Socialista Morena
Cultura, Politik

Leonardo Padura: “Trotski era um político, Stalin era um psicopata”

Entrevista exclusiva com o escritor cubano Leonardo Padura, que lança no Brasil "O Homem Que Amava os Cachorros", relato ficcional sobre a vida do revolucionário russo Leon Trotski até seu assassinato no México

O cubano Leonardo Padura. Foto: Ivan Gimenez/Tusquets
Cynara Menezes
22 de dezembro de 2013, 12h01

Da última vez que eu falei com o escritor Leonardo Padura ele ainda se chamava Leonardo Padura Fuentes e tinha acabado de ficcionalizar a passagem de Ernest Hemingway por sua terra, Cuba. Isso foi em 2001, quando lançou no Brasil o livro Adeus, Hemingway, em que coloca o autor norte-americano como suspeito de assassinato. Padura deixou de usar o Fuentes por causa das confusões com o seu sobrenome em países de língua inglesa –ora o chamavam de Padura, ora de Fuentes… Preferiu padronizar usando um só, o do pai, que nos países hispânicos é o do meio.

Daquela entrevista para esta, que fiz novamente pelo telefone, a diferença é que, agora, Padura parece um pouco mais à vontade para falar de política interna cubana. Na primeira, só falamos do livro (assinantes da Folha podem ler aqui). Agora, o escritor de 58 anos, que vive em Havana, se posicionou abertamente sobre a necessidade de mais abertura ao diálogo com divergentes na ilha governada pelos Castro. E falou também de Leon Trotski, protagonista de seu livro de 2009 lançado entre nós este mês: O Homem Que Amava os Cachorros (Boitempo).

O mais impressionante para mim ao conversar com o escritor foi descobrir que era proibido falar de Trotski em Cuba e que se sabia pouquíssimo sobre ele, na verdade, até a publicação do livro. Segredo igual rondava Ramón Mercader, o assassino do líder soviético, que chegou a ser acolhido lá por Fidel Castro em 1960, após cumprir 20 anos de pena no México. No livro de Padura, Mercader é o algoz mas também a vítima de um período duro da história e da esquerda. O livro não foi proibido em Cuba, ao contrário: foi reconhecido pelos leitores da ilha e recebeu o Prêmio Nacional de Literatura no ano passado.

Socialista Morena– Como foi possível que os cubanos até recentemente não soubessem nada de Trotski?

Leonardo Padura – Não se sabia praticamente nada porque se aplicou aqui a mesma política da União Soviética. Havia uma aliança tão estreita que não podia ser diferente. Trotski era o inimigo inominável. Não se publicavam obras dele nem sobre ele, ninguém sabia quem era realmente. Só há poucos anos, quando, em algumas feiras literárias, a editora norte-americana Pathfinder, que é trotskista, trouxe alguns livros dele, e uma editora argentina trouxe sua biografia, é que a informação passou a circular mais. Mas foi com o meu romance que os cubanos o conheceram.

Trotski era o inimigo inominável. Não se publicavam obras dele nem sobre ele, ninguém sabia quem era realmente

SM – Seu próprio interesse por Trotski começou como?

LP – Na época da universidade ouvi falar algo, mas não se mencionava ele nas aulas. Esse fato aumentou ainda mais minha curiosidade a respeito de Trotski, e, em 1989, na primeira vez que fui ao México, conheci a casa dele em Coyoacán. Fiquei muito emocionado. Era um lugar escuro, sombrio… Claro que nem imaginava que um dia iria escrever um livro a seu respeito. Uns anos depois dessa visita, soube que Mercader viveu em Cuba, mas ninguém tampouco falava disso. Em 2005, 2006, quando decidi escrever o romance, procurei alguém que sabia que o conhecera pessoalmente e a resposta que recebi foi um rotundo “não”.

SM – O que há de ficção e realidade na trama?

