Socialista Morena
Cultura

Eu, a lua cheia e uma experiência transformadora com ayahuasca

Teria o chá realmente efeitos terapêuticos sobre uma mente confusa? Sob a inspiração de William Burroughs, fui tirar a prova

Ilustra: CrisVector
Cynara Menezes
23 de julho de 2019, 11h22

– Gente, tive uma experiência com ayahuasca e música clássica…

O amigo veio sorrindo, quebrando a D.R. que já se arrastava por uma boa meia hora festa adentro. Eu estava em uma daquelas encruzilhadas existenciais em que a gente se mete a cada mudança de ciclo, ou não estaria ali discutindo relacionamento em vez de dançar. Desde o golpe contra Dilma Rousseff acho que todo mundo com quem convivo está meio fora de prumo, e para nós não foi diferente.

Meu amigo parecia realmente impressionado, impactado, e radiante.

– Foi incrível, eu voltei no tempo, minha vida passou todinha diante dos meus olhos… Me vi pequenino! Descobri coisas sobre mim mesmo que nunca tinham me ocorrido antes.

– Você tem compartilhado essas descobertas com alguém?

– Sim, com todo mundo que passa na minha frente!

Rimos os três.

***

Algumas luas depois, quando o beco onde me encontrava parecia ainda mais escuro e tortuoso, lembrei daquela viagem e veio o estalo de que poderia ser uma ajuda interessante. Eu havia lido sobre o uso terapêutico da ayahuasca, que sempre tive vontade de experimentar, mas fora de igrejas. Nunca fui uma pessoa religiosa, a não ser pela admiração por alguns santos católicos e pelos orixás. Me ligo mais nas forças da natureza, no acaso, na sincronicidade… E xamanismo tem a ver com isso.

Gosto da ideia de abrir “as portas da percepção”, como definiu Aldous Huxley citando Blake: "Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito"

Por outro lado, sinto um interesse intelectual profundo pelas drogas alucinógenas. Gosto da ideia de abrir “as portas da percepção”, como definiu Aldous Huxley no livro homônimo de 1954, a partir de um verso de William Blake de 1793: If the doors of perception were cleansed/ everything would appear to man as it is: infinite (“Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”). O escritor britânico narrava suas experiências com a mescalina, alucinógeno natural extraído do peiote, um cacto mexicano.

Original pintado à mão do poema de Blake que inspirou Huxley

Um ano antes de Huxley publicar o livro, o escritor William Burroughs estava fazendo um périplo pela Amazônia peruana e colombiana em busca da ayahuasca, ou yagé, como chamam em Putumayo, Colômbia. “Há outros nomes indígenas, como pilde, nepi, nateema (este último entre os jívaros caçadores de cabeça no Equador)”, descreveu Burroughs. No Brasil, a bebida acabou conhecida como “Daime” por conta do culto religioso que surgiu em torno dela.

Em Cartas do Yagé, o livro que aguçou minha curiosidade sobre a ayahuasca, o autor beatnik relata, em forma de correspondência com seu amigo poeta Allen Ginsberg, a experiência com o Banisteriopsis caapi, cipó que, junto com a chacrona, vai compor a beberagem utilizada ritualmente pelos incas há pelo menos 3.500 anos. “Yagé é uma viagem espacial no tempo”, definiu. Ginsberg seguiria seus passos em 1960 para a composição a quatro mãos do livro, e descreveria a própria experiência com a ayahuasca como um encontro com o divino, a quem ele chama de Great Being (o “grande ser”).

“O cipó dos espíritos” é o significado de ayahuasca em quéchua.

***

Mandei uma mensagem para meu amigo dizendo que estava interessada em fazer a viagem com ayahuasca e música clássica sobre a qual ele tinha comentado. Depois de algumas tratativas, descobri que a primeira etapa do ritual seria fazer uma entrevista com um dos terapeutas que monitoram o trabalho e cuidam para que todos estejam bem assistidos e em segurança. Pessoas com histórico de esquizofrenia, por exemplo, não podem participar.

