Socialista Morena
Feminismo, Politik

Feministas contra o cavalheirismo: é machismo benevolente. Ou não?

Simpático à causa feminista, aparente modelo de pai e marido, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viveu seu dia de “brucutu” há algumas semanas ao, por incrível que pareça, elogiar uma mulher. Na posse da nova procuradora-geral Kamala Harris, Obama não resistiu e soltou o galanteio: “É, de longe, a mais bela procuradora-geral”, disse. […]

Cynara Menezes
04 de junho de 2013, 15h08

(foto: Jonas Tucci)

Simpático à causa feminista, aparente modelo de pai e marido, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viveu seu dia de “brucutu” há algumas semanas ao, por incrível que pareça, elogiar uma mulher. Na posse da nova procuradora-geral Kamala Harris, Obama não resistiu e soltou o galanteio: “É, de longe, a mais bela procuradora-geral”, disse. Harris sorriu lisonjeada, mas o presidente foi pego no laço pelas feministas, que o acusaram de prejudicar a almejada igualdade dos gêneros no trabalho quando destacou um atributo físico da procuradora. Pasmem, senhores, mas o cavalheirismo está deixando de ser unanimidade.

Mais de 50 anos após o início do movimento de liberação feminina e do advento da pílula anticoncepcional, as feministas agora lutam pelo direito de não serem tratadas tão bem assim. Ou, pelo menos, não de uma forma particularmente dirigida ao gênero feminino, o que ocultaria, defendem, uma condição de superioridade de quem a pratica, o homem. Rejeitam o cavalheirismo como uma forma disfarçada, “benevolente”, de machismo, mas sem abrir mão da gentileza no trato. A diferença fundamental estaria em que o homem gentil é gentil com homens e mulheres, e o cavalheiro, apenas com as mulheres. Obama seria capaz de fazer a mesura se fosse um procurador bonitão? Eis a questão.

(a nova procuradora-geral e o presidente galanteador)

O termo machismo ou sexismo benevolente foi utilizado pela primeira vez em 1996, pela dupla de psicólogos norte-americanos Peter Glick e Susan Fiske, mas voltou à baila nos últimos anos a partir de novos estudos dedicados inteiramente ao tema surgidos em vários países. Em dois dos trabalhos mais conhecidos, a pesquisadora alemã Julia Becker, da Universidade de Marburg, e sua colega Janet Swim, da Universidade da Pensilvânia, tentam demonstrar como ações masculinas à primeira vista inofensivas, como abrir portas, carregar sacolas ou pagar a conta no restaurante podem esconder a noção subliminar de que a mulher é fraca e incapaz.

Obviamente a reação mais feroz partiu dos homens. Artigos com títulos como “As feministas querem matar o cavalheirismo” pipocaram na internet em diversos idiomas. Até mulheres apareceram fazendo o contraponto, apontando certo exagero na teoria. Em se tratando delas, porém, foi uma crítica conectada com o conservadorismo. O Fórum Independente de Mulheres dos EUA, um grupo anti-feminista, acusou o atual feminismo de ser “misógino” e de querer ridicularizar as mulheres. No Arizona, uma organização conservadora de universitárias chegou a organizar um campeonato de cavalheirismo entre os estudantes, com premiação e tudo. Peter Glick, o autor do estudo original, veio a público para esclarecer que o cavalheirismo não é sempre inapropriado, mas é preciso saber “não cruzar a linha”.

Mas qual é exatamente a linha a ser cruzada? Por que o outrora simpático cavalheirismo seria, no fundo, prejudicial às mulheres? No Brasil, uma das vozes que tem se destacado na oposição ferrenha ao cavalheirismo é a da psicanalista Regina Navarro Lins, autora de artigos em que desanca um suposto excesso de rapapés dos homens no momento de fazer a corte. No recente O cavalheirismo é nocivo às mulheres, Navarro Lins questiona: “Que tipo de homem deseja proteger uma mulher? Certamente não seria um que a vê como uma igual, que a encara como um par. Mas aquele que se sente superior a ela.”

Por proteger, entenda-se oferecer o braço ao cruzar a rua, por exemplo, ou puxar a cadeira para a pretendente em um restaurante.  “Jamais vai passar pela cabeça de um homem que não é machista a ideia de se levantar para puxar a cadeira para uma mulher. Isso não existe”, disse a psicanalista a CartaCapital. “Quem se levanta está ainda submetido a uma mentalidade que acha que a mulher é incapaz. Mesmo que seja inconsciente, está.”