LP – Há muito dos dois. A vida de Trotski está toda biografada, cada minuto de sua vida, então tem muito de investigação histórica nas cenas narradas. Com Mercader é diferente porque se conhece muito pouco da vida dele. Sua vida é uma mentira, uma criação dos órgãos de inteligência soviéticos. O terceiro protagonista, o cubano que conduz a narrativa, também está documentado. Tudo que acontece com ele aconteceu com pessoas da minha geração.

SM – Se deixa notar no livro que você sente simpatia por Trotski…

LP – Creio que existe uma simpatia natural pelos derrotados, pelos que perderam. Além disso, como Trotski tem a figura de Stalin como antagonista, ele se torna um dos personagens mais simpáticos do mundo… Stalin é monstruoso. Trotski manteve sempre esse pensamento utópico de que a revolução era possível.

Stalin é monstruoso. Trotski manteve sempre esse pensamento utópico de que a revolução era possível

SM – Me parece uma pena que os cubanos não tenham conhecido o outro lado dessa história.

LP – Sim, é um personagem que talvez pudesse dar aos cubanos uma alternativa de pensamento socialista.

SM – Há quem ache que não faria diferença se fosse Trotski o vencedor diante de Stalin. Você concorda?

LP – Essa seria uma especulação histórica e a história se analisa com o que ocorreu, não com o que poderia ter ocorrido. Trotski talvez pudesse fazer a mesma política, mas talvez não achasse necessário matar 20 milhões de pessoas para isso. Trotski era um político, Stalin era um psicopata. Trotski poderia ser duro, reprimir, mas não de uma maneira doentia.

SM – Você se incomoda de falar sobre a política em seu país?

LP – Eu sempre prefiro falar de literatura, mas no caso de Cuba é inevitável. É um país onde existe um governo e um partido que são a mesma coisa e onde todas as decisões são políticas, então é impossível não falar.

As mudanças têm que ser mais profundas. Tem de haver mais abertura comercial, mais convênios com investidores estrangeiros, porque Cuba não tem capital para se modernizar

SM – Há mais liberdade hoje em Cuba?

LP – Há mais do que há alguns anos. Há alguns anos eu não poderia ter publicado este livro, por exemplo. O que não quer dizer que haja absoluta liberdade de expressão, continua existindo censura. Em nível econômico houve muitas mudanças importantes, imprescindíveis. Chegamos a um ponto de imobilismo e crise insustentáveis. Se está movimentando economicamente o país. Mas as mudanças têm que ser mais profundas. Tem de haver mais abertura comercial, mais convênios com investidores estrangeiros, porque o país não tem capital para se modernizar. Tem que ter também mais espaço para a crítica, um diálogo crítico mais aberto para que se possa encontrar soluções, chegar ao consenso.

SM – O caminho está aberto?

LP – Está demarcado, mas a entrada é muito estreita… O modelo está mudando, mas tem que mudar muito mais para que as pessoas que pensam diferente também tenham direito à opinião.


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Luis Zanuto em 22/12/2013 - 14h01 comentou:

Eu quero este livro. rsrs Não vai ter aqui nenhuma promoção e o sortudo leva um livro? rsrs. Eita mulher porreta essa Cinara. Abraços

Responder

Thiago Turra em 22/12/2013 - 15h49 comentou:

Como observou o ex- historiador marxista Eric HobsBawn, em verdade, até Lênin e Trotki não tem mais capacidade de aglutinar a extrema-esquerda, intelectualizada ou não. Junto com Stalin e Mao Tseu-Tung estão superados (Companhia das Letras, São Paulo. 2011), por seus diversos erros, restando ainda Gramsci e um ou outro estudioso de extrema-esquerda. Espera-se sempre que uma nova dissidência, uma nova idéia política de esquerda, mais democrática, humanitária e eficiente economicamente surja.

Responder

    Fran em 22/12/2013 - 21h19 comentou:

    Na sua opinião, um regime sem preços a pagar, utópico. Um capitalismo comunista.

Já era em 22/12/2013 - 17h29 comentou:

Cada vez mais eu acho que eu deveria ler Trotski. Depois de um documentário que vi sobre a União Soviética (The Soviet Story), fiquei com isto na cabeça.