Na hora marcada, chego para a entrevista e dois rapazes entram comigo na sala. Tiramos os sapatos, sentamos em almofadas e respondemos às perguntas da terapeuta, sentada no chão à nossa frente. Os três contamos o que nos levou ali, basicamente a mesma coisa: chegamos a uma situação-limite e buscamos respostas.

Descobri que a primeira etapa seria fazer uma entrevista com um dos terapeutas que monitoram o trabalho e cuidam para que todos estejam bem assistidos e em segurança. Pessoas com histórico de esquizofrenia não podem participar

A terapeuta, Luciana Vieira, pede que contemos se temos algum trauma e, enquanto os dois vão narrando suas histórias, lembro dos problemas  que tive com meu pai na infância e adolescência, e de como felizmente nos perdoamos um ao outro bem antes de ele morrer, quatro anos atrás. Na minha vez de falar, desabafo sobre o trauma, e choro.

Luciana nos conta que teve uma igreja do Santo Daime em sua casa durante 30 anos até passar a ter uma abordagem ainda espiritual, mas holística, em relação à planta, sob a inspiração do psiquiatra chileno Claudio Naranjo, falecido no último dia 12 de julho, aos 86 anos.

Naranjo foi um pioneiro da pesquisa científica sobre o uso de psicodélicos em terapia, e é autor do clássico The Healing Journey (A Viagem da Cura), de 1974, escrito após uma viagem à selva em busca da ayahuasca, como havia feito Burroughs anos antes. De volta a seu país, o psiquiatra utilizou a bebida em experiências com voluntários da cátedra de psiquiatria na Universidade do Chile.

***

Saímos de Brasília no mesmo carro, eu e mais três amigas, e chegamos ao sítio em São Gabriel (GO) onde, no final da tarde, aconteceria minha experiência com ayahuasca. Às 18 horas começaria o trabalho.

O lugar era bucólico: um pequeno lago, um refeitório com banheiro, e, mais abaixo, uma cabana ampla, sem paredes, onde colocamos nossos colchonetes e nos sentamos em círculo. Às seis em ponto o instrutor nos chamou para a primeira “toma”. Eu, como era uma das duas pessoas do grupo que nunca havia tomado ayahuasca, fui a primeira. Ele colocou num copo um dedinho do líquido arroxeado e viscoso que nem achei ruim, mas que as pessoas costumam achar horrendo, tanto que algumas maçãs cortadas ficam à disposição para tirar o gosto da boca.

Voltei para o meu colchonete, esperando que a coisa começasse a agir. Fomos instruídos a permanecer em silêncio durante todo o processo –também entre os indígenas peruanos e colombianos o ritual é silencioso. Nessa etapa, algumas pessoas cantaram alguns hinos religiosos do Daime e rezaram um Pai Nosso. Não participei, mas também não me incomodei com a mistura de budismo, catolicismo e umbanda. Parecia uma espécie de aquecimento para o que viria a seguir.

Foto: Cynara Menezes

Acredito que cochilei um pouco, e ainda não havia sentido nada diferente quando fui chamada para a segunda toma. Estava tranquila, relaxada, a luz da lua iluminava o lugar e a noite estava linda. Eu me sentia bem.

***

William Burroughs foi a primeira personalidade do mundo literário a falar da ayahuasca, sobre a qual tinha lido em uma revista barata de acontecimentos insólitos, tipo a brasileira Planeta, enquanto esperava o trem. Antes dele, até mesmo trabalhos científicos sobre o cipó eram raros. Os primeiros relatos de que se tem notícia sobre a bebida aparecem em textos de jesuítas do século 18, descrita como utilizada pelos indígenas em “feitiçaria” e “adivinhações”.

Ele colocou num copo um dedinho do líquido arroxeado e viscoso que nem achei ruim, mas que as pessoas costumam achar horrendo, tanto que algumas maçãs cortadas ficam à disposição para tirar o gosto da boca

“O yagé ou ayahuasca, tanto o cipó quanto as bebidas psicoativas feitas dele mais conhecidas agora, tinham sido descobertas pela ciência ocidental exatamente 100 anos antes, em 1851, pelo grande naturalista vitoriano Richard Spruce, cujas Notas de um Botânico na Amazônia e nos Andes (publicado em 1908), Burroughs conhecia”, conta o professor de Literatura Oliver Harris na introdução à edição norte-americana do livro do escritor beatnik, The Yage Letters Redux (2006).

