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Miami Herald: milhares de exilados cubanos nos EUA estão retornando à ilha

Uma das razões da volta para casa é a assistência médica, que é gratuita, ao contrário do que acontece nos EUA

Rua em Habana Vieja, Cuba. Foto: Samuel Moreti
Da Redação
13 de março de 2018, 20h08

O jornal norte-americano Miami Herald publicou uma reportagem no domingo contando as histórias de alguns dos milhares de cubanos que estão fazendo o caminho de volta e indo morar de novo em sua terra natal. Uma das razões para isso, diz o jornal, é a assistência médica. Em Cuba, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, todos os cidadãos têm acesso gratuito à saúde.

Armando, de 40 anos, contou à repórter Sarah Moreno que, ao ficar desempregado nos EUA, perdeu o seguro de saúde, e justamente quando se tratava de um câncer no estômago. Em Cuba, sua mãe pediu um visto humanitário e o levou à ilha, onde primeiro, considerado “estrangeiro”, foi atendido numa clínica que lhe cobrava em dólares. Após a repatriação, Armando se tratou gratuitamente no Hospital Oncológico em Havana e está curado.

Não me arrependo de ter vindo para cá. Se eu te disser isso serei um ingrato. Mas em Cuba o ambiente é diferente, você vai de um lado para o outro e fala com as pessoas. Aqui pode se passar um mês sem ver o vizinho

Outras razões apontadas pelos cubanos em Miami para voltar para casa são ficar perto da família, herdar imóveis e viver em um lugar onde o custo de vida é muito menor do que nos EUA. “Não me arrependo de ter vindo para cá. Se eu te disser isso serei um ingrato”, afirmou o aposentado René (os entrevistados se recusaram a dar nomes verdadeiros à reportagem antes de a tramitação dos papéis terminar). “Mas em Cuba o ambiente é diferente, você vai de um lado para o outro e fala com as pessoas. Aqui pode se passar um mês sem ver o vizinho.”

René está com 78 anos, ficou viúvo há oito e passa a maior parte do tempo sozinho em casa, embora viva com a filha e o neto. “A solidão me mata. O fim dos velhos aqui é ir parar em um asilo porque a família não pode se dedicar a cuidar da gente. E para mim isso é a última coisa que poderia acontecer”, disse. Em Guantánamo, vai se juntar a dois filhos, quatro irmãos e vários netos e bisnetos.

Em Cuba, há um assistente social para cada 600 núcleos familiares e 274 Casas de Avós, instituições diurnas inteiramente gratuitas, abertas a partir das 8h até as 17h, que atendem idosos cujos familiares não podem cuidar deles durante o dia. Também há uma assistente social a domicílio para idosos que moram sozinhos. A Previdência Social paga uma pessoa para que acompanhe o idoso, nos afazeres ou na vida cotidiana, durante 4 ou 8 horas, a depender da necessidade, da mobilidade e do estado de cada um, bem como da possibilidade de cuidar de si mesmo.

Segundo dados do governo cubano, em 2017 mais de 11 mil pessoas pediram a repatriação, a maioria delas residentes nos EUA. O embaixador de Cuba em Washington, José Ramón Cabañas, disse que entre 2015 e 2016 outras 13 mil pessoas fizeram o mesmo trâmite. “São cubanos de todas as idades e ambos os sexos, mas há uma preponderância de pessoas acima dos 50 anos”, disse Juan Carlos Alonso Fraga, diretor do Centro de Estudos de População e Desenvolvimento da Oficina Nacional de Estatísticas de Cuba.

Segundo dados do governo cubano, em 2017 mais de 11 mil pessoas pediram a repatriação, a maioria delas residentes nos EUA

A “tendência” de inversão do fluxo começou, de acordo com o jornal, com a reforma migratória empreendida por Raúl Castro em 2013, que permitiu ao cubanos que deixaram o país antes dessa data, chamados de “emigrados” pelo governo cubano, solicitar seu retorno e residência permanente no país. Após os trâmites para a repatriação, os cubanos exilados podem recuperar seus direitos, inclusive políticos, como residentes na ilha.

Ativista da organização opositora Somos+, Iliana Hernández voltou da Espanha em 2016 justamente com a intenção de fazer política, outra das razões apontadas pelos exilados para o retorno. “Voltei porque é preciso educar o cubano a perder o medo e para mostrar, com minha atitude, que podemos lutar por nossos direitos através da luta não violenta”, disse.

Entre os requisitos para ser aceito como repatriado é ter alguém que acolha em casa e se declare responsável pela manutenção da pessoa até que ela possa fazê-lo sozinho. Mas a maior parte dos cubano-americanos volta com bons recursos econômicos e com a intenção de investir em um pequeno negócio, como um restaurante “paladar” (de comida caseira) ou um salão de cabeleireiros. Tem até uma piada circulando entre eles. Antes, os cubanos diziam para as pessoas que deixavam a ilha: “Lola, traidora”. Agora dizem: “Lola, traz dólares” (“trae dólares”, em espanhol).

Leia a reportagem completa aqui.

Com informações do Granma

 

 


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Cesar Ivanildo da Silva em 14/03/2018 - 09h58 comentou:

O bom filho a casa torna .

Responder

renato sartori em 15/03/2018 - 12h41 comentou:

acredito que voice está se referindo ao “el nuevo herald” e por favor leia a reportagem completa aqui:http://www.miamiherald.com/news/local/community/miami-dade/article205174779.html

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    Cynara Menezes em 15/03/2018 - 14h30 comentou:

    el nuevo herald é a versão em espanhol do miami herald. os links para ambos estão no texto

Daniel em 18/03/2018 - 01h16 comentou:

Tudo é questão de interesse né?
Sai do país em busca de oportunidade e emprego, e quando está no fim da vida volta com dinheiro e para cuidar da saúde já debilitada. Se a saúde fosse gratuita ficariam nos Estados Unidos até morrerem.
Cuba tem pouco mais de 11 milhões de pessoas, e em 50 anos mais de 2 milhões de pessoas FUGIRAM da ilha, sendo que a maioria foi para os Estados Unidos.
Só em 2016 mais de 40 mil cubanos fugiram.
É muita ingenuidade achar que estão voltando porque lá está bom.

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