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Hector Babenco (1946-2016): “Sou mais o cinema brasileiro, com suas imperfeições, do que o argentino, com seu aburguesamento”

Em homenagem ao grande cineasta argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco, falecido hoje aos 70 anos, republico a íntegra da entrevista que saiu menor, editada, na revista VIP em 2007, na época do lançamento de seu filme O Passado, com Gael García Bernal como protagonista. Eu tinha um trauma de haver falado com Babeco ao telefone […]

Cynara Menezes
14 de julho de 2016, 11h17
ironweed

(Hector Babenco com Meryl Streep no set de Ironweed em 1987)

Em homenagem ao grande cineasta argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco, falecido hoje aos 70 anos, republico a íntegra da entrevista que saiu menor, editada, na revista VIP em 2007, na época do lançamento de seu filme O Passado, com Gael García Bernal como protagonista. Eu tinha um trauma de haver falado com Babeco ao telefone certa vez e ele havia sido superantipático… Mas como para mim a primeira impressão NÃO É a que fica, quando o conheci pessoalmente fui de coração aberto e aconteceu o contrário: ele foi muito simpático e a conversa, no sofá de sua casa em São Paulo, absolutamente agradável.

Hector Babenco era um sobrevivente. Enfrentara um câncer linfático no início da década de 1990, do qual se salvara graças a um transplante de medula, doada por um irmão com quem pouco tinha contato, mas não gostava de falar da doença –só mencionou o assunto para mim após a entrevista. Em seu último filme, Meu Amigo Hindu (2015), aborda o câncer de forma autobiográfica. Internado para tratar de uma sinusite, Babenco teve uma parada cardíaca na noite de quarta-feira 13. Entre seus filmes mais famosos estão Lucio Flavio, O Passageiro da Agonia (1977), Pixote (1982), O Beijo da Mulher Aranha (de 1985, pelo qual foi indicado ao Oscar de diretor), Ironweed (com Meryl Strepp e Jack Nicholson, de 1987) e Carandiru (2003, indicado à Palma de Ouro no festival de Cannes).

Entre as surpresas da entrevista, o fato de Babenco entender perfeitamente as nuances do cinema brasileiro, destoando dos que endeusam o cinema argentino. Para ele, o endeusamento do cinema do seu país natal em detrimento do nosso é uma questão de classe. “O cinema brasileiro de fato tem dado mais espaço a uma dramaturgia alimentada pelos excluídos, pelas desigualdades sociais. Já as tragédias argentinas são dramas de classe média: a vovó que não morre e não deixa a casa que tem que ser dividida pelos filhos, o filho cujo pai está com câncer e não sabe o que fazer… Como o público brasileiro também é de classe média, acha que o cinema daqui teria que ser como o de lá. Sou mais o cinema brasileiro, com suas imperfeições, do que o argentino, com seu aburguesamento.”

Leia a entrevista. E reveja os filmes de Hector Babenco, todos excelentes.

***

Você acha as mulheres todas neuróticas, ou pelo menos as ex, como aparece no filme O Passado?
Eu disse outro dia uma mentira cavalar para uma platéia de mulheres jornalistas: que poderia ser o contrário, que o homem poderia ter se transformado num perseguidor da ex e de suas novas relações, atrapalhando a vida dela. Mas é menos plausível do que uma mulher fazer isso… Agora, todos somos neuróticos. Todos temos um sentimento de posse que se confunde muito com amor. Todos padecemos de não querer que alguém tasque aquilo que é ou foi nosso. E eu me incluo nisso, não me coloco como uma exceção nem como um caga-regras.

Já teve alguma ex te perseguindo ou perseguiu alguma ex?
Já persegui uma ex. Não de sair de casa e ficar esperando a hora que ela sai do apartamento, persegui dentro de mim. É natural você querer reconstruir um amor perdido. Se é uma relação que ainda tem um sabor, um cheiro, é natural ter saudade da outra pessoa. O quanto isso vai interferir na sua nova relação não se sabe. O amor é tão esquisito, menina…

E esse sentimento passou logo?
Não, ele fica. Assume novos disfarces, personificações, vira outra coisa, mas está lá. E para ele só Prozac.

