Socialista Morena
Politik

Há um ano, aprisionaram a esperança para que o ódio chegasse ao poder

É preciso tirar Lula da prisão o quanto antes para salvaguardar o que nos resta de democracia. Mas como?

Lula nos braços do povo antes de sua prisão. Foto: Paulo Pinto
Cynara Menezes
07 de abril de 2019, 10h34

Neste domingo, 7 de abril, completa um ano que Luiz Inácio Lula da Silva, um dos políticos mais admiráveis do mundo, está encarcerado numa masmorra em Curitiba. Sozinho, tendo às vezes a companhia de algum amigo ou familiar a quem sua carcereira permite a entrada, e de seus advogados. Lula, o metalúrgico que se tornaria um presidente amado por seu povo e que projetaria o Brasil internacionalmente como nunca antes, está trancado há 365 dias numa cela fria, dormindo numa cama de solteiro, sem mulher, sem ninguém.

Como não se indignar com isso? Só sendo manipulado ou cúmplice dessa injustiça histórica. Era para Lula estar desfrutando, com todo merecimento, de seus anos na presidência. Deveria estar viajando por aí, fazendo palestras, sendo homenageado, atuando como o embaixador de nosso país que sempre foi, porque sente amor genuíno por esta terra. Há 40 anos Lula dedica sua vida ao Brasil. E o agradecimento que recebe é este, ser trancafiado como se fosse um bandido. Lula não é bandido e nunca será; digam o que digam, não vão apagar esta realidade.

Era para Lula estar viajando por aí, fazendo palestras, sendo homenageado, atuando como o embaixador de nosso país como sempre foi, porque sente amor genuíno por esta terra

Disseram que prendiam Lula para acabar com a corrupção no Brasil, mas os laranjais continuam aí. Em que o país melhorou com a condenação dele? Um bando de fanáticos religiosos e militares saudosistas de 1964 chegou ao poder sem nenhum projeto de nação a não ser oprimir minorias e movimentos sociais, retirar direitos dos trabalhadores e aposentados, promover lavagem cerebral no povo, favorecer a indústria de armas e tentar destruir a esquerda como um todo.

O juiz que o condenou faz agora parte do governo do maior beneficiado com sua prisão. Em qualquer parte do mundo isso seria um escândalo e um impedimento ético e legal: como pode um juiz que colocou na cadeia o favorito nas pesquisas se tornar ministro daquele que venceu a eleição? Um ano depois da prisão de Lula, as coisas se delinearam claramente diante de nossos olhos. A Lava-Jato não era apenas uma operação para perseguir o PT, mas um projeto de poder. Era preciso aprisionar a esperança para que o ódio vencesse.

Pensei em Lula muitas vezes neste ano que passou. No começo, nem conseguia dormir tamanha a angústia de imaginá-lo lá, sozinho. Creio que muita gente sente como eu, como se Lula fosse um parente querido, agora já idoso, sobrevivente de um câncer, alguém que precisa de cuidado, de carinho. É terrível pensar que enquanto estamos tomando uma cerveja no boteco, encontrando com amigos, ele está na prisão. Porra! Como é que podem fazer isso a Lula, pelo amor de Deus? O Lula!

Há 40 anos Lula dedica sua vida ao Brasil. E o agradecimento que recebe é este, ser trancafiado como se fosse um bandido. Lula não é bandido e nunca será; digam o que digam, não vão apagar esta realidade

As folhinhas do calendário foram sendo arrancadas uma a uma, e ninguém se mostrou capaz de tirá-lo daquela cela. O Supremo, acovardado, mesmo ciente de que sua prisão sem trânsito em julgado é inconstitucional, se curva aos algozes de Lula e inventa manobras para adiar a decisão sobre a prisão em segunda instância. Já se falou inclusive em chantagem a ministros. Como sabem que é impossível domar a incrível fera política que é Lula, pretendem mantê-lo enjaulado, se possível até a morte.

Não existe possibilidade de o Brasil sair do atoleiro em que se encontra sem primeiro tirar Lula da prisão, porque ela é uma peça fundamental da engrenagem que está levando nosso país de volta ao regime de exceção. A manobra da extrema-direita para chegar ao poder utilizou o encarceramento do ex-presidente como fio condutor; sem Lula preso, ela não funcionaria. Nossa imprensa, que agora reclama de Bolsonaro, participou ativamente de todo o processo, incitando o ódio a Lula e promovendo a herói o juiz despreparado que o condenou. Chocaram o ovo da serpente.

Se Lula morrer na cadeia, o Brasil afundará ainda mais no obscurantismo. Se o suicídio de Getúlio Vargas adiou o golpe militar em dez anos, a morte de Lula terá efeito contrário. É preciso tirá-lo da prisão o quanto antes para salvaguardar o que nos resta de democracia.

Mas como?

 

 


Apoie o site

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito

Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta Corrente: 23023-7
(2) comentários Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Ângela Valério Horta de Siqueira em 08/04/2019 - 21h51 comentou:

Como Lula preso, todo o povo brasileiro refém de uma quadrilha golpista, agravando a cada dia sua situação de violência, desamparo e desesperança.
Que juiz condenará os responsáveis pela barbárie a que estamos submetidos?

Responder

Pedro Gabriel Portugal Junior em 10/04/2019 - 11h42 comentou:

Mais um ótimo artigo Cynara. Parabéns. Sou seu fã.

Responder

Deixe uma resposta

 


Mais publicações

Politik

Vocês trouxeram os gorilas de volta pelo voto e minha decepção é imensa


Terei que ser eu a falsa a partir de agora e esconder de vocês meu desprezo por quem é capaz de votar num defensor de tortura?

Direitos Humanos

É proibido proibir: STF diz que ações policiais nas universidades são inconstitucionais


Por unanimidade, Supremo decidiu que liberdade de expressão no ambiente acadêmico não pode ser restringida