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O valente Uruguai aprova aborto na Câmara e no Senado

UPDATE: o Senado uruguaio aprovou hoje, 17 de outubro, a liberação do aborto até 12 semanas de gravidez. Agora só falta o presidente Pepe Mujica promulgar. A nova lei estabelece que as mulheres que optarem pelo aborto procurem um médico que lhes encaminhará a uma comissão formada por psicólogos, ginecologistas e assistentes sociais. Terá cinco […]

(foto agência Télam)
Cynara Menezes
17 de outubro de 2012, 17h10

(foto agência Télam)

UPDATE: o Senado uruguaio aprovou hoje, 17 de outubro, a liberação do aborto até 12 semanas de gravidez. Agora só falta o presidente Pepe Mujica promulgar. A nova lei estabelece que as mulheres que optarem pelo aborto procurem um médico que lhes encaminhará a uma comissão formada por psicólogos, ginecologistas e assistentes sociais. Terá cinco dias para refletir em seguida, e, se decidir mesmo interromper a gestação, poderá iniciar o procedimento em um centro de saúde.

Parabéns aos uruguaios e às uruguaias pelo avanço. Enquanto isso, no Brasil, o aborto ainda é usado como “estratégia” eleitoral furada.

(Abaixo, o texto que publiquei quando o projeto foi aprovado na Câmara)

O Uruguai, esta aldeia de irredutíveis, vem dando ao mundo lições de modernidade. Aprovou o casamento gay no Congresso, estuda a legalização da maconha e tem um presidente, Pepe Mujica, que abriu mão da tal liturgia do cargo para ser um mortal como qualquer um de nós. Na terça-feira à noite, os uruguaios deram mais um passo contra o conservadorismo ao aprovarem na Câmara a legalização do aborto até 12 semanas no país. A decisão ainda vai ao Senado.

Qualquer pessoa sensata, não digo nem progressista, é capaz de reconhecer que o aborto é uma questão de saúde pública. Ao mesmo tempo que é proibido, continua a acontecer e a vitimar milhares de mulheres.. Fechar os olhos a esta realidade por razões religiosas é de um egoísmo ímpar. Mas o que mais me chamou a atenção na votação apertada que aprovou o aborto no Uruguai (50 votos a 49) foi a sensibilidade com que os homens do Congresso do país trataram do tema ao longo das 13 horas que durou a sessão.

Houve choro e confissões. O deputado Julio Battistoni, da governista Frente Ampla, pela legalização, disse ter sido “cúmplice” de um delito por ter ajudado uma antiga colega a conseguir o dinheiro para abortar numa clínica clandestina. Houve baixas. Do lado da Frente Ampla, o deputado Darío Pérez pediu para ser substituído por seu suplente porque não podia votar a favor por razões pessoais: perdeu um filho aos quatro meses de gravidez da mulher.

“Vou sair da sala e vai entrar meu companheiro. Não posso levantar a mão para votar este projeto, não o permite meu estado espiritual. Não levanto a mão por Ismael, meu filho que não nasceu”, disse, visivelmente emocionado e com a voz embargada. Saiu do plenário chorando. Mas, embora seja pessoalmente contra, Pérez, que é médico, fez questão de dizer que “entende” os argumentos a favor da legalização. Na oposição também houve uma baixa: o colorado Fernando Almado se declarou a favor do aborto e solicitou a substituição pelo suplente para não desobedecer as ordens do partido, “com um sentimento de dor como cidadão”.

Discursou Amado: “Realmente acreditei que de uma vez por todas íamos ser capazes de deixar para trás a hipocrisia e equilibrar com propriedade a moral privada com a pública. Há dois tipos de sociedades que condenam o aborto: as que têm um poder religioso tão forte a ponto de submeter as liberdades ao dogma, como as muçulmanas, ou as democráticas porém hipócritas, como a nossa . Dou como perdida essa batalha, mas seguirei lutando”. Foi cumprimentado pela deputada socialista Daisy Tourné:”Bem Amado”.

Quando se poderia esperar que um membro de partido de oposição fosse capaz de uma postura dessas? O Brasil é grande e rico, mas ainda tem muito chão pela frente para alcançar o pequeno e valente Uruguai.


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(6) comentários Escrever comentário

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patrick em 26/09/2012 - 16h40 comentou:

É a nossa aldeia gaulesa 🙂

Responder

dimitri em 18/10/2012 - 22h16 comentou:

Sou contra o aborto, mas vc poderia ter sido abortada, affff.

Responder

    dimitri em 18/10/2012 - 22h18 comentou:

    Para um site que fala o que quer, mas não publica o que não quer… estranha postura né!!!!

    morenasol em 19/10/2012 - 18h33 comentou:

    todos os comentários serão publicados, dimitri. às vezes tenho que trabalhar, sabe? ; )

    morenasol em 19/10/2012 - 18h34 comentou:

    esse é um dos argumentos mais tolos sobre o aborto. e se você tivesse sido abortado espontaneamente? e daí?

Décio em 02/11/2012 - 00h28 comentou:

Dimitri, parabéns pela coragem em DENUNCIAR E DISCORDAR DESSA CULTURA DE MORTE E COVARDE!!!

Responder

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