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Esta estrela é um símbolo de esquerda no mundo. Devemos ajudar a destruí-la ou a salvá-la?

Olhando as fotos do 6º Congresso do PT, que está acontecendo em Brasília até o dia 3 de junho, a gente se dá conta do quanto o partido envelheceu. Na mesa, um bando de senhorzinhos e senhorinhas. Na plateia, os cabelos grisalhos e as calvas são maioria. Qual o problema em um partido envelhecer?, dirão. […]

(Foto: Paulo Pinto/AGPT)
Cynara Menezes
02 de junho de 2017, 15h54
(Foto: Paulo Pinto/AGPT)

(Foto: Paulo Pinto/AGPT)

Olhando as fotos do 6º Congresso do PT, que está acontecendo em Brasília até o dia 3 de junho, a gente se dá conta do quanto o partido envelheceu. Na mesa, um bando de senhorzinhos e senhorinhas. Na plateia, os cabelos grisalhos e as calvas são maioria. Qual o problema em um partido envelhecer?, dirão. Nenhum, é importante que existam cabeças experientes, sábias, apontando os caminhos, os erros e os acertos. Mas também é importante que exista a energia da juventude. Todo partido tem de se renovar, ainda mais quando é de esquerda. Um partido de esquerda tem de se renovar sempre.

O PT tem 37 anos. Eu o acompanho desde a primeira tentativa de eleição de Lula, em 1989. Nunca fui filiada a nenhum partido. Mas vibrei, é claro, quando o PT chegou ao poder em 2002. Com todos os equívocos estratégicos que cometeu, continuo achando que é um partido e tanto, um caso único, quase um milagre num mundo cada vez mais reacionário. Olho para a estrela do PT e o que vejo é uma marca poderosa, inconfundível, um símbolo da esquerda no mundo, praticamente uma grife. Será que a esquerda como um todo se dá conta disso?

Me parece claro que existe um plano muito bem traçado pela direita nacional e gringa para destruir o PT, que infelizmente forneceu a corda com a qual pretendem enforcá-lo. O objetivo é fazer com que o Brasil imite os Estados Unidos e passe a ter apenas dois partidos com chances de chegar ao poder: um à direita e outro ainda mais à direita; um representante da direita rentista e outro da direita fascista. Neste cenário, a esquerda é só um elemento decorativo para compor o arremedo de “democracia” que vive a terra de Tio Sam. Todos que ameaçaram essa dicotomia acabaram assassinados.

Acho que uma parte da esquerda ainda não se deu conta disso, que sem um partido com reais condições de alcançar o poder, viramos só um bando de sonhadores fofinhos e inofensivos. Em minha opinião, é um pensamento suicida achar que fará bem à esquerda brasileira se o PT desaparecer. Isso é uma mentira, tanto quanto dizer que o PT só fez mal à esquerda. Com o PT, o pensamento de esquerda chegou às massas, coisa que nenhum outro partido conquistou até hoje. Tanto é que é justamente no distanciamento das massas que reside o principal problema das esquerdas atualmente, PT incluído.

(Plateia do 6 Congresso do PT em Brasília. Foto: Lula Marques)

(Plateia do VI Congresso do PT em Brasília. Foto: Lula Marques)

Apostar na destruição do PT é uma aposta burra porque agrada à direita, é exatamente o que ela quer. Não é à toa que a mídia abomina o PT, mas dá total espaço aos críticos do partido pela esquerda, porque sabe que é um lado que não oferece risco à elite e às classes dominantes. Eu penso o contrário, que mesmo sendo críticos do PT, os esquerdistas não deveriam apoiar seu desaparecimento, sobretudo porque seria um tiro no próprio pé.

Do que o PT precisa neste momento para voltar a ser um dos legítimos representantes da esquerda brasileira? Primeiro, voltar de fato para a esquerda, coisa que parece estar se conscientizando, ainda que tardiamente. Em segundo lugar, se renovar. Isso só vai acontecer com uma filiação em massa ao partido, para arejar, trazer ventos de juventude e modernidade. E para romper com o burocratismo e os capas-pretas que tomaram conta da estrutura partidária.

Não estou dizendo para a esquerda não-petista esquecer as absurdas concessões à direita feitas pelo PT para se manter no poder. Não estou dizendo para esquecer o quanto o partido deu as costas aos movimentos sociais nos últimos anos, preferindo se aliar à direita e ao capital. Estou apostando que o PT tenha aprendido a lição e que esteja ciente de que depende dos cidadãos de esquerda para subsistir agora que vive a pior crise de sua história. E estou apostando que a existência do partido faz bem à democracia. Até para ser contra o PT é preciso que ele exista. Prefiro fazer oposição a um partido de esquerda do que a dois de direita, oras.

PSOL, PCO, PSTU, PCB, PCdoB: todas as siglas de esquerda ganham com a sobrevivência do PT. Não desprezem o valor dessa estrela. Quem sabe um dia não se realizará o nosso desejo, dos cidadãos de esquerda, de que enfim vocês se reúnam numa frente ampla contra essa direita nefasta do Brasil?

 

 


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