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Ditadura? Governo de Israel quer proibir Al Jazeera de atuar em Jerusalém

Se fosse o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que estivesse proibindo uma emissora estrangeira de atuar no país iam chamá-lo mais uma vez de "ditador". Israel, ao contrário, se gaba de ser "a única democracia do Oriente Médio"

Funcionários da Al Jazeera protestam contra prisão de colegas no Egito em 2015
Da Redação
08 de agosto de 2017, 19h56

O ministro das Comunicações de Israel, Ayoub Kara, anunciou que irá fechar o escritório da rede de TV Al Jazeera em Jerusalém e cassar as credenciais dos 30 jornalistas que trabalham na emissora por “apoiar o terrorismo”. “Nos baseamos na decisão dos estados árabes sunitas de fechar todos os escritórios da Al Jazeera e proibir o trabalho deles”, disse Kara, numa entrevista coletiva que a televisão sediada no Qatar foi impedida de comparecer.

Segundo o ministro, o canal está sendo usado por grupos para “incitar” violência, uma acusação refutada pela Al Jazeera. A expectativa é de que o caso seja tratado na próxima sessão do parlamento israelense. “Vamos tentar acabar com isso o mais rápido possível. Liberdade de expressão não é liberdade para incitar e fomentar conflitos. Até a democracia tem seus limites.”

Ayoub Kara concretiza, assim, as repetidas ameaças do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu à televisão árabe, a última delas em 27 de julho passado. “Já apelei diversas vezes às autoridades legais pelo fechamento do escritório da Al Jazeera”, disse Netanyahu. “Se isso não acontecer por causa de interpretações legais, criarei as leis necessárias para remover a Al Jazeera de Israel.”

A emissora de maior audiência do mundo árabe está sendo perseguida pelos países alinhados com os Estados Unidos. Ela teve seu sinal bloqueado na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. O Egito já havia banido a emissora. Dois meses atrás, o governo ditatorial da Arábia Saudita condicionou o fim do embargo político e econômico do Qatar ao fechamento da emissora.

A emissora de maior audiência do mundo árabe está sendo perseguida pelos países alinhados com os EUA. Ela teve seu sinal bloqueado na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. O Egito já havia banido a Al Jazeera

Nesta segunda-feira, 7 de agosto, a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) criticou o governo de Israel por anunciar que fechará os escritórios emissora, considerando a decisão como uma “caça às bruxas”. “A decisão das autoridades israelenses de fechar os escritórios Al Jazeera em Jerusalém e retirar as credenciais dos seus jornalistas sob uma acusação geral de apoiar a violência é um ataque à liberdade de imprensa e à liberdade da informação”, declarou o presidente da IFJ, Philippe Leruth, em comunicado.

Segundo a IFJ, as autoridades israelenses podiam ter exercido o “direito a réplica” no caso de considerar que “alguma informação difundida pela Al Jazeera era errônea”. “Ao decidir não fazer isto e, por outro lado, se somar à campanha internacional contra a Al Jazeera, dão a impressão de que o que querem é silenciar uma voz que não os agrada, o que é contrário aos valores democráticos que representam”, acrescentou a Federação.

A IFJ destacou que o Sindicato de Jornalistas Palestino, filiado a eles, denunciou que a decisão de Israel é “uma grave violação da liberdade de expressão e do direito dos jornalistas a trabalhar”.

Marwan Bishara, um analista político da emissora, disse que a decisão do governo israelense mostra uma “sinergia entre ditaduras” no mundo árabe

A direção da Al Jazeera anunciou que continuará cobrindo os territórios palestinos ocupados por Israel “profissionalmente e acuradamente, de acordo com os padrões das agências internacionais”, segundo comunicado oficial. Os escritórios da emissora em Gaza e em Ramallah, na Cisjordânia, não serão afetados pela decisão israelense.

Marwan Bishara, um analista político da emissora, disse que a decisão do governo israelense mostra uma “sinergia entre ditaduras” no mundo árabe. Em um artigo no site da emissora, Mark LeVine, professor de História do Oriente Médio na Universidade da Califórnia, acusa Netanyahu de estar atacando a rede para desviar a atenção dos recentes escândalos de corrupção envolvendo seu governo.

Imaginem se fosse o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que estivesse proibindo uma emissora estrangeira de atuar no país. Iam chamá-lo pela enésima vez de “ditador”, como fizeram quando tirou do ar o sinal da CNN, em fevereiro. Israel, pelo contrário, se gaba de ser “a única democracia do Oriente Médio”. E ai de quem diga que não.

(Com informações da Agência Brasil)

 

 


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