Responder

Pedro Paulo Silveira em 22/12/2013 - 18h01 comentou:

Não sabia que o livro tratava do Trotsky! Fantástico!

Ramón Mercader, assassino de Trotsky, era espanhol e o plano para o assassinato de Trotsky foi elaborado por uma das dirigentes do PCE (Espanhol). Mercader chegou à casa dos Trotsky por intermédio de Silvia Agelot a quem foi apresentado por Pablo Neruda, comunista amicíssimo da tal dirigente do PCE. Neruda cumpriu um papel essencial nesse assassinato.

Mas não foi só Neruda um poeta com inclinações assassinas. Hemmingway tem uma história escabrosa na Guerra Civil espanhola, que envolveu outro poeta , o também americano John dos Passos.

O estalinismo foi uma doença tão forte, do ponto de vista ideológico, que alguns dos mais nobres espíritos do século XX colaboraram com a barbárie acreditando sinceramente estar libertando heroicamente a humanidade. Com já bem disse o Rosdolsky, o estalinismo é responsável pela criação do marxismo vulgar, doença que vitimou o marxismo, para sorte da guerra fria.

Responder

    Priscila Fraiz em 22/02/2015 - 06h37 comentou:

    Também não sabia do envolvimento de Neruda e Hemmingway na trama do assassinato! Fantástico! Dê-me mais bibliografia sobre isso. O livro do Padura só atiçou, faltam as brasas.

Rafael em 22/12/2013 - 18h42 comentou:

Quando leio as matérias da Socialista Morena as vezes me esqueço e acho que estou numa coluna da Veja, mas não, é a Carta Capital. Deprimente!

Responder

Gabriel em 22/12/2013 - 19h35 comentou:

Quanta merda.Stalin, o maior político do Século XX.Troskos choram

Responder

    Flávio Alimandro em 24/12/2013 - 08h51 comentou:

    Stalin o segundo maior genocida do século XX, só perdendo para Mao.

    Fernando em 24/12/2013 - 15h01 comentou:

    Quantos ele "matou"? 20 milhões? 100? 500 milhões? Talvez cheguemos a 1 bilhão de pessoas, quem sabe, não sei ao certo, se os troskos derem uma ajudinha. É um verdadeiro Exterminador do Passado! Eu voto em 4,3 milhões de nazistas e, vá lá, dois mosquitos que não aguentaram o fedor do seu cachimbo..

Diogo em 22/12/2013 - 21h17 comentou:

Stalin foi um psicopata, mas foi Lenin e Trotski que destruiram as organizações socialistas dos trabalhadores para criar a ditadura do partido.

Mas a tragédia maior é que hoje a esquerda ainda é refém dessa herança.

Responder

    inacio A. Hoffmann em 22/12/2013 - 23h00 comentou:

    Acredito que um dos grandes problemas da esquerda é näo criar pensadores, e ficamos copiando o que foi escrito pelos pensadores antigos, e dentro das nossas organisacoes de " esquerda" persaguimos os que pensäo um pouco diferente, e nem tentamos corigir os erros cometidos .

    João Pedro Munhoz em 23/12/2013 - 14h55 comentou:

    Estranho, foi "destruindo as organizações dos trabalhadores pra criar a ditadura do partido" que realizaram a maior experiência socialista da história…

    Flávio Alimandro em 24/12/2013 - 08h53 comentou:

    Uma experiencia genocida e destruidora e economicamente inviável… e querem implantar essa monstruosidade no Brasil!!!

Armando do Prado em 22/12/2013 - 22h41 comentou:

Como alguém disse: lamentável como esse texto parece saído da Veja. Interessante certos pontos: Trotsky "surge" em Cuba a partir de uma editora do império do norte; nada se sabe de Mercader, mas falam dele como se fosse da família; pouco conhecem do episódio ou de Staline, mas não se cansam de repetir rótulos da guerra fria ou do Congresso do PCUS dos traidores do socialismo; e por aí vai.

Apenas como exemplo para diferenciar Lenine, Estaline e Trotsky: o último escreveu um livro chamado "Minha Vida", coisa que os dois primeiros jamais fizeram. Este último era o próprio narciso. Ah, só aderiu à Revolução de 1.917, quando esta já estava praticamente vitoriosa.