“Após isso há poucos avanços científicos até o início dos anos 1920, quando o trabalho de botânicos e farmacologistas sul-americanos foi complementado por pesquisadores europeus, incluindo o alemão Louis Lewin, cuja obra clássica, Phantastica, Burroughs provavelmente leu em Harvard. Mas não houve nenhuma descoberta que tivesse capturado o olhar de um não-especialista por 30 anos, quando o herdeiro de Spruce, o ‘pai da etnobotânica’ e pioneiro da ‘etnopsicofarmacologia’, o lendário Richard Evans Schultes, observou que a ayahusca ‘permanecia sendo um dos menos compreendidos narcóticos do continente’.”

Uma coincidência une Naranjo e Burroughs: ambos tiveram contato pessoalmente com Schultes. Em sua jornada em busca do yagé, Burroughs cruzou com a expedição de Schultes dois meses depois de iniciar a viagem, num hotel em Mocoa, na Colômbia. É possível que seja o botânico o autor da foto em que o escritor aparece ao lado do cipó.

Burroughs entre cipós de ayahuasca na Colômbia, em 1953

Naranjo passeava pelo museu botânico da Universidade de Harvard, em 1962, quando viu uma exposição sobre narcóticos da América do Sul, e quis entrar em contato com o curador, que era ninguém mais ninguém menos que Schultes. Ele autorizou Naranjo a entrar em contato com seus coletores de plantas entre os índios Cofán, na Colômbia, e o jovem pesquisador partiu em uma viagem de canoa pelo rio Amazonas para pesquisar o yagé, cujos efeitos descreveu cientificamente, de forma pioneira, em The Healing Journey.

Schultes não sentiu muita coisa ao experimentar a ayahuasca. “É engraçado, Bill, tudo o que eu vi foram cores”, ele disse ao escritor. Burroughs passou muito mal, vomitando diversas vezes, a ponto de achar que estava tendo uma overdose; decidiu fugir da trip tomando cinco cápsulas de nembutal (barbitúrico antiespasmódico). Ginsberg também teve vômitos violentos. “Me senti como uma serpente vomitando o universo para fora”, descreveu o poeta. Naranjo confessou não ter sido “um desses que se sente amigo da ayahuasca, a quem a ayahuasca trata bem”.

Burroughs vomitou diversas vezes, a ponto de achar que estava tendo uma overdose; decidiu fugir da trip tomando cinco cápsulas de nembutal. Ginsberg também teve náuseas. "Me senti como uma serpente vomitando o universo para fora", descreveu o poeta

Todos os relatos que ouvi a respeito do cipó sempre mencionaram vômitos. Os terapeutas defendem que as limpezas são necessárias para abrir os canais da percepção, tanto que preferem descrevê-las como “purgas”. Eu não sentia nenhum medo de vomitar, tampouco de “não voltar da viagem”, temor frequente entre as pessoas com quem conversei a respeito da experiência de tomar o chá.

Na verdade eu não tinha medo algum.

***

Entre a segunda e a terceira “tomas” não lembro de ter sentido nada extraordinário além de coceira na cabeça e nos braços, e muitos bocejos, um atrás do outro. Eu bocejava tanto que levantei para sentar em torno da fogueira, e uma das moças que tinha ido comigo chegou a sair do lugar onde estava, à minha frente, aparentemente incomodada com os “uaaaaah!” cortando o silêncio. Eu bocejava sem parar quando fui chamada para a terceira dose.

Tanananan. Foi quando tocou a Quinta Sinfonia de Beethoven que eu comecei a alucinar. De olhos fechados, deitada no colchonete, entrei literalmente em outro mundo. Imagens geométricas apareciam diante dos meus olhos fechados, como se dançando ao som da música. Lembro de seres futurísticos, como de desenho animado, em outros mundos, vivendo suas vidas, tudo dentro da minha cabeça, em grande velocidade. É o que eles chamam de “miração”.