Tem uma frase em seu filme Coração Iluminado (1996) que tem a ver com esse novo: os homens se apaixonam pelas mulheres loucas mas se casam com as outras. É verdade?
Sempre procurei mulheres loucas. Sempre achei que a loucura era o atributo máximo da fêmea, da feminilidade, da sexualidade, da turbulência, do tesão. Nunca vi a mulher como uma figura frágil, doméstica, uma pessoa encantadora porém tênue, misteriosa e delicada. Meu primeiro amor foi essa louca de Coração… Eu tinha 16 anos, ela 20 e poucos e era esquizofrênica. Foi com quem tive minha primeira experiência de homem-mulher e aquilo fica como um padrão. Quase um DNA na tua pele.

Você acha as loucas mais interessantes?
A loucura é altamente poética. Agora, conviver com ela pode ser uma tragédia.

Por outro lado, acha os homens fracos? Porque o protagonista (Gael) é um bolha!
É como se você dissesse a mim que sou um bolha! Só contei a história porque me identifiquei demais com ele… A figura masculina estruturada, que sabe o que quer, tem bíceps, toma Gatorade e trata a mulher como uma motocicleta, não sou esse homem. Não sei tratar uma mulher desse jeito. Não saberia, nem que ela me peça. Não me excita, me dá medo. Tenho vergonha. Então pra mim o Gael percorre um caminho em que é passivamente usado pelas mulheres, mas também as usa.

Há uma melancolia bem pouco brasileira em O Passado. É seu filme mais argentino?
Não. Acho Coração Iluminado mais. É um filme que pode acontecer com qualquer pessoa que tenha uma masculinidade delicada e não exacerbada, de academia. As situações que acontecem o desconstroem, de alguma forma o fragilizam, porque ele é vulnerável, delicado. Mas não acho que devamos rotular o filme como melancólico, triste. Detesto adjetivos. Os adjetivos são a forma mais fácil e mais burra de não saber o que dizer e dar uma opinião.

Você escolheu filmar em Buenos Aires por alguma razão?
A história se passa lá e o autor (Alan Pauls) é argentino, mas eu ia filmá-la em São Paulo. E você iria fazer a mesma pergunta: ah, essa história só podia se passar em São Paulo! Claro, seria muito difícil em Salvador, no Piauí, porque a etnia, a temperatura, os códigos das relações são muito diversos. Mas em São Paulo tranqüilamente. Só não fiz porque o Rodrigo Santoro, que ia fazer o papel, tinha um compromisso com esse seriado nos Estados Unidos (Lost). Me ocorreu que o Gael poderia ser interessante e não podia fazer o filme com ele no Brasil, em português. Seria um pastiche, um engodo.

Você sempre manteve essa relação com a literatura argentina: Manuel Puig (O Beijo da Mulher Aranha), Ricardo Piglia (Coração…) e agora Pauls…
É que minha formação é de cinema europeu com leitura. Fui ver TV muito tarde, com 14 anos, e nessa altura já estava fascinado pelo cinema e pela literatura. O vídeo-game e a computação chegaram mais tarde ainda e sempre agi com uma certa preguiça, um certo desdém, não me pega. Aos poucos fui me rendendo. Em nível de comunicação, de informação, a internet é rápida, importante. Mas em nível de conteúdo é zero. Não há nenhum conteúdo que me interesse sendo transmitido por via digital.

E pela televisão?
Vejo muito pouco, tem meses que não vejo. Não gosto de ver filmes em vídeo… Acho que ver muito filme deseduca.

Não vai ao cinema?
De vez em quando. Vou ver os nacionais, para acompanhar o que meus colegas fazem. E tenho tido surpresas fantásticas. Pra falar a verdade, hoje tô mais interessado pelo cinema brasileiro do que pelo norte-americano.

Agora se começou a dizer, cada vez que sai um bom filme brasileiro: “Até parece argentino”… Eles filmam melhor?
Quem vai ao cinema no Brasil são as pessoas que podem pagar 16, 20 reais, são de classe média. E o cinema brasileiro de fato tem dado mais espaço a uma dramaturgia alimentada pelos excluídos, pelas desigualdades sociais, por essa mentira em que o país se transformou, essa lepra, como diz o Jabor. Já as tragédias argentinas são dramas de classe média: a vovó que não morre e não deixa a casa que tem que ser dividida pelos filhos, o filho cujo pai está com câncer e não sabe o que fazer… Como o público brasileiro também é de classe média, acha que o cinema daqui teria que ser como o de lá. Sou mais o cinema brasileiro, com suas imperfeições, do que o argentino com seu aburguesamento.