Responder

    Marcus em 23/12/2013 - 06h47 comentou:

    Realmente, e o muro foi feito não pelos comunistas, mas pelos capitalistas, pra isolar Stalin, que não era um ditador, afinal, o partido é que comandava a coisa toda, tudo muito democratico e amavel, no mais elevado espirito comunitario, como tem que ser. Aham. Opa, tô ouvindo um sininho, deve ser Papai Noel passando de treno.

    André Dantas em 26/12/2013 - 23h26 comentou:

    Marcus, o problema é que o sino de Papai Noel está atrapalhando suas ironias. Quando o muro foi construído Stalin já estava morto fazia 08 anos. Stalin nunca foi "amável", mas sempre gostou de estudar.

    paulo cesar em 24/03/2014 - 04h28 comentou:

    vc só não é um perfeito idiota, porque não existe ninguém perfeito no mundo.

Camile em 23/12/2013 - 06h49 comentou:

Ridículo esse texto! A esquerda no Brasil tem mania de idolatrar traidores e perdedores como Trotsky! "As ideias dominantes de uma época são as ideias da classe dominante", o mainstream é falar mal de Stalin. Com essa esquerda pós-moderna do Brasil nem precisamo de direita, acreditam nas fofocas que a burguesia conta sobre Stalin.

Responder

    Fernando em 23/12/2013 - 20h40 comentou:

    É verdade, Camile, só aqui no Brasil Trosko é tão idolatrado. As esquerdas no mundo inteiro sabem contextualizar e admirar a importância que Stalin teve como sucessor de Lênin enfrentando, inclusive, oposição cerrada patrocinada por alemães nazistas (entre outros capitalistas) a qual Trosko notadamente se uniu no seu delírio de derrubar Stalin. E se formos falar da Segunda Guerra Mundial então, é até covardia.

    Flávio Alimandro em 24/12/2013 - 08h56 comentou:

    Putz!!! chamar os nazista de capitalismo é o supra sumo da ignorância!!! Nazistas eram anti capitalistas meu caro, eram de esquerda, estrema esquerda para ser mais exato! socialismo não Marxista!!!

    Fernando em 24/12/2013 - 14h45 comentou:

    Eu encerro meu ponto de vista. Nazistas de esquerda.

João Pedro Munhoz em 23/12/2013 - 13h10 comentou:

Nossa gente, quanto stalinista por aqui… rs

Engraçado é que as críticas são sempre despolitizadas, coisas do tipo "Trotsky só aderiu à revolução em 1917" ou "Trotsky era narcisista". Mas não conseguem elaborar uma crítica consistente à teoria da revolução permanente, à teoria do desenvolvimento desigual e combinado, ao programa de transição, às críticas feitas ao stalinismo n"A Revolução Traída" etc.

A história dirá… hoje, só pensando no Brasil, as correntes trotskistas são maioria na esquerda socialista partidária (PT, PCdoB, PDT não contam porque são direita né), contando o PSTU e várias correntes do PSOL (MES, Insurgência, CST, LSR, CRS), sendo as duas primeiras a 2ª e a 3º maiores do partido.

Quanto ao stalinismo, sua principal manifestação hoje no Brasil é através do PCdoB, o partido da Copa (Odebrecht, McDonald's, FIFA e por aí vai), do novo Código "Florestal" das madeireiras e agronegócio, da burocratização da UNE através de fraudes, do Netinho agressor de mulheres, etc etc. Tem o PCR também, um partido clandestino completamente desconhecido fora dos movimentos estudantil, sindical e popular. Quanto ao PCB, também não reivindica mais o stalinismo, apesar de ter militantes stalinistas em suas fileiras.

O marxismo do século XXI precisa jogar fora a herança trágica do stalinismo e retomar o que existe de positivo nos outros clássicos: Marx, Engels, Lênin, Trotsky, Rosa, Zetkin, Gramsci, Mandel, Mariátegui, Lukács, Preobazhensky… talvez a única concessão de porte que se possa fazer ao stalinismo seja Kollontai, que acabou capitulando e se tornando aliada de Stálin. Mas é um caso raro.

