Esqueçam a Venezuela: maior líder opositor do Brasil é condenado sem provas

(Foto: Ricardo Stuckert)

(Foto: Ricardo Stuckert)

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou nesta quarta-feira, 12 de julho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão. A condenação deixa evidente o caráter político da operação. Nenhuma prova foi apresentada contra Lula, o maior líder opositor do país.

Agora, os que criticavam a Venezuela por ter “prisioneiros políticos” terão que explicar à nação como é que a “Justiça” brasileira pretende prender o principal candidato à presidência da República sem apresentar evidências sólidas de que ele tenha cometido algum crime.

Na sentença, o próprio Moro confirma que não existe prova documental de que Lula seja proprietário do triplex no Guarujá, principal ponto da denúncia e que foi confiscado agora. “Não se está, enfim, discutindo questões de Direito Civil, ou seja, a titularidade formal do imóvel, mas questão criminal, a caracterização ou não de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro”, apontou.

O que mais impressiona na decisão é que Lula seria impedido de assumir cargos públicos durante 19 anos, o dobro da sentença. Quer dizer, um juiz de primeira instância cassou os direitos políticos do maior opositor ao governo Temer, ao PSDB e à mídia. Ah, se fosse na Venezuela… A sentença precisa, porém, ser confirmada em segunda instância para que o ex-presidente seja impedido de fato de se candidatar em 2018 pela Lei da Ficha Limpa.

Uma curiosidade: antes que perguntassem algo, Sérgio Moro preferiu se explicar por antecipação. Disse na própria sentença que a condenação de Lula não lhe traz “qualquer satisfação pessoal”.

Moro, por outro lado, absolveu o Instituto Lula, acusado durante todos estes anos por supostas irregularidades no armazenamento do acervo presidencial. A direção do instituto protestou que a absolvição não repara o dano sofrido pela entidade, que chegou a ser fechada por um juiz de Brasília.

“Mesmo tendo reconhecido que não houve ilegalidade no armazenamento do acervo pelo Instituto Lula –e absolvendo seu presidente, Paulo Okamotto– o juízo de Curitiba produziu sérios danos a imagem da instituição, por ter aceito a leviana denúncia do Ministério Público Federal. A absolvição não reverte o prejuízo institucional, pessoal e material de quem foi injustamente acusado”, publicou o instituto no Facebook.

Só para registrar: durante anos, os coxinhas, auxiliados pela mídia comercial, acusaram Lula de ter “roubado” itens do acervo presidencial. E agora nem Moro, com todo o seu afã justiceiro, consegue condenar o instituto pelo armazenamento dos presentes.

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Publicado em 12 de julho de 2017