Pode até soar absurdo para os homens, mas o discurso da psicanalista ecoa entre jovens mulheres interessadas em temas feministas. “O cavalheirismo é uma forma de submissão que o patriarcado machista encontrou mais eficaz do que o machismo literal a que a gente está acostumada. O sexismo benevolente é muito mais sutil e cotidiano”, dispara Bianca Andrade, estudante de Psicologia de 22 anos de Natal, Rio Grande do Norte. “Para que abrir uma porta que eu sou capaz de abrir sozinha? É um romantismo falso, relacionado à ideia de que a mulher necessita de um homem para sobreviver.”

“De que adianta ajudar com as compras, se não ajuda a lavar a louça? Abrir a porta mas não fazer a faxina?”, provoca a socióloga Tica Moreno, 29 anos, membro da Marcha Mundial de Mulheres, que alerta para a possibilidade, aventada pelas feministas, de que o cavalheiro seja o outro lado do agressor, assim como seria uma face disfarçada do machismo. “Ser cavalheiro não significa que o cara será gente boa, mesmo porque o cavalheirismo é no espaço público e a violência, no privado.”

A psicóloga alemã Julia Becker reforça a controversa ideia de que o cavalheiro, como o médico e o monstro, pode esconder com amabilidades um alterego tenebroso. “Homens que endossam o sexismo hostil também podem endossar o benevolente. Se uma mulher decide confrontar o machismo, ela provavelmente está sujeita a experimentar o hostil”, defende. Becker enumera outros insuspeitos efeitos adversos do cavalheirismo: prejudica a performance cognitiva feminina; faz a mulher esperar pelo príncipe encantado em vez de perseguir os próprios objetivos; aumenta a crença de que a sociedade é justa; desmotiva as mulheres a se engajarem em ações pela igualdade de gêneros.

“O principal problema do machismo benevolente é que as mulheres são tratadas como criaturas maravilhosas, mas também como incompetentes”, explica a psicóloga. Ela refuta com veemência as acusações de que o feminismo estaria matando o cavalheirismo. “Estes argumentos também são machistas. O romance sem cavalheirismo, que subordina às mulheres ao homem, pode levar a um relacionamento muito mais satisfatório”. Pergunto a Julia se seu marido não reclama de ela rejeitar ser tratada com cavalheirismo, e ela responde: “Atualmente meu marido fica em casa, cuidando das crianças, enquanto eu trabalho.”

Uma das questões que incomodam as feministas é o sexismo benevolente no ambiente de trabalho: aquelas ofertas, “beirando o assédio”, que os homens fazem para ajudar as colegas do sexo feminino (sobretudo as mais atraentes) em tarefas prosaicas, partindo de estereótipos como “elas não sabem lidar com computadores”. O problema, apontam, é que, se as mulheres recusam, são tidas como “frias”, por um lado, embora competentes por outro. Se aceitam a oferta, no entanto, são carimbadas como “afáveis”, porém ineptas. O mesmo não acontece quando é um homem a rejeitar o auxílio.

No cotidiano das relações amorosas, a ação cavalheiresca mais execrada pelas feministas é quando os parceiros sacam a carteira para pagar a conta do restaurante após um jantar romântico, em vez de rachar a despesa, como preferem. Oferecer-se para pagar a conta embutiria certa sensação de superioridade por parte do homem –e por trás da atitude aparentemente inocente de pagar a conta no restaurante estaria o fato incômodo e persistente de que as mulheres ganham menos do que os homens, inclusive quando ocupam as mesmas posições no trabalho.

“Já tive brigas enormes na hora que vem a conta. Para começar, o garçom entrega direto para o homem”, diz Carol Peters, 21 anos, estudante de Letras da USP e integrante do setorial de mulheres do PSOL. “Os homens não entendem porque é importante para a mulher pagar a conta. Se um dia eles pagam, tudo bem, mas quando a gente quer devolver a gentileza, não aceitam. Parece que isso mexe com a virilidade deles. Aliás, essa noção de virilidade, de que o homem tem que ser viril, não é positiva. Deve ser desconstruída também.” Opa.

Nos anos 1990, Camille Paglia comprou briga com o movimento feminista ao defender as diferenças entre os gêneros pronunciando frases como: “O sexo entre os dois sexos é bom porque as mulheres e os homens são diferentes. Nós queremos apenas direitos iguais na sociedade, não queremos que os homens sejam como as mulheres.” Hoje, em dia, porém, o discurso dominante é o da diluição das diferenças até um ponto que, como acredita Regina Navarro Lins, em 30 ou 40 anos toda a humanidade será bissexual. “Masculino e feminino não existem, isso está acabando”, defende. “Essa divisão foi forjada e aprisionou ambos os sexos.”