Responder

    Willian em 29/12/2013 - 02h15 comentou:

    Finalmente um comentário coerente de esquerda, sem mimimi stalinista!

Felipe Villela em 23/12/2013 - 13h11 comentou:

com todo respeito de um marxista-leninista: http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2013/12/li

Da próxima vez mais respeito com uma das figuras mais importantes do socialismo, querendo ou não!

Responder

Che Vive em 23/12/2013 - 15h01 comentou:

O que mais me chamou atenção no texto/entrevista é o fato dos irmãos Cubanos não conhecerem Trotsky !!!
Por essa eu não esperava , logo em Cuba que é um paraíso socialista que sempre serviu de modelo para todos nós ??? Eu sempre imaginei que o comandante Castro deixasse as pessoas se informarem, mas agora vejo que não …. Péssimo!!!!

Responder

    Anonimo em 03/01/2014 - 21h34 comentou:

    As pessoas se informam, e por isso não dão a mínima pro fracassado do Trotsky

Elias em 23/12/2013 - 19h05 comentou:

Eu estava em um bar discutindo sobre a esquerda em geral, como vcs impõem uma verdade ao mundo a força, mesmo que seja através da doutrinação dos mais humildes. Um filosofo que não me vem o nome me disse que o governo não pode ser visto apenas o bem estar social dele que ele gera o oposto da esquerda que gera um mau estar social e possui uma doutrinação ideológica absurda.

Resumindo nós dois chegamos a conclusão que vcs todos são psicopatas.

Responder

    André Dantas em 26/12/2013 - 23h32 comentou:

    Eu te entendo. No bar. Depois de umas 15 cuba libres.

Glauber em 23/12/2013 - 19h16 comentou:

Opa, este texto aqui é ótimo para jogar o BINGO REACIONÁRIO ANTI-STALIN!!
http://omarxistaleninista.blogspot.com.br/2013/11

Vamos nos divertir!!

Responder

    Fernando em 23/12/2013 - 20h41 comentou:

    kkkkkkkkk!!! Ótimo!

malvina cruela em 23/12/2013 - 19h24 comentou:

mal sabe o autor que em termos brasileiros chamar de politico é muito mais ofensivo que chamar de psicopata; pensando bem politico aqui é bem pior que qualquer outra desgraceira…

Responder

Paulo Henrique em 23/12/2013 - 21h19 comentou:

Não conhecia o escritor Leonardo Padura. Mas ele é de esquerda, não é? – esquerda no sentido de ser anticapitalista e favor da construção do socialismo, mesmo se for de correntes distintas como, trotskista, anarquista ou revisionista. Pergunto isso porque fui dar uma googleada rápida e não achei algo falando abertamente de sua visão política-econômica-societária. E quando há uma personalidade que não escancare explicitamente suas visões quanto a isso, eu fico meio cabreiro.

Responder

    Flávio Alimandro em 24/12/2013 - 09h07 comentou:

    É isso aí, ou se é de esquerda ou fascista, desconfie de todos que não pensem exatamente igual a você, e não deixe de denuncia-lo caso encontre algo que não esteja dentro dos padrões permitidos pelo partido!

Tato Silva em 23/12/2013 - 21h32 comentou:

A minha condição de esquerdista (nato) me pôs sempre uma interrogação sobre essa animalesca antipatia por Trotski. É algo que pode ser bem dita como uma antipatia por uma política e pela criatura monstruosa (quase um cérbero do socialismo real) que foi J. Stalin. Diante disso esse livro se torna indispensável para alguém tão curioso dessa história socialista como eu. Trotski tem o que de tão hediondo que até hoje é nome "maldito". Como um admirador de Benjamin e gostei de ler uma alusão implícita do Padura a ele quando se refere a "interesse pelos derrotados", que nada mais é contar a história dos vencidos. Até mesmo dentro da história do socialismo isso é necessário. Muito obrigado pela oportunidade de ler a entrevista, algo interessante demais e em breve comprarei o livro.