O curioso com a ayahuasca é que, ao contrário de outros alucinógenos, o efeito cessa ao abrir o olho. De olhos abertos, o teto da cabana me lembrava que o mundo real continuava lá, como se eu não tivesse tomado nada. Ao fechar os olhos, as alucinações voltavam. A viagem é toda para dentro. Só quando você levanta é que tem a sensação de estar bêbado, caminhando de forma trôpega.

De repente, senti uma dor de barriga forte e fui ao banheiro. Sentada na privada, evacuando líquido sem cessar, de repente meu pai, como na entrevista anterior à experiência, voltou a aparecer em minha mente. Senti uma enorme saudade do meu pai… E comecei a chorar copiosamente. As lágrimas dos bocejos viraram lágrimas reais.

A visão do meu pai me faz entender a angústia que sinto: o desequilíbrio financeiro que tenho enfrentado como jornalista independente me atormenta e tira noites de sono. Por um lado, eu escrevo o que quero e me sinto gratificada; por outro, ainda não consigo me manter direito. Apareceu na cabeça a imagem de meu velho com a calculadora na mão, cena que tantas vezes assistimos em nossa casa, contando, contando, contando… se o dinheiro ia dar até o final do mês. Foi como uma epifania para mim.

Ao contrário de outros alucinógenos, o efeito cessa ao abrir o olho. De olhos abertos, o teto da cabana me lembrava que o mundo real continuava lá. Ao fechar os olhos, as alucinações voltavam. A viagem é toda para dentro

Eu me sentia confortável dentro do banheiro, como se estivesse dentro de um casulo. Perto do teto, grudado na parede, um sapinho foi meu companheiro de viagem a noite inteira. Voltei outras três vezes ao banheiro e em todas elas fiquei muito tempo pensando, chorando e encontrando respostas. Olhei meu rosto no espelho e estranhamente meus olhos não estavam inchados de chorar, embora estivesse com a cara banhada em lágrimas. O cocô também não parecia cocô e o vômito não tinha gosto de vômito. Vomitei uma vez apenas, pura água.

Lembrei de vários amigos com dúvidas existenciais a quem pensei que a experiência poderia ser útil. Nomeei todos eles mentalmente. Senti vontade de ter um caderno em mãos para recordar de cada um.

Desenho de Ginsberg para o “Grande Ser”

Entendi perfeitamente os problemas da relação com meu amor… O emaranhado, a confusão mental, pareceram se desfazer com a ajuda da ayahuasca. O mais importante: o chá me despiu de toda a arrogância e me deixou pronta a olhar para os meus próprios erros. Em nenhum momento ela me apontou os erros alheios, apenas os meus. Entendi que só nós mesmos podemos admitir nossos próprios erros. Percebi o quanto meus ouvidos andaram surdos aos meus entes mais queridos, me dei conta da minha incapacidade de ouvir.

O choro cessou e fui invadida por uma onda de bem estar e alegria. Ainda deitada no colchonete, gargalhava com as lembranças que iam surgindo na cabeça, histórias com meu pai, com amigos, irmãos… Uma viagem prazerosa. Senti uma ternura gigante pelas mulheres que me levaram até aquele lugar. Beijei-as e agradeci.

Por volta da uma da manhã, o efeito do chá já tinha passado completamente. Tomamos um caldinho delicioso e fomos dormir. No dia seguinte, cedo, nos sentamos em roda e relatamos as experiências. Em quase todas elas, a presença forte do pai e a sensação de catarse, de limpeza, de depuração. De cura.

***

É possível que a ayahuasca tenha sido mesmo útil à minha psiquê como eu creio que foi?

