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Direitos Humanos, Maconha

Palha não entra: o seleto (e secreto) clube dos cannabiers ou maconheliers

Toda vez que perguntam ao presidente do Uruguai, Pepe Mujica, o porquê de sua defesa da legalização da maconha, ele dá duas razões principais: o combate à violência resultante do narcotráfico e a necessidade de garantir ao usuário segurança sobre a erva que irá fumar. No Brasil, a realidade dos fumadores de maconha é se […]

Cynara Menezes
03 de dezembro de 2014, 16h07
cannabier

(Foto: coletivo Prensa420)

Toda vez que perguntam ao presidente do Uruguai, Pepe Mujica, o porquê de sua defesa da legalização da maconha, ele dá duas razões principais: o combate à violência resultante do narcotráfico e a necessidade de garantir ao usuário segurança sobre a erva que irá fumar. No Brasil, a realidade dos fumadores de maconha é se submeter ao risco de adquirir o produto das mãos de um traficante sem saber exatamente o que está comprando ou… burlar a lei e plantar alguns pés de maconha em casa para consumo próprio.

Embora proibido, o autocultivo  tem não só encontrado cada vez mais adeptos entre nós como começam a surgir verdadeiros connoisseurs da planta, capazes de identificar a qualidade ou não de um baseado apenas pela aparência da erva. Depois dos baristas (especialistas em café), sommeliers (vinho ou cerveja) e chocolatiers, eis que surgem os cannabiers ou maconheliers: os especialistas em maconha, uma elite de usuários preocupada com o sabor, o cheiro e o tipo de “onda” que a maconha vai dar.

O termo cannabier já foi utilizado em um artigo científico pelo antropólogo Marcos Verissimo, que apresentou, em 2013, sua tese de doutorado em Cultura Canábica na UFF (Universidade Federal Fluminense). O neologismo, escreveu Verissimo, “foi cunhado em função da aproximação significativa entre os círculos de apreciadores de cannabis oriundas de autocultivos domésticos e os círculos de apreciadores de vinhos (sommeliers). Quando as flores da maconha atingem o ponto de maturação, as plantas são cortadas, tratadas (processo denominado manicura), passando então à fase do secado (que pode durar algumas semanas). Portanto, da semeadura à degustação do resultado, o importante é ter sabedoria e paciência para se saber admirar o processo, como ocorre no caso dos vinhos mais consagrados”.

Assim como os vinhos, as floradas também ganham nomes –Moby Dick, Critical Mass, Destroyer, Blueberry– e são resultado da assemblage, digamos assim, entre plantas famosas no desconhecido mundo dos plantadores de maconha. Os cultivadores assinam suas criações sob pseudônimo e compartilham experiências pela internet, sobretudo através do site Growroom.

Quem é o cannabier? Em geral é jovem, profissional liberal e homem. Como me disse um deles, “um bando de machões que cultivam flores”. Há garotas, claro, que desfrutam dos blends especiais fornecidos por esta galera, mas as cultivadoras ainda são minoria. São os meninos que mais mergulham a fundo nas técnicas e macetes para produzir plantas dignas de campeonato. Verdadeiros nerds da maconha, os caras sabem absolutamente tudo sobre o assunto. Como seus congêneres especializados em cafés, chocolates, cervejas ou vinhos, é uma atividade que envolve muito orgulho e vaidade. Se chegarmos algum dia à legalização do uso e plantio, seguramente figurarão, ao lado dos enochatos, os maconhochatos.

tricomas

(A flor da maconha com os tricomas. Foto: coletivo Prensa420)

Alberto* é advogado e cultiva meia dúzia de pés de maconha em um quarto, em sua casa, no Rio, sob luz artificial. Sua produção costuma causar sensação entre os amigos. O segredo, conta, é “frustrar sexualmente” a planta. Como a maconha que dá barato é apenas a planta fêmea, cultivadores experientes como ele sabem que, quanto mais a planta estiver pronta para a polinização e ela for impedida de acontecer, mais produzirá tricomas (os “cristais”, parte da planta rica em canabinoides). Ou seja, ficará mais potente. Daí a expressão “sin semilla” (sem semente) para designar a erva que é um must entre os maconhólatras. Para maximizar a produção de tricomas pela planta, são usadas técnicas como pequenas “massagens” para quebrar os galhos, e a água e a luz é milimetricamente controlada –na última semana antes da colheita, água e luz são cortadas, potencializando ainda mais a maconha.

