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Mulheres do MST ocupam fazenda do médium João de Deus, preso por estupro

Ação é um protesto contra os altos índices de feminicídio no país e uma cobrança por solução para o caso Marielle

Foto: MST
Do site do MST
13 de março de 2019, 21h59

Cerca de 800 mulheres do MST e do MCP (Movimento Camponês Popular) ocuparam a  fazenda Agropastoril Dom Inácio, em Anápolis, entre os distritos de Interlândia e Souzânia, no interior de Goiás. A fazenda pertence ao médium João Teixeira de Faria, o João de “Deus”, preso desde o dia 16 de dezembro de 2018, acusado de estupro.

A área, que está sub júdice, tem em torno de 600 hectares e fica próxima à rodovia GO-433. A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem-Terra, que começou na última semana com mobilizações em todo país. As mulheres do movimento justificam que a ocupação é um protesto contra os dados da ONU que mostram que o Brasil é o quinto do mundo em mortes violentas de mulheres. Elas também cobraram a solução do assassinato de Marielle Franco.

As mulheres do movimento chamam João de Deus de João do Latifúndio, porque ninguém sabe ao certo qual o valor de sua fortuna. Em depoimento formal à polícia, o acusado afirmou ter seis fazendas em Goiás

“As mulheres Sem-Terra ocupam hoje um território que é fruto do abuso, do estupro e da violência. Lutamos #PorTodasNós em um país que, em pleno século 21, manda assassinar a sangue frio uma mulher, uma vereadora democraticamente eleita. É #PorTodasNós que precisamos descobrir quem são os mandantes da execução de Marielle Franco. Quem planejou e contratou a sua morte? Exigimos saber que grupo político foi capaz de mandar matar uma vereadora”, diz o site do movimento.

João de “Deus” ficou famoso no país e no mundo por oferecer desde 1976 supostos tratamentos mediúnicos. No final do ano passado, foi acusado publicamente de abuso e violência sexual. Desde então, mais de 500 mulheres já procuraram a polícia e o Ministério Público de Goiás para denunciar abusos, que aconteciam, em sua maioria, durante os atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO).

Além das denúncias em Goiás, mulheres de diferentes regiões do Brasil e de mais seis países também relataram abusos. Na época, o MP declarou ter registros de casos de assédio desde 2010, mas, em 1980, já haviam sido apresentadas acusações contra ele. Um dos primeiros relatos é o da própria filha, Dalva Teixeira, de 45 anos, que declarou em um vídeo ter sofrido abuso  sexual por parte do pai entre os 9 e 14 anos.

Preso preventivamente e depois liberado em dezembro de 2016, João de “Deus” é acusado de estupro, estupro de vulnerável,  violação sexual mediante fraude, estelionato, coação e corrupção de testemunhas. Além disso, ao longo de sua atuação, ele já foi acusado de charlatanismo, sedução de  menor, atentado ao pudor, contrabando de minério e até assassinato. Influente entre autoridades, em  nenhum dos casos o médium foi julgado culpado.

João de Deus é acusado de estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude, estelionato, coação e corrupção de testemunhas. Ao longo de sua atuação, ele já foi acusado de charlatanismo, contrabando de minério e até assassinato

As mulheres do movimento chamam João de “Deus” de “João do latifúndio”, porque ninguém sabe ao certo qual o valor de sua fortuna, dividida entre aplicações, empresas, carros, casas, fazendas e latifúndios de monocultivo de gado e soja, um avião Seneca II de seis lugares e um garimpo de ouro em Nova Era, Minas Gerais.

João de “Deus” também é conhecido por concentrar lotes, terras improdutivas e terrenos na cidade. Segundo levantamento realizado pela Folha de S.Paulo em cartórios da região de Goiás, são 27 registros de imóveis em nome do “João curador”. Destes, 23 estão na área urbana, totalizando 19.725 m², e quatro na zona rural, com 703 hectares, o equivalente a 723 campos de futebol. Em depoimento formal à polícia, o acusado afirmou ter seis fazendas em Goiás: Crixás, Itapaci,  Anápolis,  São Miguel, Pirenópolis e Abadiânia.

 


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