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Direitos Humanos

ONU denuncia e lança campanha contra genocídio de jovens negros no Brasil

No mês da Consciência Negra, Nações Unidas lançam campanha de conscientização pelo fim da violência que mata um jovem negro a cada 23 minutos no país

Da Redação
08 de novembro de 2017, 17h15

No mês da Consciência Negra, dirigentes das Nações Unidas lançaram em Brasília a campanha de conscientização #VidasNegras, pelo fim da violência contra a juventude afrodescendente no Brasil. A ONU alertou para as estatísticas que apontam o assassinato de cinco jovens negros a cada duas horas no país ou um jovem negro assassinado a cada 23 minutos, 23 mil por ano. Um verdadeiro genocídio, como definiu a CPI do Senado que investigou o assassinato de jovens em 2016.

Para Nicky Fabiancic, coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, os dados demonstram a dura realidade enfrentada pela juventude negra brasileira, que sofre o impacto do racismo estrutural. “Reafirmo o compromisso da equipe da ONU com a eliminação do racismo e da discriminação racial. A campanha Vidas Negras é uma convocatória à ação. É inaceitável que o fato de ser negro coloque jovens em risco de serem assassinados, de serem submetidos a diferentes tipos de violência. As famílias temem pelas vidas desses jovens. Perdem esses jovens. E a sociedade: nós perdemos muito mais”, afirmou.

Fabiancic destacou que a mortandade dos jovens negros está diretamente relacionada à violência policial. “Precisamos reconhecer que afrodescendentes são as maiores vítimas de ações abusivas e, muitas vezes, letais pelas forças de segurança, ocasionando também uma taxa desproporcional de aprisionamento de pessoas negras. Em geral, os jovens negros e com baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas.”

É inaceitável que o fato de ser negro coloque jovens em risco de serem assassinados

O advogado Daniel Teixeira, integrante do Fórum Permanente de Igualdade Racial, anunciou o peticionamento junto a quatro relatorias das Nações Unidas sobre “as execuções sumárias que vêm acontecendo diariamente no país”. “No relatório da CPI, o Senado diz ‘que há um genocídio contra a juventude negra no país’. O Senado, o Estado brasileiro admite essa situação e isso impõe responsabilidade de mudança.”

Apesar do trabalho da CPI do Senado sobre Assassinato de Jovens, Teixeira avaliou que pouco “sensibilizou as diversas instâncias governamentais atuais no sentido de aplicar as recomendações, as quais envolvem jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, a questão dos autos de resistência que pede mudança legislativa nessa temática, a reestruturação organizacional da segurança pública, dados sobre a situação e observatório nacional de violência, plano nacional de redução de homicídios e um fundo nacional de igualdade racial”.

Teixeira assinalou a situação das mães de jovens negros, citando casos emblemáticos, como os crimes de maio de 2006, em São Paulo, quando 505 civis foram mortos em revanche policial contra ataques do PCC; os 12 jovens mortos por policiais no Cabula, em Salvador, em 2015, entre outros. No último final de semana, um jovem de 14 anos da periferia de Santo André, Luan Gabriel Nogueira de Souza, se somou às estatísticas: morreu baleado na nuca por um policial quando ia comprar biscoitos.

O último genocídio reconhecido na Europa foi na Bósnia, com 8,5 mil pessoas assassinadas. Quando se fala do assassinato de jovens negros, é o triplo disso por ano

Sobre o uso da palavra genocídio, o advogado lembrou que “o último genocídio reconhecido em território europeu foi na guerra da Bósnia, com 8,5 mil pessoas assassinadas durante a guerra inteira. Quando a gente fala do assassinato de jovens negros, fala do triplo disso por ano. Então, é preciso reconhecer que esse é um crime de lesa-humanidade e que acontece hoje.”

Com informações do site da ONU

 


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Sergio em 08/11/2017 - 18h34 comentou:

A doce e bondosa Princesa Isabel, redentora, libertou os negros da escravidão, e hoje a sociedade os escraviza de outra foma. Triste isso! Boa campanha!

Responder

    Cynara Menezes em 08/11/2017 - 21h17 comentou:

    “doce e bondosa princesa isabel”… como acreditar na história oficial sem pestanejar

Sergio em 09/11/2017 - 10h07 comentou:

Melhor ter a doce e bondosa princesa Isabel como verdadeira redentora do povo negro a adotar toscamente uma cruel escravocata como Zumbi. :/

Também seria uma boa campanha a ONU também denunciar o assassinato de policiais.

Responder

Ricardo em 09/11/2017 - 20h23 comentou:

Parabéns a jornalista Cynara Menezes e ao Socialista Morena pelo jornalismo progressista com CONTEÚDO.

Sucesso.

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