Às vezes dá a impressão que eles amarram as histórias melhor.
É verdade, eles têm uma carpintaria, um ofício maior, porque são mais organizados. Herdaram um modelo narrativo e comportamental muito inglês ou muito italiano do norte, onde o rigor, a disciplina, a ordem, fazem parte do planejamento. O brasileiro não teve essa formação cultural e seu produto final padece de imperfeições porque nós o estamos comparando com modelos já arquetípicos que temos dentro de nós sobre o que é bom e o que é menos bom. Sei lá, às vezes acho mais beleza no que é feio do que naquilo que é óbvio. Mas sou um louquinho…

Uma vez o Quino, criador da Mafalda, me disse que os argentinos, como os portugueses, têm uma tristeza que vêm do tango e do fado, e que nós, brasileiros, somos naturalmente alegres. Você concorda?
Claro, somos África! É só você ver qualquer tribo africana: em seus rituais, a expressão corporal, a alegria, a joie de vivre, a sensualidade, ocupam um lugar primordial. Os argentinos acham a alegria brasileira vil, ignóbil, moeda fraca, coisa de negritos, de macacos… E nós, através dos burgueses que gostam dos filmes argentinos, admiramos como são bem vestidos os atores argentinos, como os penteados são bons, como falam corretamente o que têm de dizer, como sofrem higienicamente… Sou muito mais a bagunça brasileira do que o Kleenex argentino.

Bom, a felicidade é muito malvista intelectualmente, de maneira geral.
Quando eu falava de Brasil, meus amigos argentinos mais intelectuais achavam que a alegria, o prazer, a irresponsabilidade, a espontaneidade, eram uma coisa inferior. Superior era quem sofria mais. Quem sofria mais era mais verdadeiro, mais autêntico, levava as coisas mais a sério, era uma pessoa superior. Todos nós queríamos sofrer muito porque isso nos fazia pessoas melhores. Graças a Deus vim pro Brasil e peguei minha primeira gonorréia com uma mulata, aos 17 anos… Uma mulata linda que encontrei na rua Bela Cintra. Sempre digo: a primeira gonorréia a gente nunca esquece!

Hoje até se diz que as pessoas estão com saudades da gonorréia, porque tem tantas doenças piores…
Pois é, a gonorréia é uma piada, você comprava um antibiótico, um tetrex da vida e já ficava bom.

Por conta dessa alegria brasileira, você acha que a tristeza no cinema ficou restrita a quando se mostram problemas sociais e não nas relações humanas?
Há uma carência no Brasil de um cinema de relações de classe média, mas acho que isso não existe porque esse espaço é ocupado pela televisão. Pra que vou fazer filmes pra competir com a TV? Se você faz um filme sobre os dramas de classe média, o cara tem isso de graça na televisão! Me perguntam: por que você não trabalha com o José Wilker, com o Antonio Fagundes? Porque a assistência tem eles de graça na TV. Ninguém sai de casa para ver um filme do Fagundes. Ele está, há 15 anos, sete meses por ano na TV, de graça, todos os dias! Meu público tem que sair de casa, pegar o carro, passar pela linha vermelha, enfrentar tiroteio, cruzar com um maluco que passa bêbado, parar num shopping, pagar o estacionamento… Vai gastar 60 reais. Esse público não vai sair de casa pra ver filme com nenhum ator importante brasileiro. Ponto.

Você fez TV?
Fiz para a Globo o seriado Carandiru – Outras Histórias, que gosto muito, tanto quanto do filme ou mais. E estou estudando uma nova série para eles, como criador e produtor. Talvez dirija algum episódio.

Você já está há mais de 30 anos fazendo filmes. Está mais fácil hoje?
Está pior. Muito mais difícil, a captação é difícil e o mercado internacional, que é de onde a gente podia tirar, inexiste. Não querem filmes em espanhol, por que iam querer em português? E o mercado brasileiro não paga o filme. Sou um profissional que vive muito bem porque trabalhei no mercado internacional, fiz dois grandes filmes lá fora (Ironweed e Brincando nos Campos do Senhor) e fui pago,é por isso. Se só tivesse vivido dos meus filmes brasileiros estaria, como morei sempre, num apartamento de três quartos e sala, não poderia pretender nada mais do que isso.

A impressão que dá é que está melhor, com tanta gente filmando…
Muitos pequenos dinheiros estão sendo dados pelas entidades que patrocinam, mas há muitos filmes que não se conseguem terminar.