Responder

anônimo em 24/12/2013 - 17h08 comentou:

Trotski era um fascista traidor do sistema soviético, e inspirador do Goldstein no livro de George Orwell e do sietma política da Coreia do Norte

Responder

Ze borba em 25/12/2013 - 10h52 comentou:

Tivemos 16 países ou experiências comunistas ao longo do século XX, com consequências desastrosas. Porque falamos apenas de Stálin, como se ele fosse um ponto fora da reta?

Responder

'Bob em 01/01/2014 - 16h08 comentou:

Muito boa a entrevista, primeiro porque mostra o quanto Fidel é ditador e já jogou pesado com os cubanos que discordasse do regime. E em segundo lugar porque mostra o quanto a União Sovietica também jogava pesado contra o liberalismo e o capitalismo, ainda bem que o muro caiu de maduro!

Responder

JUJU em 01/01/2014 - 23h16 comentou:

MULHER MACHO ESSA CYNARA GOSTO DE LER TUDO O QUE VOCÊ ESCREVE É MUITO BOM .. GOSTO MUITO O QUE TROTSKI DEIXOU ……. MÁS ADMIRO STALIM…SEM COMENTÁRIOS

Responder

Horridus Bendegó em 05/01/2014 - 17h11 comentou:

Valeu, Cynara, pela entrevista!
Adoro Cuba como lastro de contenção ao inesgotável egoísmo humano.
Vou ler o livro do Padura.

Responder

Marcelo em 06/01/2014 - 17h30 comentou:

Todo admirador de Trotsky é chato pra caralho!

Responder

Luiz Conceição em 11/03/2014 - 02h18 comentou:

COM TODO RESPEITO, MAS O AUTOR DEVERIA FAZER O QUE EU FIZ: BUSCAR INFORMAÇÕES DE ÉPOCA, ESCRITAS POR PESSOAS DO OCIDENTE, QUE VIVERAM OS MOMENTOS DA HISTÓRIA QUE SE DESENROLAVA, TIAS COMO JOHN GUNTHER, WENDELL WILKIE, EMIL LUDWIG, O DEÃO DE CANTERBURY, REES, BARBUSSE, KRAVCHENKO E OUTROS QUE FALARAM E MUITO DO QUE SE PASSOU….ENTÃO, IRIA DESCOBRIR AS LIGAÇÕES DE TROTSKY E SEUS ALIADOS KAMENEV E ZINOVIEV, BUKHARIN E OS GENERAIS COM OS ALEMÃES….IRIA DESCOBRIR QUANTO TROTSKY RECEBIA DOS NAZISTAS PARA FINANCIAR UM GOLPE NA URSS….E DE COMO TROTSKY FOI BEM PIORO DO QUE STALIN NO ALVORECER DA REVOLUÇÃO; A QUAL, ALIÁS, EXIGIA PULSO FIRME E NENHUMA VACILAÇÃO. DEVERIA ESTUDAR O QUE ERA A RÚSSIA E SEU POVO….POVO QUE CORRIA A REBATIZAR UMA FILHA QUE OUSASSE OLHAR PARA UM COMUNISTA POR TER ESTE PACTO COM O DIABO….POVO QUE APAGAVA INCÊNDIO COM LEITE E NUNCA COM ÁGUA….POVO QUE INCENDIAVA CASAS DECENTES CONSTRUÍDAS POR UM SENHOR FEUDAL PARA ELE, POVO, VIVER MELHOR, POIS NÃO ACREDITAVA QUE ISSO PUDESSE SER BOA COISA….E NÃO MORRERAM 20 MILHÕES, A NÃO SER NA GUERRA…..DEVERIA O ESCRITOR PESQUISAR PARA VER A OBRA COMUNISTA NA URSS, CONSIDERADA UTÓPICA POR TODOS OS CAPITALISTAS E ECONOMISTAS OCIDENTAIS E QUE FOI REALIZADA….TROTSKY ERA UM FRACO E UM TRAIDOR….STALIN, POR MAIS DE UMA VEZ, RENUNCIOU AO CARGO DE SECRETÁRIO-GERAL….TROTSKY JAMAIS QUIS ASSUMIR O SEU LUGAR, EMBORA PUDESSE TÊ-LO FEITO, MAS ERA UM FRACO, UM AGITADOR INCONSEQUENTE E IRRESPONSÁVEL QUE NÃO RESPEITAVA AS DECISÕES DA MAIORIA, ERA E SEMPRE FOI UM MENCHEVISTA, EMBORA NEGASSE…A HISTÓRIA PROVA…É PRECISO IR LÁ…. SÓ SE PODE ENTENDER UM HOMEM UMA VEZ QUE SE ENTENDA A ÉPOCA NA QUAL VIVEU….SENÃO VAMOS CONTINUAR ACHANDO QUE, NA ÉPOCA DE JESUS, COMPARAR OS DISCÍPULOS DELE COM SAL (ALGO COMUM PARA NÓS E NÃO RARO) ERA UM ABSURDO: NÃO ERA, O SAL ERA RARO, POIS NINGUÉM SABIA EXTRAÍ-LO DO MAR….DAÍ A PALAVRA SALÁRIO (SAL + ARIUM = PARTE EM SAL, O SOLDO DO LEGIONÁRIO ROMANO ERA PAGO COM PARTE EM SAL, TAMANHA SUA RARIDADE)….eu fui lá e disso resultou um trabalho sobre Stalin….

