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Evo: “Assassinos de Che roubaram seu relógio e posaram como honrados”

O presidente da Bolívia criticou a tentativa da direita de transformar captores do guerrilheiro em heróis, mesmo que tenham cortado suas mãos e roubado pertences, como um relógio Rolex

Che e seu Rolex em 1964. Foto: Rodrigo Moya
Da Redação
09 de outubro de 2017, 23h39

O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou hoje a tentativa da direita de fazer de Che Guevara um pária e transformar seus captores em heróis, mesmo que eles tenham cortado as mãos do guerrilheiro e inclusive roubado seus pertences, como um relógio Rolex. Sim, Che, assim como Fidel Castro, tinha um Rolex, provavelmente um modelo GMT Master.

Reza a lenda que havia representantes da famosa marca na Havana de Fulgêncio Batista, e que, após a vitória da revolução, os relógios teriam sido “confiscados” e distribuídos entre a galera. Quando Che Guevara foi capturado, em 8 de outubro de 1967, levava um ou dois destes Rolex consigo, e os soldados bolivianos os roubaram.

Evo refaz a rota de Che. Foto: Enzo de Luca/ABI

Em uma das versões, o relógio (ou um dos relógios) é dado de presente pelos soldados bolivianos ao agente da CIA Félix Rodríguez, que até hoje se orgulha de tê-lo. Em outra versão, o capitão Gary Prado Salmon teria roubado os dois relógios de Che. A versão para limpar a barra que o próprio e a direita divulgam é que foi só “foi só um empréstimo” e que ele os devolveu depois à família do argentino.

Hoje, no twitter, durante a cerimônia para lembrar os 50 anos da morte de Che Guevara em Vallegrande, o presidente boliviano, que refez a rota do guerrilheiro, comentou a história do roubo do relógio. Foi em Vallegrande que o corpo de Che ficou escondido durante 30 anos até ser descoberto em 1997, enterrado numa vala comum.

“Depois de assassinar o Che, seus verdugos cortaram as suas mãos e roubaram seus pertences. Em seguida posaram como militares honrados”, disse Evo.

“Gary Prado disse em uma entrevista que quando o Che foi capturado ‘dava pena, com suas roupas rasgadas’, mas ficou com o relógio de Che”. Hoje ex-general, em 2013 ele foi acusado de envolvimento em um complô contra Evo Morales. Embora negue participação na morte do guerrilheiro, Salmon Prado teria sido, segundo Morales, o real mandante da execução.

“Não satisfeitos em torturá-lo, assassiná-lo e roubá-lo, mentiram ao dizer que morreu em combate. O Che venceu a mentira e derrotou a morte.”

No domingo, ao refazer o caminho de Che, Evo Morales criticou as recorrentes tentativas da direita de criminalizar as guerrilhas na América Latina e falsear a história.

“Ser guerrilheiro não é um delito, para enfrentar a invasão européia nossos antepassados se organizaram em guerrilhas e revoltas.”

 


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