O caminho das co-produções é uma saída?
Foi a que encontrei. Se não tivesse esses sócios argentinos, que não foi pelo viés “ah, ta difícil”, mas porque o filme tinha que ser feito aqui e lá, teria demorado mais um ou dois anos para captar. Porque a rigor se o filme custou dois palitos, um palito é argentino e outro brasileiro. Então teria que ter batalhado o dobro. Acho um pouco ingrato ter dedicado 35 anos de vida profissional ao Brasil e na hora de ir a um concurso para tentar dar um tapa num dinheiro, o projeto ser considerado absolutamente igual ao de um rapaz de 22 anos, talentosíssimo eventualmente, mas que acabou de sair de uma faculdade. Cair na mesma vala comum, não me parece muito legal.

Agora que você terminou esse filme já fica pensando no próximo?
Até não estrear, não consigo. Tenho idéias, imagens soltas, mas espero desovar um filme antes de pensar em outro, senão acho traição. Não dá pra ter duas mulheres e amar as duas com o mesmo carinho. Quer dizer: que dá, dá, mas é uma porcaria.

Filmar no exterior ainda te anima?
Sim, se for um bom projeto, nunca medi onde filmar. Vou ser argentino-brasileiro ou brasileiro-argentino até a morte, o que não me interessa é morar em outro país. Mas poderia filmar em qualquer lugar. Tem um projeto que estou estudando que adoraria que saísse, na Irlanda.

Pensei mais na carreira americana. Te interessa ainda?
Não, já tive e não me fisgaram. Não tenho nenhum interesse em estar disputando roteiro com mais 44 diretores e com uma cadeia de produtores me dizendo o que eles acham, quando são pessoas que saíram de Business School… No way, no fucking way.

E olha que você foi bem tratado…
Eu? Eu fui um príncipe. Fiz dois filmes totalmente autorais, fora do sistema, não eram filmes de estúdio. O Jack Nicholson (em Ironweed) todo dia me pegava pela mão e dizia: “Any problem? Let me know”. Então eu sabia que podia fazer o que quisesse, porque ele a qualquer momento iria interferir. Depois fiz Brincando nos Campos… com Saul Zaentz, o produtor de Um Estranho no Ninho e Amadeus, um monstro. Fui uma pessoa muito feliz e fui procurado, não fui searching for: Ei, me dá um dinheiro aí. Foram projetos que quis fazer porque fui convidado. Esse percurso que alguns diretores brasileiros estão loucos pra fazer eu já fiz. E tem que fazer, jamais diria não o faça. Jamais diria ao Fernando Meirelles, um menino talentosíssimo, que não fizesse um filme como O Jardineiro Fiel. Faça, mas faça do jeito que você quer, não do jeito que eles querem.

É um bom filme, não?
Excelente, lógico. Ele foi craque, não se vendeu. É melhor fazer o Jardineiro Fiel do que ficar no Brasil e adaptar o livro do José Sarney, que é uma vergonha.

Mas não é difícil não se vender?
Pra mim, não. Decidi não me vender muito cedo, decidi ser anarquista, não ser nunca patrão. Sempre fui um franco-atirador, um espírito livre. Padeço da solidão, sou um solitário. Não pertenço a nenhuma associação, nenhum grupo. Sou uma pessoa estupidamente politizada para pertencer a algum grupo político. Os grupos são sempre de conveniência, sejam de classe, políticos, setoriais. São uma forma de encobrir a falta de talento.

O que tem de melhor na Argentina e no Brasil?
Prefiro dizer o que tem de pior: no Brasil é a irresponsabilidade, a falta de auto-estima e a pouca indignação em relação aos abusos, a falta de um pensamento sobre a nação. E o pior que os argentinos têm é essa crença absurda e absoluta de que podem pensar o mundo e que o mundo tem que se render ao pensamento argentino. É uma arrogância muito nefasta.

À medida que o tempo vai passando você vai se sentindo mais brasileiro ou argentino?
Essa é uma equação que jamais vai ter uma resposta, mas se eu tivesse que optar onde morar, minha nação é o Brasil. Você não acredita, né?

Acredito, acredito…
Ninguém acredita. Sempre vêm com a história: se jogam Brasil e Argentina, por quem você torce? (Era minha próxima pergunta.) Torço pelo melhor. Curto futebol, mas não sou fanático. Na verdade, não me sinto nem argentino nem brasileiro, acho que eu sou eu. Pode parecer pedante, babaca, humildemente peço desculpas. Mas pego do lugar, da pessoa, do pensamento, aquilo que me atrai mais e que eu considero mais genuíno, sem me preocupar que camiseta veste ou de onde vem.

 

 

 


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