Responder

marcos em 20/08/2014 - 13h43 comentou:

O Brasil, um pais com políticos corruptos, implantar o socialismo seremos a Russia de Stalin. antes de querer virar socialista tem que mudar as leis anti corrupção . é loucura lutar por socialismo no Brasil, seremos uma coreia do norte

Responder

Bob Brown em 20/12/2014 - 16h26 comentou:

No fim, na vida prática e cotidiana do cidadão comum, qual é a diferença de se viver num país socialista/marxista/leninista/comunista ou sob um governo fascista qualquer?? Tirando todaa as toneladas de papelada e falação teórica pueril e inócua (porque é dela que virá a reação irada dos fanáticos dogmáticos e cegos), que diferença existe na vida dura, reprimida, censurada, amedontrada, acovardada, medíocre e mesquinha do súdito do fascismo e do trabalhados cidadão sob o dito "socialismo" (que sempre tem se mostrado ampla, profunda e generalizadamente anti-democrático e anti-liberdade) em todas as facetas que assumiu desde 1917 até hoje em todo o planeta?? Se é pra viver assim, melhor continuar lutando com as armas que temos sob o jugo capitalista burguês, onde, ao menos, ainda temos alguma margem para lutar! Triste, mas real. Triste, mas concreto. Triste, mas, infelizmente, incontestável, inegável…só os cegos não veem (porque não querem enxergar, pois têm medo de abrir os olhos para a realidade). Trste, cega e infeliz Esquerda, essa nossa…

Responder

Gustavo Lutfi em 29/12/2017 - 15h35 comentou:

Um excelente escritor, um excelente livro e uma excelente entrevistadora!

Responder

Sanjai pandit em 13/01/2018 - 08h20 comentou:

Há apenas um fato que gostaria que estivesse em relevo , Stalin foi uma necessidade histórica . Pois , pela sua “dureza”, foi a única pessoa capaz de aniquilar a besta fascista, criada justamente pela direita ocidental.
Não podemos esquecer que os horrores , presentes no fascismo ,não são uma excludividade do partido nacional socialista alemão . Basta lermos os planos dos EUA na ” operação dropshot”, que pretendia destruir a Rússia e a China através de armas nucleares logo após a segunda guerra. Então poderemos concluir que há muito mais “monstros” do que aquilo que a história oficial proclama . E, nada melhor que um ” monstro” para que sejam derrotados muitos monstros ainda piores e mais nefastos.
Há ” monstros ” que salvaram o mundo , e a eles devemos nossa admiração pelo esforço heroico , gostemos deles ou não .

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