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Neomacarthismo: Gazeta do Povo lança “plataforma X9” para dedurar professores

Jornal do mesmo grupo que reproduz a Globo no PR pede que professores sejam denunciados por “usar tempo em sala de aula para extrapolar conteúdos pré-definidos”

Foto: reprodução
Cynara Menezes
08 de dezembro de 2017, 13h37

O jornal Gazeta do Povo, do mesmo grupo GRPCOM que é afiliado à Globo no Paraná, lançou uma plataforma para que professores sejam dedurados anonimamente por supostamente “usar seu tempo em sala de aula para extrapolar os conteúdos pré-definidos com claro posicionamento ideológico”. É exatamente o mesmo tipo de ação que acontecia nos Estados Unidos durante os anos do Macarthismo, quando professores eram denunciados e em seguida levados a depor diante de uma comissão, perseguidos, presos e demitidos.

Versão pseudojornalística do famigerado programa Escola Sem Partido, que estimula estudantes a filmar professores em sala de aula, a plataforma X9 do Gazeta do Povo foi chamada pelo jornal de “Monitor da Doutrinação”, sob a desculpa de que é necessário “checar” as denúncias recebidas. O jornal promete inclusive fazer sua própria “lista negra” de docentes, exibindo os professores acusados, de todo o país, organizados em um mapa na plataforma.

Ridiculamente, a Gazeta do Povo diz que não pretende criar “um ambiente de denuncismo” com uma plataforma para denunciar professores

A ferramenta “irá reunir num mesmo ambiente casos registrados de excessos, com identificação clara de quando e onde aconteceram. Também irá identificar quem são os envolvidos e, quando possível, as repercussões. Embora haja discordâncias quanto à extensão do problema, é inegável que ele existe”, afirma o veículo de comunicação, ligado à direita paranaense.

Ridiculamente, a Gazeta do Povo diz que não pretende criar “um ambiente de denuncismo” com uma plataforma para denunciar professores. “É importante reforçar que a ferramenta não tem o objetivo de criar um ambiente de denuncismo entre alunos e professores. A confiança dentro das salas de aula deve ser mantida e reforçada”, diz o jornal, que será ele mesmo o julgador dos casos que avaliar procedentes, através de “metodologia jornalística para separar os verdadeiros casos de doutrinação, independentemente do lado ideológico”. Ou seja, é como se o senador Joseph Mcarthy, mentor da “caça às bruxas” nos EUA, tivesse ressuscitado como dono de jornal no Brasil.

É como se o senador Joseph Mcarthy, mentor da “caça às bruxas” nos EUA, tivesse ressuscitado como dono de jornal no Brasil

A Associação de Professores Universitários Federais do Paraná repudiou a iniciativa. “A APUFPR-SSind repudia a atitude da Gazeta e segue lutando para defender o direito dos professores de ensinarem as mais diversas visões de mundo aos seus alunos, construindo uma sociedade tolerante, justa e consciente”, disse.

 


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(3) comentários Escrever comentário

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Ronau em 08/12/2017 - 18h48 comentou:

O ovo da serpente já chocou.

Responder

Rita em 09/12/2017 - 14h43 comentou:

Vixe!
Se isso vier pra Salvador, tó lenhada❗️😬 Sou professora de História 😩🤢

Responder

Luís Fraga em 10/12/2017 - 18h34 comentou:

Ah! fazer o quê?
Vou aproveitar então e ir lá fazer umas denúncias contra esta doutrinação sinistra de Direita que está ocorrendo em todos os setores. Começando pela mídia.
Será que aceitam?

Responder

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