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Lula no 6º Congresso: “Precisamos preparar o PT para voltar a governar o país”

Por Katia Guimarães* O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa quinta-feira, 1º de junho, no 6º Congresso Nacional do PT “Marisa Letícia da Silva”, em Brasília, que o partido deve se preparar para voltar a comandar o país e que, para isso, precisa se comunicar para fora, não apenas para a militância e […]

(Foto: Lula Marques/AGPT)
Cynara Menezes
02 de junho de 2017, 18h53
(Foto: Lula Marques/AGPT)

(Foto: Lula Marques/AGPT)

Por Katia Guimarães*

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa quinta-feira, 1º de junho, no 6º Congresso Nacional do PT “Marisa Letícia da Silva”, em Brasília, que o partido deve se preparar para voltar a comandar o país e que, para isso, precisa se comunicar para fora, não apenas para a militância e simpatizantes. “É importante a gente ter clareza. Toda vez que a gente faz um discurso, tem que chegar em casa e colocar na balança e saber se ele é exequível”, explicou. “Nesse congresso, companheiros e companheiras, peço a vocês – que irão discutir textos, teses, fazer críticas e autocríticas – que ao discursarem não falem para vocês. Falem para os milhões de brasileiros que não estão aqui e que precisam que o PT tome as decisões corretas para despertar a esperança nesse povo”, discursou Lula.

O evento, marcado por uma homenagem a Dona Marisa, esposa do ex-presidente já falecida, relembrou os velhos tempos do PT. Além da famosa lojinha de vendas de livros e objetos do partido, e de uma feirinha de produtos orgânicos do MST, contou com um vídeo do hino da Internacional Socialista, cantado pela militância. Para Lula, o PT precisa transformar seu discurso numa estratégia para voltar a eleger o presidente da República e a maioria das bancadas na Câmara e no Senado. Ele defendeu que o principal objetivo deste encontro deve ser construir um projeto de governo que seja capaz de superar a crise por que passa o país. “Se a elite não sabe resolver os problemas do Brasil, nós já provamos saber”, disse Lula. “A minha tendência é preparar o PT para voltar a governar o país”, acrescentou.

O 6º Congresso do PT fechará questão em defesa da aprovação da proposta de emenda constitucional que prevê eleições diretas ainda este ano caso o presidente Michel Temer caia e também pela realização de nova Assembleia Constituinte para aprovação de reformas como a política e de medidas que garantam a retomada o desenvolvimento do país. E, no sábado, deverá eleger a líder do PT do Senado, Gleisi Hoffmann (PR), como nova presidente.

Ao longo de sua fala o ex-presidente insistiu que o PT deve estar preparado para enfrentar os desafios que estão agora diante do partido, do Brasil e do povo, compreendendo quais anseios e setores da sociedade ele representa e criando mecanismos para se conectar com esses setores. A luta pela defesa e ampliação dos direitos de trabalhadores, de indígenas, de negros, de quilombolas e das mulheres devem ser, segundo Lula, o que deve nortear a atuação do PT dentro da política brasileira. “Porque o PT é o único partido verdadeiramente nacional do Brasil, que luta por interesses nacionais. É diferente dos outros partidos, que são a reunião de políticos que buscam atender interesses regionais e estaduais a que são ligados”, afirmou o ex-presidente.

Em discurso pautado por orientações políticas ao dirigentes petistas e à militância, Lula fez um apelo para que o PT deixe de lado as divergências internas e tenha como foco nas “brigas externas”. “Lá fora estão os inimigos de classe que querem nos destruir e nós temos que estar preparados para derrotá-los”, destacou. Para o petista, “2018 está longe para quem não tem esperança”. “Para nós, 2018 está logo ali, já começou. É por isso que eles estão com medo e nós não estamos com medo. Se a esquerda for para disputa com um programa factível, eu tenho certeza que a gente vai voltar a governar esse país”, ressaltou.

Ao analisar o processo histórico de comando da classe dominante no poder, ressaltou que o PT, ao quebrar esse ciclo, provocou ódio e perseguição ao partido e aos artífices dessas mudanças. “Essa gente, que historicamente mandou nesse País, nunca imaginou que fôssemos capazes de criar um partido encrenqueiro, brigão e realizador como o osso partido”, afirmou Lula. Lembrou ainda que a fonte de tanto descontentamento por parte das elites é o fato de o PT haver protagonizado uma das maiores e melhores experiências de inclusão social em todo o mundo. “Eles não contavam com o povo na política, não contavam que o povo poderia ser sujeito da história. O povo não aceita mais apenas ser dirigido, mas quer dirigir, não quer apenas votar, mas ser votado. Isso passa a ser insuportável num País que foi colonizado e ainda hoje tem uma elite perversa com complexo de vira-latas, que não admite e não suporta a ascensão do povo que nunca teve privilégios”, disse Lula.

Sobre os processos que vem enfrentando na operação Lava Jato, comanda pelo juiz Sérgio Moro, Lula disse já ter provado sua inocência. “Quero ver agora se eles conseguem provar a minha culpa”, questionou.

Dilma

No evento, a presidenta Dilma Rousseff destrinchou todas as facetas do golpe parlamentar e jurídico que a tirou do cargo ao fazer uma avaliação do alcance de sua destituição. Segundo ela, a articulação teve como objetivo implantar um modelo que as urnas não reconheceram como a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, o desmonte das políticas públicas de inclusão social e a desnacionalização da Petrobras. “O motivo estratégico do golpe é reenquadrar o Brasil no projeto neoliberal derrotado quatro vezes nas urnas”, afirmou. O golpe contou com três fatos motivadores: “estancar a sangria”, ou seja, barrar as investigações da Lava Jato enquanto elas estavam centradas apenas em políticos do PT, implantar as chamadas reformas neoliberais, que não seriam implantadas da forma como estão pelo governo do PT, e aniquilar com o seu governo, desconstruindo a presidenta como administradora e e em sua condição de mulher. Dilma concluiu: “Não haverá repactuação no país se não houver eleições diretas.”

Dilma –que iniciou seu discurso prestando uma homenagem a todas as mulheres e em especial à Dona Marisa– disse que a agenda neoliberal do governo Temer nos aspectos econômicos, políticos, sociais e geopolíticos justificam todas as mudanças que estão sendo implementadas sob o viés de reformas. “Mudam a legislação trabalhista, mudando o entendimento de que o Estado brasileiro tem que estar do lado do trabalhador na relação entre patrão e trabalhador. É uma mudança de modelo, de concepção, não é uma reforma. É uma mudança de concepção que quer entregar o trabalhador e a trabalhadora a caprichos e interesses de qualquer empregador. Não que todo empregador tenha características negativas, mas nessa relação o Estado tem que ser o mediador”, defendeu.

Para a presidenta, há hoje um esgarçamento das instituições e da ordem democrática, justamente por ter havido uma ruptura no pacto instituído constitucionalmente, de respeito ao voto e à vontade popular. “Quando você rompe com a Constituição –e eles romperam–, você torna tudo possível. E é o que estamos assistindo hoje”, disse. No final do seu discurso, reforçou: “já tenho meu candidato, é Lula presidente!”.

 

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