Os homens, é claro, não concordam nem um pouco. “A resposta a essa postura das mulheres é esse homem mais feminino, mais sensível, mais dependente, que não sei se está agradando por aí”, desdenha o jornalista e músico Marvio dos Anjos, 34 anos, que escreve sobre relacionamentos em um blog. “Há mulheres que acreditam tanto no feminismo que passam a psicanalisar todo e qualquer ato que o homem faça a seu respeito. E aí, tudo que se pretende carinho passa por agressão e dominação. É como dormir com o inimigo”, critica. “Não se pode hiper-racionalizar as relações, isso é negar a própria humanidade.”

(They say no, no, no…)

Cavalheiro assumido, “nota 9” na escala segundo ele próprio, do tipo que puxa a cadeira e abre a porta, o escritor Xico Sá, autor de Modos de Macho & Modinhas de Fêmea (Record), acha que pode, sim, existir um verniz de machismo disfarçado aí. “Mas ver como negativos os bons modos é pura paranóia delirante. Hoje em dia vejo os homens, principalmente os mais jovens, tratando as meninas como se fossem ‘manos’. Não tenho o direito de tratar bem uma mulher?”

Xico acha que, de fato, as meninas andam rejeitando o cavalheirismo e que o homem está meio perdido diante das reações delas. Já criaram confusão com ele, por exemplo, ao se antecipar para pagar a conta, mas diz que não vai mudar o estilo por causa disso. “Um cavalheiro convicto não abandona seus gestos, sob pena de sentir-se um tosco, grosseiro.” Pergunto se é gentil com os homens. “Também. O que muda é que no código do nosso faroeste masculino às vezes xingar o amigo com um palavrão, por exemplo, significa um ato de ternura.” E o que você faria se uma mulher dissesse “vai abrir a porta para sua mãe”? “Diria: ‘Perdão pelos bons modos, minha querida, passar bem'”.

“Não é preciso abrir porta para cortejar uma mulher. Não é isso que elas querem, não é o que estão buscando”, defende o escritor Alex Castro, do blog Papo de Homem, autor de vários textos onde condena o cavalheirismo e uma das raras vozes masculinas em favor da tese do “sexismo benevolente”. Segundo Alex, não dá para generalizar o que “as mulheres” querem. “É preciso descobrir o que a mulher que você deseja quer, isso sim”, defende, e diz que é ótimo que o homem esteja confuso. “Ao recusar o cavalheirismo, a mulher está negando uma narrativa milenar, de um grupo dominante. Para os homens, estar em dúvida é um excelente começo. É melhor do que ter certezas.”

Há um aspecto, no entanto, que homens e mulheres parecem ignorar neste debate e que vai além de feminismo e machismo, de gentilezas e cavalheirismos: e se abrir portas, puxar a cadeira e pagar a conta para uma “dama” for apenas algo datado, que se tornou simplesmente cafona?

(Reportagem originalmente publicada na revista CartaCapital)


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Thiago Fonseca em 04/06/2013 - 15h51 comentou:

eu prefiro a gentileza ao cavalheirismo e o cuidado à proteção. não é preciso ser cavalheiro com as mulheres ou protegê-las de nada. mas é preciso ser gentil e cuidadoso com elas. e com eles.

Responder

    San em 04/06/2013 - 20h52 comentou:

    Esse comentário encerra (ou deveria) o post.

Walter em 04/06/2013 - 16h29 comentou:

E você, Cynara, como reage frente a um ato de cavalheirismo explícito?

Responder

    Ane Brasil em 28/09/2013 - 15h54 comentou:

    Tá aí uma coisa que me ofende profundamente.
    Ao abrir a porta pra mim o sujeito amputa minhas mãos
    ao puxar a cadeira pra mim, me coloca no meu lugar;
    ao acender meu cigarro reafirma que o poder do fogo é dele.

Samuel Verona Moreti em 04/06/2013 - 16h34 comentou:

O cavalheirismo começou quando um homem precisava tratar as mulheres melhores do que outros homens para que elas se sentissem mais confortáveis na presença dele do que de outros.
Naquela época, sei lá quando é isso, as mulheres se sentiam felizes com os melhores tratamentos.
De lá pra cá, o cavalheirismo passou por transformações. Chegou a ser regra e até uma exigência.
Ou o cabra era um cavalheiro, ou ficaria a ver navios.
Hoje é uma decadência. Aliás, o mundo é uma decadência.
Inventam argumentos sobre tudo para que as relações piorem e percam a essência. Pura preguiça e falta de esforço fraternal.
Me sinto, como homem, chateado por ver desvalorizada uma qualidade que fazia de mim um diferencial: gentileza.
Falo aqui de um cara que cuidou quase que sozinho de dois filhos, dando mamadeira, trocando fralda, lavando e estendendo roupas… ao mesmo tempo tinha emprego, lutava pelo meu espaço por aí.
O resultado: meus filhos me adoram e minha ex-mulher espalha aos 4 cantos que eu não tenho um "emprego decente" ou uma "renda que me permita ser pai".
Dediquei meu tempo a eles e não à carreira, como inclusive as mulheres exigem do homem.
Homem sem dinheiro, por exemplo, é um fracassado.
Queria mais gentileza por parte das mulheres em entender tanta coisa.
Não vou deixar de ser gentil. Para cada palhaço há um público e sempre encontrarei alguém que não analise tão a fundo as relações, interesses, etc.
A superficialidade, nesse caso, me faria feliz.

Responder

    Cristina em 04/06/2013 - 17h50 comentou:

    Pois é, Samuel. Não apenas as mulheres são vítimas do sexismo e dos estereótipos. Os homens também. É isso que o feminismo deve buscar, a igualdade. Inclusive no direito dos homens cuidarem da casa e das crianças.

    marcelo em 22/08/2013 - 04h50 comentou:

    pois é. esse papo de cavalheiro eu nem ligo, porque sou gentil com todos ( e fico feliz quando uma mulher abre a porta pra mim ). e o que importa é o que a sua mulher espera de você.
    Agora, nesse ponto, somos iguais: cuidar de filhos, ficar com um emprego bosta… enfim, perante as mulheres, somos uns duros fracassados… isso é puro machismo…

    Fabiano em 23/08/2013 - 11h00 comentou:

    O pior Machista é uma Feminista!!!

    Helton em 07/09/2013 - 07h07 comentou:

    Voce entendeu tudo errado, brother, ser gentil não é ser cavalheiro!!

    Primeiro: O cavalheiro o qual as feministas são contra é aquele cara que trata bem a mocinha que ele quer levar para cama, mas não ta nem ai para as outras pessoas.
    Quer saber se vc é gentil ou cavalheiro? Pergute-se a si mesmo, vc faria aquele mesmo favor para um homem? se sim, meus parabens, vc é uma pessoa gentil. Se nao… vc esta sendo machista pelo tratamento diferenciado (para resumir, tem muito mais coisas por tras disso).

    Segundo: Se vc cuida quase que sozinho de dois filhos e é um bom pai, dedicou seu tempo a familia e nao a carreira, por escolha sua… e ainda sua ex-mulher reclama que de vc ganhar pouco. como diriam por ai na internet: "Moço, sua ex-mulher é machista!!"

    Recomendo que vc leia um pouco sobre feminismo… vc vai descobrir que nao liberta apenas as mulheres.

    Rodrigo em 18/12/2013 - 12h48 comentou:

    Tá certo! Esse post já tem quase 4 meses mas vou responder.

    Agora você não pode mais ser gentil, cavalheiro, querer fazer o melhor pela mulher que é taxado de machista. Então sou machista mesmo! Gosto de agradar, oferecer proteção, de fazer a mulher se sentir bem. Nunca encostei um dedo em uma mulher (exceto quando pediam…), faço o possível pra vê-la descansando ou fazendo algo que goste e deixe o trabalho comigo (digo, os trabalhos domésticos), não porque não acho que ela seja incapaz, e sim porque gosto de agradar. Graças a Alá ainda há mulheres que valorizam essas atitudes e se sentem bem em serem tratadas assim. O que essas feministas teóricas estão precisando vocês sabem bem o que é.

    E as ofendidas podem fazer fila e detonar a vontade, sou cidadão de um país livre e a CF me dá o direito de me expressar como quiser.

Carlos Magno Leite em 04/06/2013 - 16h36 comentou:

Quero só ver se o que essas feministas ai ia achar se um homem for tratar elas como trata outro homem.
Eu vou ser cavalheiro e gentil com minha namorada por exemplo não por que eu a acho inferior mas sim por que a amo e tenho muito carinho por ela e sempre vou tentar proteger ela mesmo sabendo que ela não precisa.

Responder

Aline em 04/06/2013 - 17h23 comentou:

Estou com o Thiago Fonseca, prefiro ver a coisa pelo viés da gentileza. Adoro que sejam gentis comigo, recebo de bom grado qualquer ato de gentileza, abrir porta, puxar cadeira, pagar conta, se trouxer flores, então, melhor ainda… Mas também adoro cuidar de quem eu amo. O sexismo benevolente para mim começa quando um cavalheiro não aceita receber gentilezas que ele pressupõe serem exclusividades suas. É muito gratificante poder pagar um almoço para um amigo querido, pagar uma viagem para o pai ou um pernoite no motel para o namorado. Por que não? Não se trata de medir capacidades ou poder econômico, mas de atender a um impulso natural, que é o de querer sempre fazer o melhor para quem a gente ama. O raciocínio vale deles para elas, mas também vale delas para eles.

