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Maconha

A hora e a vez dos cogumelos alucinógenos

Duas propostas nos EUA pretendem legalizar a psilocibina, substância ativa dos fungos mágicos que pode combater ansiedade, depressão, vícios e até o medo da morte

Amanita Muscaria. Foto: Gregor Dodson/CC
Da Redação
21 de novembro de 2017, 18h51

Após a legalização da maconha para uso medicinal em 29 estados e recreativo em oito, começa nos Estados Unidos um movimento para legalizar os cogumelos alucinógenos, mais exatamente a psilocibina, substância ativa deles. Dois estados saíram na frente, a Califórnia e o Oregon. Como aconteceu com a cannabis, entre as justificativas para a liberação dos cogus também estão seus efeitos medicinais: a psilocibina seria eficaz contra os vícios, a depressão, a ansiedade e até o medo da morte. Atualmente, a substância está catalogada pelo DEA entre as drogas proibidas do tipo 1, ao lado da heroína, do LSD e do ecstasy.

Kevin Saunders, candidato a prefeito de Marina, na Califórnia, está recolhendo assinaturas para que a legalização dos cogumelos seja votada na eleição de 2018. Para isso, a Iniciativa pela Legalização da Psilocibina precisa ter 365.880 assinaturas válidas, o que parece difícil, mas o autor da proposta disse que pretende pedir doações a celebridades e empresários ricos do Vale do Silício para ajudar na campanha. Saunders, que afirma ter se curado do vício em heroína graças aos cogumelos, está convicto de que os fungos mágicos aumentam a possibilidade de comunicação com extraterrestres.

“É uma progressão natural da marijuana para a psilocibina. Mas eu não vejo a planta da maconha e os esporos do cogumelo da mesma forma. A maconha é uma planta do nosso mundo e da nossa imaginação, e eu acho que os cogumelos não são. Eles são de outro mundo. Os esporos são uma das poucas coisas que poderiam sobreviver a um vôo intergaláctico. Acho que eles vieram em um asteroide ou dentro de um cometa. Isso poderia ser comunicação alienígena”, disse Saunders à revista Vice. “Houve muita polêmica porque usei a palavra ‘alien’, mas eu estava tentando colocar em termos leigos para que as pessoas entendessem que seria um grande despertar ou algo assim.”

A maconha é uma planta do nosso mundo e da nossa imaginação, e eu acho que os cogumelos não são. Eles são de outro mundo

Em dezembro do ano passado, dois estudos revelaram que uma única dose de psilocibina, o ingrediente ativo dos cogumelos alucinógenos, poderiam aliviar a depressão e a ansiedade de pessoas com câncer durante seis meses ou mais. Os estudos foram feitos pela New York University com 29 pacientes e pela Johns Hopkins University com 51 pacientes, e os voluntários relataram experiências “profundamente significativas e espirituais” que os fizeram repensar a morte e melhoraram sua qualidade de vida.

À revista Scientific American, o coordenador do estudo na Johns Hopkins, o farmacologista Roland Griffiths, afirmou que os cogumelos se mostraram eficientes para combater o medo da morte em pacientes desenganados. Como Timothy Leary com o LSD nos anos 1960, Griffiths colocou os voluntários num sofá após tomar a substância para que contassem sua viagem. “A psilocibina proporciona um entendimento de que tudo está bem e que não há nada a temer”, disse o cientista. “Quando pessoas que estão tão abatidas por sua doença começam a falar para aqueles que amam que ‘está tudo OK e não há nada com que se preocupar’, quando uma pessoa que está morrendo pode transmitir este tipo de clareza a seus cuidadores, até nós pesquisadores ficamos com uma sensação maravilhosa.”

No Oregon, outra iniciativa pela legalização da psilocibina está recolhendo 88 mil assinaturas para que possa ser votada na eleição de 2020 no estado. Mas Tom Eckert, o líder da organização que está à frente da proposta, a Oregon Psilocybin Society, torce o nariz para o colega californiano, que pretende liberar inclusive a comercialização dos fungos em lojas, como ocorre com a maconha.

Dois estudos revelaram que uma única dose de psilocibina, o ingrediente ativo dos cogumelos alucinógenos, poderiam aliviar a depressão e a ansiedade de pessoas com câncer durante seis meses ou mais

“Ele não representa o bem informado movimento psicodélico baseado na ciência que está acontecendo no país”, reclamou. A iniciativa do Oregon prevê a utilização dos cogumelos apenas para uso terapêutico, com autorização médica, embora uma morte por overdose deles esteja fora de cogitação.

Uma pesquisa feita nos EUA, porém, mostrou que apenas 22% dos norte-americanos apoiam a legalização dos cogus. No Brasil, a psilocibina está entre as substâncias proscritas pela Anvisa, mas consumir cogumelos alucinógenos in natura não é proibido por lei. Cogumelo de zebu está liberado, como diria o Ventania.

 

 


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(6) comentários Escrever comentário

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Nan em 21/11/2017 - 22h37 comentou:

Na verdade os cogumelos da espécie Amanita Muscaria como da foto não possuem psilocibina, esses possuem psilocina. São parecidas porém não a mesma substância. Os cogumelos que possuem PSILOCIBINA são geralmemte da espécie psilocybe cubenses, que na natureza selvagem são encontrados em esterco bovino. Os amanita muscaria encontra-se em regiões que possuem pinheiros, nascendo em sua palha de folhas.
Grato _/\_

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    Cynara Menezes em 22/11/2017 - 00h00 comentou:

    um amigo especialista disse o seguinte: “na verdade o amanita muscaria é o único cogumelo psicodélico que não contém psilocibina ou psilocina. ele tem muscimol, um composto só dele”.
    mas a razão da escolha da foto é só a beleza do cogumelo, mesmo

Luiz Carlos P. Oliveira em 22/11/2017 - 16h27 comentou:

Que loucura. Esse prefeito deve usar o cogumelo “in natura”, pois suas declaraçõrs sobre o mesmo é coisa de muito louco. Mas bah, chê.

Responder

cg em 22/11/2017 - 20h44 comentou:

Interessante.
– Acabo de ler materia na Sputnik sobre formas de vida contidas em poeira cosmica que Sender falou…

Responder

Felipe Rafael em 23/11/2017 - 07h52 comentou:

“Louco, louco, louco melo”

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Vacir em 03/07/2018 - 22h27 comentou:

Somente quem teve a experiência é que sabe o que é uma viagem alucinógena. Eu respeito os cogu.

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