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Novo presidente de Cuba denuncia na ONU prisão política de Lula

Discurso de Miguel Díaz-Canel veio um dia depois que líderes mundiais deram gargalhadas de Trump por se gabar de suas "conquistas"

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. Foto: CIA Pak/UN Photo
Da Redação
26 de setembro de 2018, 17h22

Em sua primeira aparição como chefe de governo de Cuba diante da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Miguel Díaz-Canel denunciou a ingerência dos Estados Unidos na América Latina e a prisão política de Lula. “Nossa América é hoje cenário de persistentes ameaças, incompatíveis com a resolução da América Latina e Caribe como Zona de Paz, assinada pelos chefes de Estado e governo em 2014”, disse Díaz-Canel. “A atual administração estadunidense proclamou a vigência da Doutrina Monroe e em uma investida de sua política imperial na região ataca com especial sanha a Venezuela.”

O sucessor de Raúl Castro rechaçou as tentativas de intervenção e as sanções contra a Venezuela, “que buscam asfixiá-la economicamente e prejudicar as famílias venezuelanas. Repudiamos as tentativas de isolar essa nação soberana que não faz mal a ninguém”. Sobre Lula, denunciou “o encarceramento com finalidades políticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a decisão de impedir o povo de votar e eleger como o presidente o líder mais popular do Brasil”.

O líder cubano denunciou “o encarceramento com finalidades políticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a decisão de impedir o povo de votar e eleger como o presidente o líder mais popular do Brasil”

O presidente de Cuba também criticou a decisão do governo dos EUA de apoiar a proclamação de Jerusalém como capital pelo governo de Israel, acirrando os conflitos em Gaza, o que custou a vida de centenas de palestinos. “Reiteramos o apoio irrestrito a uma solução ampla, justa e duradoura para o conflito Israel-Palestina, sobre a base da criação de dois Estados, que permita ao povo palestino exercer o direito à livre determinação e dispor de um Estado independente e soberano nas fronteiras anteriores a 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital”, disse. “Rechaçamos a ação unilateral dos EUA de estabelecer sua representação diplomática na cidade de Jerusalém, o que aprofunda ainda mais as tensões na região. Condenamos a barbárie das forças israelenses contra a população civil em Gaza.”

Díaz-Canel fez questão de rebater as acusações do presidente dos EUA, Donald Trump, no dia anterior, contra o socialismo, em um discurso que provocou gargalhadas dos líderes mundiais ao se gabar de seus “realizações” à frente do governo. “Em menos de dois anos, minha administração conquistou mais do que quase todas as administrações na história do nosso país. É tão verdade!”, disse Trump, para risos da audiência. “Eu não esperava essa reação, mas tudo bem.” Novas risadas.

Citando o fato que os 0,7% mais ricos da população possuem 46% de toda a riqueza do mundo, e que 3,4 bilhões de seres humanos vivem na pobreza; que 821 milhões de pessoas têm fome; que 758 milhões são analfabetos e 844 milhões não têm água potável, o líder cubano disparou: “Estas realidades não são fruto do socialismo, como o presidente dos EUA afirmou ontem nesta sala. São consequência do capitalismo, especialmente do imperialismo e do neoliberalismo; do egoísmo e da exclusão que acompanham este sistema, e de um paradigma econômico, político, social e cultural que privilegia a acumulação de riqueza em poucas mãos à custa da exploração e da miséria das grandes maiorias”.

O capitalismo afiançou o colonialismo. Com ele nasceram o fascismo, o terrorismo e o apartheid, aumentaram guerras e conflitos, ataques à soberania e à livre determinação dos povos; a repressão aos trabalhadores, às minorias, aos refugiados e aos migrantes

“O capitalismo afiançou o colonialismo. Com ele nasceram o fascismo, o terrorismo e o apartheid, aumentaram as guerras e os conflitos, os ataques à soberania e à livre determinação dos povos; a repressão aos trabalhadores, às minorias, aos refugiados e aos migrantes”, continuou. “É o oposto da solidariedade e da participação democrática. Os padrões de produção e consumo que lhe caracterizam promovem o roubo, o militarismo e ameaçam a paz; geram violações dos direitos humanos e constituem o maior perigo para o equilíbrio ecológico do planeta e a sobrevivência dos seres humanos.”

Ninguém riu. Leia a íntegra do discurso histórico de Díaz-Canel no Granma.

 


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Homero Mattos Jr. em 27/09/2018 - 12h51 comentou:

https://www.youtube.com/watch?v=gVjzLC_VbeE

Responder

Sergio em 02/10/2018 - 14h36 comentou:

Legal… Precisa avisar ao presidente cubano que ele se preocupa muito mais com a soltura de Lula que os que dizem esquerdistas. A prova disso? Saíram às ruas pelo #lulalivre? E pelo #elenão? Sim! Questão é de importância e prioridade! Pelo visto, Lula é mais prioritário ao chefe de Cuba!

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