Responder

Carlos Magno Leite em 04/06/2013 - 17h44 comentou:

Pera ai pra ver se eu entendi. Ao eu ser cavalheiro to sendo machista mesmo sem saber que eu to sendo????
Então se eu não sei que sou machista o que eu acho que to sendo???

Por que o ser humano sempre complica tanto coisas simples? Ficam buscando explicações complexas pra coisas simples por que ó meu Deus? como diria vovó ficam procurando cabelo em casca de ovo.

Tem mulher que fala que quer ser tratada como igual. Ai dizem que sonham em achar alguém que a façam se sentirem especial. ME DIZ COMO EU VOU FAZER SE SENTIR ESPECIAL TRATANDO IGUAL A TODO MUNDO??????????????????????????

Responder

    Valdemir em 10/08/2013 - 15h08 comentou:

    Isso mesmo tratar todo mundo igual, gentileza gera gentileza!!!
    O cuidado em demasia com a mulher estará impedindo sua autonomia e desvalorizando-a!!!

    Vitor em 25/08/2013 - 13h21 comentou:

    Experimenta rachar uma conta no primeiro jantar pra ver se você vai ver o segundo então…

Thiago Carrapatoso em 04/06/2013 - 17h48 comentou:

Genial o texto!

Mas tenho uma ressalva. Quando chegou a parte em que homens têm voz, vieram mais comentários machistas do que feministas. Essa seleção, por si só, já é machista e facilita a criação da cultura de que homem é e deve ser culpado, quando na verdade a luta é contra uma cultura.

Até a parte em que há uma generalização grande com "Os homens, é claro, não concordam nem um pouco." demonstra isso.

Sei que não é intencional, mas é que é algo a se pensar melhor. Demonizar o homem dessa forma é construir uma imagem de opressor, "viril", que nada tem a ver o movimento feminista ou com a quebra da sociedade patriarcal que vivemos.

Abraços,

Responder

nanapessoa em 04/06/2013 - 17h48 comentou:

Deixo aqui um texto curtinho, didático e bem-humorado da Aline Valek sobre o tema

Um verdadeiro changeman

Você conhece bem a história: um homem abre a porta para uma mulher e faz de tudo para que ela não precise mover uma palha sequer. Puxa a cadeira, acende o cigarro dela, paga a conta, não deixa ela andar pelo lado externo da calçada e há até os que fazem questão de fazer a declaração do imposto de renda para a moçoila!

Esse homem fica bastante chateado se disserem que essa gentileza seletiva (que ele dedica apenas a mulheres) está fora de moda. Esse homem acha que, se não for possível ser um gentleman nesse mundo, então só resta a ele a opção de ser um truculento sem educação que cospe no chão, peida na mesa de jantar e está pouco se importando se aquela pessoa carregando um monte de sacolas vai conseguir abrir a porta sozinha.

Há muito tempo, conheci um cara muito simpático que me ajudou a subir com as compras até meu apartamento. Impressionada com a disposição do sujeito, agradeci:

– Nossa, você é um gentleman.

– Não. Eu sou um changeman! – ele respondeu.

Achei que ele estava apenas tentando fazer um trocadilho ruim, até que ele fez a coreografia de transformação na minha frente. Naquele momento eu descobriria a diferença entre um gentleman e um changeman.

Um changeman não abre portas para uma dama indefesa. Ele abre para quem quer que esteja vindo atrás dele, seja uma senhora, seja o porteiro, seja uma criança de dois anos, seja um lutador de vale-tudo. Um changeman só não abre portas para monstros alienígenas gigantes.

Um changeman não é necessariamente um homem – estão aí a Change Phoenix e a Change Mermaid para mostrar que mulher também pode ser changeman e desempenhar feitos heróicos, como ceder lugar para os mais velhos no ônibus ou segurar a mochila de alguém que está em pé no corredor do coletivo.

Um changeman não estende seu casaco numa poça d’água para a sua dama passar, porque isso é idiota. Além do mais, quem ainda faz isso, meu deus?
"tá pesado isso, né? pode deixar que a gente ajuda a carregar"

“tá pesado isso, né? pode deixar que a gente ajuda a carregar”

Um changeman também não faz questão de pagar a conta do restaurante se a sua companheira também pode pagar. E, mesmo quando resolve pagar a conta, um changeman jamais pensa que a outra pessoa lhe deve qualquer coisa, muito menos sexo, por esse seu ato descompromissado de gentileza. Um changeman nunca espera algo em troca das coisas que faz pelas pessoas.

