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O inferno astral dos meninos-prodígio da direita: popularidade de Macron despenca

Presidente francês ganhou o apelido de "presidente dos ricos" por cortar gastos sociais ao mesmo tempo que diminuiu impostos dos milionários

Macron e seu fã Doria em Paris. Foto: reprodução
Cynara Menezes
05 de setembro de 2018, 21h19

Não é uma época boa para os meninos-prodígio da direita: enquanto a Argentina afunda com o “mito” Mauricio Macri, agora é a vez da França de Emmanuel Macron.

Após 15 meses de governo, a popularidade de Macron despencou 10 pontos e foi para 31%, menor que a de seu antecessor, François Hollande, durante o mesmo período no poder. O presidente perdeu dois ministros em duas semanas e enfrenta um forte revés desde que veio à tona que seu chefe de segurança, Alexandre Benalla, era o homem com capacete da tropa de choque agredindo manifestantes na rua durante o 1° de maio em Paris.

No último dia 18 de julho o jornal Le Monde fez a revelação sobre a identidade do agressor, que aparece em um vídeo que viralizou na internet usando uma braçadeira da polícia. Embora o palácio do Eliseu tenha admitido ter conhecimento dos fatos, puniu Benalla apenas com uma suspensão. Só seria efetivamente afastado do cargo quando se descobriu que o homem de confiança de Macron também tinha alguns privilégios, como um apartamento funcional.

Outra causa da impopularidade do presidente francês foi a modificação no cálculo do imposto sobre grandes fortunas, que deixou de fora itens como iates, jatinhos, cavalos de raça e lingotes de ouro. Os mais ricos passaram a pagar menos impostos com Macron, ao mesmo tempo que o presidente fazia cortes nos programas sociais para a habitação e nas aposentadorias. Já ganhou inclusive o apelido de “presidente dos ricos”. Ou, segundo Hollande ironizou, dos “très riches” (muito ricos).

Na semana passada, o ministro da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, um ambientalista popular na França, e cuja indicação para o governo foi considerado um trunfo de Macron, se demitiu ao vivo durante uma entrevista, afirmando não ter conseguido concretizar o que pretendia à frente da pasta.

“Não quero mentir a mim mesmo, não quero dar a ilusão de que a minha presença no governo significa que estamos a avançar, portanto tomo a decisão de deixar o governo”, disse Hulot, considerado a “estrela” do gabinete francês. Segundo afirmou na entrevista, obteve apenas “um acúmulo de decepções” no cargo.

Nesta terça-feira, foi a vez da ministra do Esporte, a duas vezes medalha de ouro olímpica em esgrima, Laura Flessel, anunciar sua saída do cargo “por razões pessoais”. Além das más notícias, Macron também enfrenta fake news: nesta quarta-feira, circulava na rede o boato de que seu porta-voz, Bruno Roger-Petit, teria se demitido. O próprio Roger-Petit desmentiu a notícia.

Quem deve estar inconsolável com a notícia de que o chéri Macron também vai mal é o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, que fez questão de visitá-lo em Paris no ano passado. Como se não bastasse o “hermano” Macri… Tsc, tsc, tsc.

 

 


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Flavio em 10/09/2018 - 15h20 comentou:

Sabe o interessante? É que a Direita do Brasil vê o Macron como alguém de esquerda. E ainda tem os extremistas da Direita que o colocam como um anticristo, já ouvi falarem que ele quer pregar o comunismo/socialismo na França. Eu não entendo, de um lado, a esquerda fala que vê ele como direita, e a direita do Brasil o enxerga como esquerda. Queria entender como é feita essa diferenciação.

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