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Na contramão de Bolsonaro, Nova Zelândia vai dificultar venda de armas

Uma das medidas é a proibição de armas semiautomáticas como as utilizadas pelo atirador em Christchurch

A primeira-ministra Jacinda Ardern cumprimenta familiares dos muçulmanos mortos. Foto: David Walker/Stuff
Da Redação
18 de março de 2019, 21h03

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou nesta segunda-feira que o governo vai propor uma reforma tornando mais rígidas as leis sobre posse de armas no país. Segundo ela, a iniciativa tem apoio dos três partidos da coalizão governista: Partido Trabalhista da Nova Zelândia, Primeiro Partido da Nova Zelândia e Partido Verde.

A proposta ocorre após o ataque a duas mesquitas em Christchurch, no qual 50 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas. O governo prepara um memorial nacional em homenagem às vítimas. “Dez dias após esse terrível ato de terrorismo, já teremos anunciado reformas que vão tornar nossa comunidade mais segura”, disse a primeira-ministra.

Ardern disse que os membros de seu gabinete e da coalizão concordam com a necessidade de reduzir o acesso a armas de fogo como as utilizadas pelo atirador australiano Brenton Tarrant, de 28 anos, no massacre ocorrido na sexta-feira passada.

Bolsonaro posa com arma durante a campanha. Foto: reprodução

Winston Peters, membro do partido Nova Zelândia em Primeiro Lugar, que inicialmente se opunha a novas regulamentações sobre os armamentos no país, disse que apoia totalmente a primeira-ministra. “A realidade é que, após as 13h de sexta-feira (hora local em que ocorreu o massacre), nosso mundo mudou para sempre, e nossas leis também mudarão”, afirmou.

Ardern não forneceu detalhes sobre as mudanças, mas disse que apoia a proibição de armas semiautomáticas como as utilizadas pelo atirador em Christchurch. Ela encorajou os proprietários de armas a entregar armas às autoridades, assim como fizeram os governos petistas a partir de 2004, em troca de pagamento em dinheiro. Entre 2004 e 2017, 704.319 armas foram entregues. Mas a campanha pró-armas da extrema-direita fez com que a venda superasse este número: foram 805.949 armas de fogo adquiridas no mesmo período, segundo a BBC.

“A clara lição da história em todo o mundo é que, para tornar nossa comunidade mais segura, a hora de agir é agora”, disse a primeira-ministra. “Acredito fortemente que a maioria dos proprietários de armas na Nova Zelândia irá concordar com o sentimento de que uma mudança deve ocorrer.”

Uma das medidas anunciadas pela primeira-ministra foi encorajar os proprietários de armas a entregar suas armas às autoridades, assim como fizeram os governos petistas entre 2004 e 2015

Atualmente, quase todas as pessoas que solicitam licença para o porte de armas na Nova Zelândia conseguem. Uma pesquisa com base em dados oficiais, divulgada pela imprensa neo-zelandesa, afirma que 99% das pessoas que se registraram para a licença de armas em 2017 conseguiram obter o documento.

Enquanto isso, no Brasil, o filho de Bolsonaro, Flávio, que é senador, culpou o desarmamento, e não as armas, pela chacina promovida por dois adolescentes em uma escola de Suzano, em São Paulo.

Na contramão do que está acontecendo na Nova Zelândia, Bolsonaro baixou um decreto facilitando a venda de armas a pessoas físicas em sua segunda semana como presidente da República.

Nesta segunda-feira aconteceu mais uma chacina contra inocentes: ao menos três pessoas morreram e cinco ficaram feridas, sendo três com gravidade, por disparos efetuados por um homem num bonde na cidade holandesa de Utrecht, na Holanda. Segundo testemunhas, o homem sacou uma arma, começou a disparar de forma aleatória e depois fugiu.

Com informações da Deutsche Welle

 


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Pedro em 22/03/2019 - 19h04 comentou:

Essa história de aumentar segurança é papo furado que não acaba mais. A justificativa de que possuir arma aumenta a segurança de quem quer que seja, todo mundo sabe que é apenas um argumento pra vender armas. O que acontece é exatamente o oposto. Veja-se o que acontece nos Estados Unidos. Até agora não foi registrado um só caso em que o porte de arma tenha protegido alguém desses ataques de surpresa que lá são frequentíssimos. O que aumentou a segurança no Reino Unido quando se deu aquele crime na Escócia foi exatamente a proibição de armas. Os dados sobre a redução de crimes são espantosos. Portanto, essa meia medida que o governo da Nova Zelândia está trombeteando vai custar caro ao povo de lá. Para saber melhor o que aconteceu no Reino Unido uma consulta à Internet é necessária.

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