Um changeman lava a louça e não espera uma chuva de confetes por ter feito uma tarefa tão básica quanto limpar a própria bunda. Um changeman só espera os parabéns por salvar a humanidade destroçando um vilão maligno com sua bazuca; logo, lavar a louça não é nada demais para quem está acostumado a grandes feitos. Um changeman sabe que lavar a louça ou arrumar a casa não pode sequer ser considerada uma gentileza, é uma obrigação.

Aliás, um verdadeiro changeman vê cada ato de gentileza como uma obrigação. Ser gentil e ter empatia é o mínimo para qualquer ser humano decente. Para um integrante do Esquadrão Relâmpago, então, é indispensável. Um changeman sabe que não é ser gentil com todos que o torna especial; mas sim ter super poderes para combater o Senhor Bazoo. Ser gentil é o normal, o básico.

Um changeman não vê gênero na hora de ser gentil. Ele é gentil e pronto, pois isso faz parte de sua missão como defensor da Terra. Ao contrário de um gentleman, que só pode ser homem e só faz gentilezas com mulheres, um changeman pode ser homem ou mulher e não usa a gentileza para ser condescendente com ninguém. É por isso que um changeman tem um robô gigante e um gentleman não.

Simples, né?

Responder

Eduardo em 04/06/2013 - 17h56 comentou:

Tenho traços machistas sim, fui criado assim e tento melhorar todos os dias. Mas não vou deixar de fazer o que me faz feliz e agrada minha companheira porque algum grupo acha que isso indica submissão!
Pra ser mais direto uma relação a dois, independente de sexo/genero será sempre uma relação de poder, isso é natural, equilibrar esta balança é salutar, mas forçar a barra não é solução.
Uma das fministas diz aí no texto, ele cuida das crianças enquanto eu trabalho, ué e cuidar das crianças não é trabalho?

Responder

Sevilha Sueli em 04/06/2013 - 19h34 comentou:

Gentileza gera gentileza, Uma questão de educação apenas isso.

Responder

Fabi Risos em 04/06/2013 - 21h00 comentou:

Ta faltando louça na pia dessas mulheres…

Responder

ted tarantula em 05/06/2013 - 23h40 comentou:

esse dedão aí em cima é uma tentação..só precisava mesmo aparar a linda unha vermelha…

Responder

Ulysses em 06/06/2013 - 02h42 comentou:

Existem dois tipos de pessoas no mundo: os esquerdistas e as pessoas normais….

Responder

mineiro em 06/06/2013 - 21h33 comentou:

agora ser educado e tratar as pessoas bem , é machismo , manda essas feministas malditas para o raio que parta. tem coisas muitos piores para se preocupar , principalmente com a relaçao as mulheres como os assassinatos que muitas vem sofrendo , a violencia domestica que exorbitante e outras coisas mais que ai sim eu estou do lado delas. mas preocupar com machismo benevolente, vai procurar alguma coisa pra fazer bando de feministas que nao serve para nada. tem é que se preocupar com esses assuntos que eu citei e nao ficar preocupado com machismo benevolente. entao tem que tratar a mulher com falta de educaçao , bem que tem muitas que merecem , e com violencia. entao o espelho das mulheres tem que ser uma luana piovani da vida. tem a santa paciencia.

Responder

Casagrande em 08/06/2013 - 01h05 comentou:

Eu devo ser um ET … sou casado a quase 30 anos, nos dois sempre trabalhamos. Se eu não sou cavalheiro, tomo uma dura da patroa. A ordem da casa é que meu dinheiro é nosso e o dela é dela.
Lavo louça e só não cozinho porque temos filhas, e seria prejudicial a saude delas. Devo ser uma mistura de cavalheiro, machista inconsciente e banana … resumindo … um ET !!!

Responder

Ricardo B. em 12/06/2013 - 04h31 comentou:

Só espero que a ala radical do feminismo não queira nos impedir de paquerar as mulheres. Viva o direito de ser macho!

Responder

anacrig em 14/06/2013 - 19h36 comentou:

Cara Cynara, primeiramente, parabéns pelo blog! Virei seguidora assídua! Adorei o seu post, refleti bastante sobre o tema e, de tanto refletir, acabei escrevendo um post no meu blog embasado no seu. Aqui o link e, se tiver um tempinho, dê uma olhada e comente, adoraria saber a sua opinião! http://euusorugol.wordpress.com/

Responder

Fábio Rui em 15/06/2013 - 01h26 comentou:

Tá. Agora nós homens devemos agir assim: Dar uma porretada ou cajadada na cabeça da mulher e arrastá-la para a caverna??? E a lei Maria da Penha???

