá, mas, de longe, é a nação q comete suicídio lento. Pois eu, Mulher e Lésbica, estarei no front! Luto diariamente para exercer minha homossexualidade com liberdade e naturalidade. Não vou hesitar diante de canhões, tanques nem soldados.

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