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Nossa direita é mais tacanha: Macri autoriza debate sobre aborto

Oposição desconfia, mas festeja e diz que é uma conquista das mulheres; aborto ilegal é principal causa de morte materna no país

Mulheres kirchneristas comemoram: "aborto legal para não morrer". Foto: La Cámpora
Da Redação
26 de fevereiro de 2018, 21h13

A legalização do aborto ganhou força na Argentina depois que o governo Maurício Macri, de direita, disse na última sexta, 23, que “não irá criar obstáculos” ao debate no Congresso sobre o tema. Desde então, embora a maioria dos membros do governo seja contra, três ministros deram declarações simpáticas à legalização. O ministro da Saúde, Adolfo Rubinstein, falou que “nos países que legalizaram o aborto, a mortalidade materna caiu drasticamente”. Na Argentina, os abortos ilegais são a primeira causa de mortalidade materna. “Não importa o que eu pense, sou ministro da Saúde e meu dever agora é promover este debate, um debate que devemos a nós mesmos após 30 anos de democracia”, disse ao jornal Clarín.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Lino Barañao, declarou seu apoio à interrupção da gravidez indesejada, com todas as letras, em um programa de rádio. “Sou a favor da legalização do aborto”, disse. O titular da pasta de Energia, Juan José Aranguren, disse ser favorável “ao livre arbítrio. Dependendo das circunstâncias, com adequada educação sexual e profilaxia, eu apoio.” A igreja católica argentina já reagiu de forma furibunda. O arcebispo de La Plata, monsenhor Héctor Aguer, acusou o governo Macri de “não ter princípios de ordem moral e natural” e disse que o presidente “não sabe fazer o sinal da cruz”.

Não podemos esquecer que em 2012, quando era o chefe de governo portenho, Macri vetou a descriminalização do aborto. Mas é uma oportunidade histórica que o feminismo não vai desperdiçar

Ao contrário do que ocorre no Brasil, a legalização do aborto é um tema sem unanimidade na esquerda argentina. A ex-presidenta Cristina Kirchner, por exemplo, sempre se opôs à legalização, mas em seu grupo várias deputadas comemoraram a abertura ao debate. Agustín Rossi, um dos líderes de oposição a Macri, disse que votará a favor da legalização do aborto, mas afirmou que em seu bloco de parlamentares não há uma posição unificada. O peronista Pablo Kosiner declarou ser contrário à “legalização total” do aborto, mas destacou que o governo Macri só autorizou a discussão porque “é uma demanda da sociedade, de muitas organizações”.

Entre as lideranças feministas do país, há quem veja oportunismo de Macri nessa concessão ao debate sobre o aborto. “Fomos nós, as feministas nas ruas e organizadas que abrimos caminho com ativismo constante para que a sociedade em seu conjunto possa impulsar a discussão legislativa sobre o direito das meninas, adolescentes e mulheres a decidir sobre seus próprios corpos”, publicou a escritora Maria Florencia Alcaraz no site El Destape. “Não podemos esquecer que em 2012, quando era o chefe de governo portenho, Macri vetou a descriminalização do aborto. Mas é uma oportunidade histórica que o feminismo não vai desperdiçar.”

Enquanto isso, no Brasil, a direita quer proibir mulheres de abortar até mesmo em caso de estupro. Nossa direita consegue ser pior que a direita dos outros.

Com informações da Télam

 

 


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João Junior em 26/02/2018 - 23h15 comentou:

A direita brasileira não é bem uma direita, é só um sindicato patronal.

Responder

ari em 27/02/2018 - 18h29 comentou:

Sobretudo é enorme a influência das igrejas aqui. O divórcio só foi aprovado graças ao Ernesto Geisel, luterano – pelo menos algo de bom a ditadura nos trouxe. As igrejas, e isto inclui a católica em sua grande maioria, são extremamente conservadoras e, a meu ver, juntamente com a mídia, o que temos de pior pela forma em que existem entre nós. Se você tem estômago, assista esse vídeo de um cidadão ligado à Canção Nova. Por ele, fico imaginando o tipo de lavagem cerebral que é feito nesse grupo.
https://www.youtube.com/watch?v=-sceosSbLlo

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