Responder

    hahahaha em 25/09/2013 - 16h26 comentou:

    para de se vitimizar

Gentil em 29/06/2013 - 20h27 comentou:

Pq a mulher naum pode ser gentil com o homem na hora de pagar a conta toda ?

Responder

Bode em 29/06/2013 - 20h30 comentou:

Você é um banana
Espero que o numero de homens iguais voce diminuam.

Responder

Gillian em 29/07/2013 - 18h28 comentou:

"Obama seria capaz de fazer a mesura se fosse um procurador bonitão? Eis a questão."

Pois é o que classifica como machismo

O termo machismo ou sexismo benevolente foi utilizado pela primeira vez em 1996, pela dupla de psicólogos norte-americanos Peter Glick

>>Tinha que ter homem no meio e demorou hein?Se um homem não lembrasse, elas tomariam a iniciativa? NÃO pq não é conveniente

Responder

Kleumar em 03/08/2013 - 11h48 comentou:

Ah bem, a pesquisa foi feita por uma mulher, se eu soubesse disso no início, nem teria lido.
Perca de tempo.

Responder

Vitor em 25/08/2013 - 13h27 comentou:

A maioria (50%+1) das mulheres é feminista até rachar a primeira conta. Tá, vou tomar um monte de negativos, mas só porque vocês sabem que é verdade, mesmo passando longe de generalizar… Mas tenham em mente que as feministas são minoria!

Responder

Juju em 11/09/2013 - 21h31 comentou:

Adoro um cara que puxa a cadeira pra mim , paga o almoço, e abre a porta do carro! Mas também adoro puxar a cadeira pra eles, abrir a porta, pagar alguma coisa, dar presente… sejam namorados ou amigos.
Concordo que machismo é quando o cara acha que ser tratado assim é ser rebaixado, pois é ser "tratado como mulher". Ou então em casos extremos em que o cara te trate como uma aleijada, ou queira resolver coisas pra você como se você frágil e feita de açúcar.

Responder

Erzulie Medusa Byron em 28/09/2013 - 03h07 comentou:

O problema do "sexismo benevolente" não é ser benevolente, é ser sexista. Sou a favor do homem pagar a conta do restaurante, abrir porta de carro, mandar flores, elogiar- desde que ele não chie quando sua parceira desejar fazer a mesma coisa. Nesse sentindo, o "cavalheirismo" (descontando a origem sexista da palavra), deveria de ser incentivado para todos indiferente de gênero. Até porque tirando a benevolência e a inteligência, o que sobra são peitos, bundas, barbas, biceps… e julgar uma pessoa por essas qualidades é machismo. O mundo seria maravilhoso se todas as pessoas fossem benevolentes ao invés de viris e violentas.

Responder

Erzulie Medusa Byron em 28/09/2013 - 03h09 comentou:

E cuidado com a heteronormatividade: Pessoas LGBT tb deveriam ser incluidas na discusão 😉

Responder

jaspion em 30/01/2014 - 15h12 comentou:

o povo daqui é demais burro!

gentileza = cavalheirismo

e de agora em diante eu não serei cavalheiro com mulher nenhuma! as feministas me ensinaram. Quando furar o pneu do carro de alguma mulher, ela que se vire sozinha nada de cavalheirismo! Afinal, homens são inúteis estúpidos e só servem para fazer guerra não é mesmo???
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20

___

Responder

Anônimo em 08/02/2014 - 00h31 comentou:

Fiquei com uma curiosidade. O que essas feministas radicais teriam a dizer sobre a frase: em uma mulher não se bate nem com uma flor. Porque isso é cavalheirismo puro.
Pessoalmente, acho essa frase abominável. Acho que tudo na vida é relativo, inclusive isso.

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Dom_Marcelo_1 em 09/02/2014 - 08h57 comentou:

TODO DIA 8 DE MARÇO HAVERÁ FEMINISTAS EM FRENTE A CATEDRAL DA SÉ COM FOTOS DO CAMARADA LÊNIN. DEVEMOS LEMBRAR DAS CINCO MULHERES QUE ELE MANDOU MATAR: A CZARINA E AS QUATRO GRÃ-DUQUEZAS. PARECE QUE AS FEMINISTAS NÃO SE LEMBRAM DISSO, AFINAL NÃO SÃO ELAS QUE DIZEM mexeu com uma, mexeu com todas.

