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Nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana

“A cidade que odeia as bicicletas”, diz o título da reportagem do jornal El Observador. São Paulo? Errou: Montevidéu. A capital do país de Pepe Mujica está avançando em vários aspectos, mas, como no Brasil, continua priorizando os carros. Conta o repórter Sebastián Ayuanet: “Fora do Uruguai, o ciclismo urbano vive um momento de ressurreição. A […]

(ilustra valdinei calvento)
Cynara Menezes
26 de setembro de 2012, 20h10

“A cidade que odeia as bicicletas”, diz o título da reportagem do jornal El Observador. São Paulo? Errou: Montevidéu. A capital do país de Pepe Mujica está avançando em vários aspectos, mas, como no Brasil, continua priorizando os carros.

Conta o repórter Sebastián Ayuanet: “Fora do Uruguai, o ciclismo urbano vive um momento de ressurreição. A América do Sul não é exceção. Exemplos concretos já existem, como é o caso de Bogotá, que já conta com 344 quilômetros de ciclovia urbana. Rio de Janeiro tem 240 quilômetros (minha observação: insuficientes para desafogar o trânsito do Rio). Rosario chegou em pouco tempo aos 43km. Até Punta del Este está conectada, de Portezuelo a La Barra, por ciclovias. Mas em Montevidéu há apenas oito ciclovias, desconectadas entre si e além do mais sem manutenção.

O circuito implementado ao largo do bulevar Artigas é frequentemente obstruído por carros estacionados e também não tem manutenção. Na avenida à beira-mar há apenas 2,5 km de ciclovia sinalizada. São dados de Ciclovida (www.ciclovidaonline.com), uma das tantas iniciativas pró-ciclismo urbano que acontecem na cidade. Através de seu Facebook, organizam pesquisas entre os mais de mil usuários acumulados em um ano, compartilham leituras e propostas vinculadas ao tema, e alguns projetos. Para seu responsável, Gustavo Izus, ‘a tendência em Montevidéu ainda é tirar a bicicleta da cidade. A bicicleta urbana aqui está em conflito permanente com o trânsito’. (Parece que ele está falando de São Paulo)

Há exemplos bem próximos do furor do ciclismo urbano. Em cinco anos, Buenos Aires conseguiu (…) um percurso urbano de ciclovias conectadas de 90 quilômetros e inclusive um sistema de empréstimo gratuito de bicicletas por estação, similar ao existente em outras importantes cidades.”

Segundo o jornal Clarín, foram vendidas mais bicicletas do que carros usados na Argentina em 2011: quase 2 milhões de unidades. Estimulados pelas ciclovias, muitos argentinos resolveram deixar o carro em casa e optaram pelas bicicletas porque são “ecológicas, práticas e econômicas”. A queixa por lá é que ainda faltam estacionamentos que as aceitem. Mas, de acordo com o jornal, 107 empresas e oito universidades incentivam o uso da bicicleta. E, sobretudo, aumentaram as mulheres ciclistas.

Ou seja: em termos de uso da bicicleta nas grandes cidades, um a zero para a Argentina. Uruguai e Brasil, ao que tudo indica, estão na lanterninha.

 

 


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ufaogros em 26/09/2012 - 20h27 comentou:

Como bom talibiker claro que sou a favor das ciclovias, mas lembrando que nem só delas vive um bom sistema cicloviário.
Respeito > Ciclovias: http://bicicletada.org/Manifesto%20dos%20Invis%C3

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