O professor de psiquiatra Luís Fernando Tófoli, da Unicamp, tem coordenado estudos sobre o uso da bebida em casos de depressão grave (publicamos um artigo dele sobre o assunto há um ano). Pergunto a ele sobre os efeitos que a ayahuasca teve sobre mim, acalmando minha mente e desfazendo a confusão mental. “Tudo são hipóteses por enquanto, mas existe uma evidência de que os sintomas depressivos podem cair com a utilização do chá, comparado com placebo”, diz. “O que defendo é que a gente continue investigando.”

O efeito terapêutico é consequência dos fármacos contidos na ayahuasca em um contexto de autoconhecimento que pode levar à transcendência espiritual, mas depende da entrega e confiança de cada pessoa

Quanto à “purga”, que inclui, além do vômito e da evacuação, suor, saliva, lágrimas e até os bocejos que me acometeram, não se sabe completamente o que significa, em termos biológicos. Em termos neuronais, Tófoli explica, os psicodélicos induzem à produção de uma substância, o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, na sigla em inglês), que causa aumento das sinapses e está associado à melhora na depressão. “Há uma melhora imediata nos primeiros dias. No estudo de Ribeirão Preto, os sintomas voltavam após 15 dias. E as religiões ayahuasqueiras bebem de 15 em 15 dias…”, observou.

Enviei algumas perguntas para Luciana, a terapeuta que me entrevistou e que, ao lado do marido, Eduardo Bogéa, dirige os trabalhos no Centro Som do Despertar.

–  Senti na pele o efeito terapêutico da ayahuasca. Foi como se minha mente tivesse clareado… Por que isso acontece?
Luciana/Eduardo – Os fármacos contidos na ayahuasca aumentam a percepção e a sinestesia dos sentidos, aprofundando a compreensão da nossa vida, da nossa conduta, em meio às relações com o mundo. Também ocorrem confrontos consigo mesmo, com aquilo que não está bem em nossas vidas ou que não está saudável. Muitos acessam memórias antigas, incluindo traumas desde a infância. Por isso o contexto, a condução do trabalho, a confiança e o ambiente fazem toda diferença em dar espaço para que esses conteúdos se manifestem de forma sanadora e consciente. Então podemos completar que o efeito terapêutico é consequência dos fármacos em um contexto de autoconhecimento que pode levar à transcendência espiritual, mas depende da entrega e confiança de cada pessoa.

– A escolha da música clássica tem a ver com os efeitos do chá?
L/E – Aprendemos com Claudio Naranjo, mestre do Centro Som do Despertar, que alguns compositores fizeram a viagem interior. Foram Mestres do Ocidente. Podemos citar Bach, Beethoven e Brahms como alguns exemplos que fizeram da música formas de amor. Muitas músicas convidam ao aprofundamento, pois contêm elementos do drama humano da superação, sede de amor em meio ao sofrimento da vida, a felicidade, a fraternidade, a integração com a natureza e a cosmogênese. Então a imersão nessas músicas tem efeito de cura e transformação em muitos níveis, até onde cada um alcança. Algo sublime seria o contato com a alma do compositor ou aquilo que sua música transmite.

– Sobre mim, considero que o principal foi me fazer ter consciência dos meus erros. Tem a ver com algum efeito sobre o superego?
L/E – O efeito depende da necessidade de cada um. Em seu caso foi necessário tomar consciência, dar-se conta da voz interna do seu superego. Ao final, a ayahuasca nos ajuda a despir das nossas cascas e reaprender a ser simplesmente o que somos, nossa verdadeira natureza.

***

Quando voltei para casa após a terapia, senti que a viagem de ayahuasca tinha sido tão impactante que era uma daquelas coisas que você faz uma vez na vida. Não compreendia como tem gente que costuma tomar com frequência. Passados dois meses da experiência, confesso que sinto curiosidade de beber o chá novamente.

Como disse o xamã a Allen Ginsberg: “quanto mais profundo você mergulha na ayahuasca, mais profundo você vai. Visita a lua, vê os mortos, vê Deus…”

Como não desejar ir mais longe?