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Urso Malvado em 10/02/2014 - 11h42 comentou:

Veja só… cavalheirismo, como fui educado para acreditar, não é somente dobrar-se em mesuras para pessoas do sexo oposto. cavalheirismo de verdade é demonstrar educação e respeito para com todas as pessoas… é abrir a porta para o sexo oposto? admito, é uma manifestação, mas não somente para os gêneros femininos; entretanto, é tb respeitar os mais velhos, proteger os infantes, é ceder passagem para outra pessoa, independente de gênero, idade, credo, orientação sexual… é tratar com respeito o subordinado, com altivez o superior hierárquico. é o fair play, nos esportes, nas relações de trabalho; no amor e na guerra. Em suma, praticar cavalheirismo somente em relação ao gêneros femininos (sim, são plurais) é, de fato, desconhecer o cavalheirismo… bem como é desconhecer a verdadeira natureza do cavalheirismo observar estas manifestações equivocadas e rotulá-las de cavalheirescas…

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Nivaldo Nicoliche em 16/10/2014 - 14h08 comentou:

Vemos o cavalheirismo nas discussões eleitorais deste segundo turno de 2014, Dilma não seria eleita para síndica segundo opositores e Aécio aparentemente chuta a "cachorra morta", segundo a imprensa coagida a ter que estar no caldo do refrão da mudança ou da velha aliança, dicotomia sui generis do meio jornalistico ao qual fazia parte o próprio Xico Sá citado na matéria e auto demitido por estar explicitamente apoiando Dilma Roussef, como diria Paulo Henrique Amorim "Olá, Boa Noite! Tudo bem?" – nem tudo, respondemos.

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Danilo Marques em 23/12/2014 - 21h26 comentou:

“NÃO SE FAZ MAIS HOMENS COMO ANTIGAMENTE”
As mulheres adoram dizer isso. Porém observo que elas inibem o homem de ser cavalheiro, com receio de que eles pensem que ela é incapaz.
Um cavalheiro não é machista, como pensam muitas mulheres. Um cavalheiro reconhece que a mulher pode tudo, aliás, pode mais que o homem em todos os sentidos.
Por esta razão, o cavalheiro devota à mulher a mais profunda devoção, e procura demonstrar isso sendo gentil.
Não recuse gentilezas, ainda que seja para você a mais boba gentileza. Aceitem, por favor.
Deixe seu amigo, namorado, esposo fazer o que está intrínseco. https://www.facebook.com/joaoseresteiro

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Adriano em 08/03/2015 - 23h32 comentou:

Engraçado mencionar a Regina Navarro Lins, a mesma que passou anos e anos escrevendo na coluna que tinha no Jornal do Brasil que o homem ocidental era machista, trepava mal, era dominador, insensível, etc, etc e louvando cega e sistematicamente uma suposta, imaginária e fantasiosa "cultura oriental" do homem feminista, proporcionador de mil orgasmos à parceira, sensível, compreensivo, etc, etc…em que parte mitológica do Oriente essa mulher viu esse tipo de homem???? Ela gostava de citar, certamente sem conhecimento de causa, a Índia, a China, o Tibete, etc, como terras onde esse homem maravilhoso existia… Levando-se em conta que o Oriente sempre foi, convencionalmente, a Ásia, repito: em que parte da Ásia essa "psicóloga" viu essa criatura masculina celestial?? Até hoje, de Israel ao Japão e da Rússia ao Ceilão, a Ásia inteira é ultra-machista! O comunismo em nada mudou o machismo dos russos, dos chineses ou dos coreanos, e, no resto da Ásia, também vigora o mais arraigado patriarcalismo do mundo! Então, é essa senhora que passou anos escrevendo inverdades, fantasias e asneiras em sua coluna no Jornal do Brasil (lembro-me bem porque eu lia essas baboseiras que ela escrevia e ficava perplexo de que o JB continuava deixando ela mentir descaradamente em sua páginas) que agora vem, lastreada por todos esses anos de absoluto e explícito desconhecimento das mais óbvias e básicas realidades sociais e culturais do nosso mundinho, agora se arvorar em fazer afirmações qualificadoras e/ou deslegitimadoras do comportamento social alheio??? Faça-me o favor, Cynara, arrume outra "autoridade" nacional em Psicologia para embasar os posts do teu blog, porque Regina Navarro Lins é queimação de filme! Ela não bota a cama na varanda nem na casa dela…

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kid bengala em 24/03/2015 - 01h58 comentou:

então ajudar as mulheres é machista e errado? já anotei aqui

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