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Cultura

Famílias amputadas

Publiquei o post abaixo em janeiro e estou republicando porque esta bela exposição está agora em Brasília no Museu Nacional, até 30 de setembro. *** O fotógrafo argentino Gustavo Germano tem se dedicado nos últimos anos a uma tarefa bela e melancólica: recriar, a partir de álbuns de família, velhas fotos de desaparecidos na ditadura […]

Cynara Menezes
22 de setembro de 2013, 10h54

Publiquei o post abaixo em janeiro e estou republicando porque esta bela exposição está agora em Brasília no Museu Nacional, até 30 de setembro.

***
O fotógrafo argentino Gustavo Germano tem se dedicado nos últimos anos a uma tarefa bela e melancólica: recriar, a partir de álbuns de família, velhas fotos de desaparecidos na ditadura militar ao lado dos pais e irmãos –antes e depois de sua ausência. São fotografias que impactam por condensar em imagens a dor dos familiares por seus entes queridos terem sido arrancados subitamente do convívio. Amputados. Está no olhar dos que ficaram a tristeza e a saudade. É uma ferida que não há como cicatrizar. Não dá para não perceber o rastro de sofrimento que deixou em cada um deles o “desaparecimento” destes jovens, na flor da idade. Parece que o sorriso das pessoas desapareceu junto…

Germano começou a recriar as cenas a partir de sua própria história: seu irmão, Eduardo, foi morto pela ditadura argentina aos 18 anos. Agora o fotógrafo expõe em Brasília as imagens que recriou com as famílias de desaparecidos brasileiros, colhidas em viagens por todo o País. São 12 pares de fotos, retratos em preto e branco e em cor de um período obscuro de nossa história. Imperdível.

Vão lá:

Exposição Ausências Brasil
Museu Nacional de Brasília Honestino Guimarães
Até o dia 30 de setembro, de terça a domingo das 9 às 18h30

(o fotógrafo Gustavo Germano e seus irmãos Guillermo, Diego e a ausência de Eduardo)

(a família de Fernando Santa Cruz e sua ausência)

(a ausência de Luiz Eurico Tejera Lisboa)

(a família de Bergson Gurjão Farias, ausente)


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(11) comentários Escrever comentário

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@daanlima_ em 24/01/2013 - 01h27 comentou:

Imagens fortes

Responder

mario cezar em 24/01/2013 - 15h56 comentou:

por esta e outras indagações; outras funduras é que venho aqui. até tua raiva é necessária. por isso o cinema argentino é mejor que o nuestro e maradona tambien

Responder

    Flaliman em 23/09/2013 - 17h32 comentou:

    Concordo que o cinema argentino seja melhor que o Brasileiro, mas Maradona? não chega aos pés de Pelé…

Pinheiro Neto em 26/01/2013 - 12h59 comentou:

Essas fotos sempre me emocionam. Nota-se a dor que a ausência causa nos que ficaram, como se o que tivesse sido tirado fosse um braço, ou outro órgão. Mesmo não estando lá, a dor fica.

Responder

Décio em 22/09/2013 - 16h29 comentou:

Imagine se fizessem algo semelhante na Rússia, em relação às vítimas do seu amado comunismo.

Responder

    Ricardo Gonçalves em 23/09/2013 - 14h41 comentou:

    Parafraseando o físico famoso: o espírito de porco humano é realmente infinito.

    Obrigado Cynara, realmente impactante. Quem sabe essa exposição não vem pra São Paulo.

    morenasol em 23/09/2013 - 22h24 comentou:

    ricardo, a exposição já esteve em sp, no arquivo público. foi quando eu dei o post pela primeira vez

    Bacellar em 23/09/2013 - 17h44 comentou:

    Obvio que tinha que aparecer um troll reaça!

    Estamos no Leste Europeu-Asia ou na AL?

Marcelo em 23/09/2013 - 15h59 comentou:

Belíssima e comovente homenagem.

Responder

Bacellar em 23/09/2013 - 17h41 comentou:

Belo trabalho mesmo do hermano Germano!

Responder

@AlfDesantos em 10/03/2015 - 13h37 comentou:

Poxa, eu chorei!

Responder

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