“Meu carma no reino vegetal está péssimo”, brinca Alberto. Além de garantir a frustração sexual da pobre plantinha para seu prazer, o advogado diz que também é fundamental oxidar a flor após a colheita, fechando-a em um recipiente hermético por semanas ou meses. Qual a diferença de uma maconha para outra? “Na verdade, tem um tipo de maconha para cada pessoa ou momento. Se a pessoa quer relaxar, pode fumar uma Indica. Se prefere algo mais estimulante, uma Sativa. Se fosse permitido o autocultivo, o ideal era ter pelo menos três tipos de planta em casa: uma Indica, uma híbrida e uma Sativa”. Em uma festa recente de cultivadores, ele conta, chegaram a aparecer 37 tipos de flores diferentes.

Se os vinhos possuem os taninos, a maconha possui terpenos, moléculas responsáveis pelo odor da planta. Os terpenos vão influenciar no cheiro e no sabor da erva ao ser fumada. Falam-me de “notas” de manga, madeira, limão… “Fumamos um beck que deixava retrogosto de queijo”, me garante o antropólogo Paulo. No quintal de sua casa em Brasília, meio oculto entre três pés de mandioca para confundir eventuais helicópteros, uma nova planta de maconha começa a florescer. Ele pratica o autocultivo há dez anos. Um único pé é o suficiente para o consumo dele e de sua mulher, Marina, e ainda sobra para apresentar aos amigos. Como o ciclo da planta pode chegar a um ano, enquanto a outra cresce, eles fumam a que colheram.

Paulo é um cultivador orgulhoso de sua produção, mas aponta o que vê como exageros de alguns colegas com suas plantinhas de estimação. “Tenho um amigo que comprou até uma máquina de moer coco para fazer uma palha que ele usa como terra. Outro, italiano, controlava pelo celular a milimetragem da água e os nutrientes da planta que estava cultivando lá em Roma”, ri. “O que eu faço é basicamente mijar na planta, que é um NPK (fertilizante) natural. Coloco uns nutrientes na terra, mas não muitos porque acho que interfere no gosto”.

blasézismo de seu comentário contrasta com o ar triunfal que exibe ao mostrar, dentro de um vidro, os “camarôes” ou berlotas (flores já secas) da última safra, em que chegou a um resultado “excepcional” –diz isso como se estivesse falando de grãos de café ou das uvas de um hipotético vinhedo. “Consegui produzir uma cannabis com resina leitosa, que dá uma onda mais excitante, criativa. A resina marrom é down, baqueia. Não serve para fumar e trabalhar, deixa a pessoa sem energia, largadona no sofá”, explana.

budtender

(Budtender em ação no Colorado)

No Colorado, nos Estados Unidos, onde o uso recreativo da maconha, além do medicinal, foi liberado, há inclusive uma profissão em alta, a de “budtender” (trocadilho com bartender, sendo que “bud” é “camarão”). Trata-se do cara ou da mina que atende os clientes das lojas de maconha, exatamente como os vendedores das cervejas artesanais agora em moda no Brasil –ou como os funcionários dos coffee shops holandeses que sempre fascinaram os brasileiros. Capazes de indicar qual o tipo de maconha que você “precisa”, os budtenders possuem formação profissional, fornecida por cursos especializados. O cannabusiness anda tão turbinado por lá que não estranhem se surgir um MBA em Maconha nos próximos anos.

“Que tipo de sensação você quer ter?”, “você é usuário frequente ou vai experimentar pela primeira vez?”, “quer maconha para trabalhar ou para jogar videogame e depois chapar?” pergunta o budtender ao freguês. A depender da resposta, o vendedor irá indicar que tipo de maconha é a ideal para o usuário. Apenas no primeiro mês de legalização para uso recreativo, estima-se que a economia da cannabis movimentou cerca de 14 milhões de dólares no Colorado, e ser budtender virou uma possibilidade de emprego atraente para os jovens –a mais “hot” delas, segundo alguns (leia mais aqui).

No Brasil, até outro dia, o máximo que se distinguia sobre os tipos de maconha era entre a maconha “solta”, produzida no Nordeste, ou a “prensada”, que vem do Paraguai. Algumas maconhas nacionais chegaram a alcançar fama, como a mítica “manga rosa”, de Pernambuco, ou a “cabeça-de-nego”, da Bahia. Reza a lenda que algumas maconhas campeãs mundo afora vieram delas. Houve um verão, em 1987, em que milhares de latas de maconha chegaram à costa brasileira, atiradas ao mar pela tripulação de um navio australiano interceptado pela Marinha, e, a partir daí, baseados potentes passaram a ser chamados de “da lata”. O curioso e hilário episódio virou um documentário dirigido por Tocha Alves e Haná Vaisman em 2012.