 


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(13) comentários Escrever comentário

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Márcia Godoy em 23/07/2019 - 12h10 comentou:

Tomei o Daime em 2015 e espaçadamente em 2016. Estava muito mal da depressão e como você fui tocada através dos traumas da infância que foram muitos. Tenho muita vontade de tomar o Daime fora da igreja que frequentei. Em doses menores e com outros grupos.

Responder

Paulo Bomfim em 23/07/2019 - 12h47 comentou:

O evidenciado é que todos nós somos o mais Puro Amor.

Responder

Ludwig em 23/07/2019 - 17h35 comentou:

Tanananan é a Quinta Sinfonia de Beethoven, não a Nona.

Responder

    Cynara Menezes em 23/07/2019 - 20h45 comentou:

    tem razão, corrigirei

JOSE M A FERRARI em 23/07/2019 - 20h30 comentou:

Cynara ,que profunda experiência , tomara que seja perene o resultado.
Fora do contexto:A propósito, pode mandar o CPF para depósito na CEF, pois para transferir de outro banco exigem o CPF do beneficiário.

Responder

    Cynara Menezes em 23/07/2019 - 20h44 comentou:

    obrigada! mandei os dados pro teu email

Bruno Rocha em 23/07/2019 - 22h06 comentou:

A Ayahuasca mostra “quem sou eu – de verdade – para mim mesmo”; sem ego.
É como se a gente fosse uma grande cebola, e o daime vai descascando camada por camada.
A partir do momento em que de fato reconhecemos o que somos, a ayahuasca nos ajuda a trabalhar (daí o nome “trabalho” dos rituais” a nós mesmos. Por isso o uso frequente foi e é muito importante ao menos pra mim.
Que bom que você também teve essa experiência!
A vida nunca mais será igual depois da ayahuasca.

Responder

Andréa Pedroni em 23/07/2019 - 23h24 comentou:

Cinara
Minha primeira experiência coma ayoaska foi muito parecida com a sua, as imagens, os pensamentos rápidas, o choro e depois as risadas. De início fechava o olho é via pajés, índios, caboclos e quando abria era os dirigentes vestidos de branco.
Fiquei maravilhada e queria contar a experiência para todo mundo. Mas com o tempo percebi que havia muito preconceito e acabei me segurando e falando apenas para quem estava preparado para ouvir.
Tem um templo que frequento, em um sítio, bem próximo a São Paulo, fica em Araçariguama. Chama-se Sol Lua. É bem antigo, tem 30 anos que funciona lá. Pode ser uma bom lugar para sua segunda experiência!
Adorei ler seu relato! Bjs

Responder

Das nuvens em 23/07/2019 - 23h35 comentou:

Bemvinda ao clube ! 😉

Responder

Jose J de Alencar em 25/07/2019 - 14h33 comentou:

Adorei o relato.
E também saber que foi uma experiência incrível pra você.
Tenho pra mim que as substâncias (essa também) são potencializadoras.
Irão refletir e altear nosso estado de espírito quanto mais houver entrega.
Por isso, precisamos de um ambiente seguro e coragem para a viagem.
Venho partilhando dessa experiência desde o milênio passado (rs).

Você É o que se faz crer. Se for.

Responder

A procura... em 26/07/2019 - 23h40 comentou:

Olá, Cinara
Adorei sua postagem esse tema chama minha atenção já tem alguns anos…
Aguardo ansiosa o momento em que minha experiência acontecerá…
Procuro resposta para perguntas que nem sei quais são, mas sei que elas existem e estão aqui aguardando o momento certo!
Caso queira escrever mais, vou adorar ler..
Abraços,

Responder

Fernando Molina em 31/07/2019 - 13h11 comentou:

Bela matéria, belas imagens, bela pesquisa .
Costumo frisar, para os que precisam se lembrar, que espiritualidade não necessariamente implica em religião. Não a religião que foi imposta ao mundo. O que vc experimentou em uma sessão talvez levasse anos – ou vidas – para se viver em um outro caminho.
Parabéns, Morena! E grato por compartilhar.

Responder

Dan Moche Schneider em 07/08/2019 - 17h42 comentou:

Cynara, grato pela deliciosa carona.

Responder

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