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Maconha

Albânia: de ditadura comunista a maior plantadora de maconha da Europa

Eu falava outro dia da estranha necessidade de parte da esquerda de possuir governos aliados, guias, “protetores”. Como alguns fazem atualmente com o líder russo Vladimir Putin, sendo que a Rússia dele nada tem de socialista ou sequer progressista. Um exemplo histórico dessa necessidade é a relação do PCdoB com a Albânia. Imaginem que houve […]

Cynara Menezes
18 de dezembro de 2016, 20h14
albanesa

(Camponesa da Albânia defendendo sua plantação de maconha)

Eu falava outro dia da estranha necessidade de parte da esquerda de possuir governos aliados, guias, “protetores”. Como alguns fazem atualmente com o líder russo Vladimir Putin, sendo que a Rússia dele nada tem de socialista ou sequer progressista. Um exemplo histórico dessa necessidade é a relação do PCdoB com a Albânia. Imaginem que houve uma época que o PCdoB se espelhava neste pequeno país comunista do sudeste da Europa, governado pelo stalinista Enver Hoxha com mão de ferro e considerado pelos comunistas daqui como o “farol do socialismo”. O pessoal do PCdoB só saiu dessa em 1995, ano em que abandonaram também o bigode inspirado em Josef Stalin, que hoje renegam.

O interessante da Albânia é que era um país comunista não alinhado à União Soviética, com quem rompeu relações em 1961 (por fidelidade a Stalin), e sim à China, com quem acabaria rompendo em 1978, tornando-se um dos países mais isolados do mundo até 1992, quando o comunismo acabou. Hoxha havia morrido sete anos antes, após quatro décadas de domínio marcado pela perseguição a dissidentes, a religiosos e até a quem usasse barba. Por conta da repressão aos muçulmanos, o uso de barba foi proibido no país. Por outro lado, graças ao isolacionismo, a Albânia saiu do comunismo com uma dívida externa pequeníssima e com um traço comum a muitos países da chamada “cortina de ferro”: mulheres empoderadas.

mulheresalbanesas

(Mulheres nas Forças Armadas da Albânia durante o comunismo)

Esta semana, a BBC informou que a Albânia, a velha Albânia do PCdoB, se tornou a maior produtora de maconha da Europa. Eles mesmos não têm o hábito de consumir a erva, mas lucram com ela: estima-se que a cannabis seja uma indústria de 1 bilhão de euros (R$ 3,64 bilhões)  na Albânia, o que não é nada que se possa desprezar em um país pobre. “Na Albânia, um quilo da droga é vendido por 100 a 200 euros (R$ 364 a R$ 727). Na Itália, esse valor pode chegar a cerca de 1,5 mil euros”, diz a BBC. Famílias inteiras trabalham nas fazendas de maconha na zona rural, e não têm problemas morais quanto a isso. Embora haja forte repressão, as autoridades acabam fazendo vista grossa porque, queiram ou não, a cannabis gera empregos.

“Como garçom eu ganhava um terço do que eu ganho com cannabis”, diz um jovem de 20 anos à reportagem. Mais de duas décadas após o fim do comunismo, ainda é difícil encontrar trabalho legal e fixo no país –não no negócio da maconha. “Às quatro da manhã é possível ver multidões indo ao trabalho. As ruas estão cheias –mulheres, homens, jovens, até crianças…” Em junho de 2017 vai estrear uma superprodução norte-americana baseada na história de uma aldeia albanesa que sobrevive do plantio e da venda da maconha, Lazarat, considerada a cidade que produz mais maconha ilegalmente em toda a Europa: 900 toneladas por ano. Os habitantes já estão com medo de serem estereotipados por Hollywood como criminosos.

Ironia do destino: na sua época albanesa, o PCdoB era totalmente contra a maconha e reprimia muito os militantes que queriam usar a droga. Hoje a maior parte dos dirigentes do partido é a favor da descriminalização da cannabis. Evoluíram. E nisso voltam a se encontrar com a Albânia.

 

 


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