Mas sofisticação como se tem agora, nunca se viu. No site especializado Leafly, é possível descobrir que variedade de maconha “combina” mais com o temperamento ou necessidade do usuário, através de um teste online: se pretende ficar falante, relaxado, feliz, eufórico, sonolento… Ou por razões medicinais: as mais indicadas para insônia, fadiga, náusea (um efeito colateral comum a quem se submete à quimioterapia), pressão ocular, stress…

É tanto conhecimento que já começa a irritar. “Tem muita gente cuspindo no prato paraguaio que comeu”, provoca o psicanalista Pierre, de São Paulo. “Chegou-se a um nível de refinamento que outro dia fui numa festa e, quando souberam que o baseado que eu estava oferecendo era paraguaio disseram: ‘ah, não quero, não’. Que é isso? O fumo paraguaio tem seu valor, porque está sempre aí, nunca negou fogo. Qualquer dia acabará virando cult.”

O psicanalista admite, porém, que é muito difícil voltar para a maconha paraguaia, ou seja, para a erva vendida pelo narcotráfico, depois que se experimenta um baseado feito com cannabis autocultivada. “Quando se planta, além de fugir das redes de violência, se garante que a maconha não terá aditivos, porque o fumo paraguaio ninguém sabe o que contém. O nosso, não, é tóxico sem agrotóxico”, diz. Outra diferença é que, como em qualquer plantio em pequena escala, artesanal, todas as etapas são acompanhadas de perto pelo cultivador para que resulte numa erva “gourmet”, ao contrário do que ocorre com o narcotráfico, que utiliza grandes plantações e aproveita tudo da planta: galhos, folhas e até sementes. “O autocultivador, não, só aproveita as flores.”

Pierre cultivava um pezinho em casa, ao qual apelidara carinhosamente de “meu pé de maconha-lima”, e ter que causar a tal frustração sexual da planta lhe trouxe dilemas éticos. “Deixar a plantinha sem água na última semana mexia comigo, mas pensei em algo que me pacificou: adoro foie gras e não estou nem aí para o que fazem com o ganso. Então foda-se se a planta é torturada.” Acabou parando de plantar por achar trabalhoso demais e hoje fuma no “se-me-dão”, isto é, pede aos amigos maconheliers.

Rara mulher entre os cultivadores, a produtora musical Carla prefere não recorrer às “torturas”, fertilizantes e nutrientes em sua pequena plantação indoor em São Paulo. Sua maconha é inteiramente orgânica. Ela usa uma calda de fumo para combater os pulgões, estrume de composteira, casca de ovo, pó de café e… menstruação. Produz pouco, mas sua erva, diz, é perfumada e seu sabor pode ser frutado ou mais ácido. “Planto na lua nova e colho na lua cheia, e vou conversando com elas enquanto crescem.”

Ao contrário dos rapazes, Carla não usa seu talento como jardineira apenas para produzir maconha. Planta ainda maracujá, acerola e banana no quintal. Pergunto por que há mais meninos e meninas no clube dos cannabiers. “Acho que pela mesma razão pela qual há mais meninos na física e na matemática e mais meninas na pedagogia: o mundo é assim”, diz. “Mas eu vejo diferenças. Fui convidada para uma Cannabis Cup e me senti lisonjeada, mas percebi que era uma coisa de meninos, de competição. Acho que a gente vê diferente. Para mim plantar é uma forma de não depender dos homens para comprar ou fumar meu baseado.”

Se as plantas fêmeas cultivadas não germinam, onde essa turma consegue sementes? Trocando entre eles ou comprando pela internet em sites estrangeiros –o que, em tese, também é proibido por lei, mas decisões judiciais recentes têm dado certa segurança aos cultivadores. Em setembro, o juiz Fernando Américo de Souza, de São Paulo, livrou da cadeia um usuário que havia comprado, pela internet, 12 sementes de maconha na Bélgica e foi denunciado por “contrabando”. “O usuário que produz a própria droga deixa de financiar o tráfico, contribuindo para a diminuição da criminalidade”, disse o juiz (confira aqui).

Para os cultivadores, a prática da troca de sementes e da própria maconha para degustação entre os amigos é uma prova de que a idéia dos clubes de cannabis, como existem na Espanha e que estão previstos na lei uruguaia, pode ser a melhor saída para o problema, porque rompe o vínculo com o crime e tira do usuário a carga de “alimentar” o narcotráfico.

Enquanto isso não ocorre, a “elite” degusta iguarias e a enorme maioria dos usuários (estima-se que existam 1,5 milhão no Brasil) continua a consumir maconha malhada, palha e mofada. Será que até nisso quem nasceu para Sangue de Boi nunca chegará a Romanée Conti?

*Os nomes dos personagens desta reportagem foram trocados.

UPDATE: saiu no New York Times um perfil do primeiro crítico de maconha dos Estados Unidos (leia aqui). Profissão dos sonhos para muita gente…

UPDATE2: tenho que acrescentar ao post este vídeo sobre “os esnobes da maconha”. Hilário.


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gabriel valdivieso em 03/12/2014 - 17h38 comentou:

adorei, cynara. nao sabia desse bafo!

Responder

Sergio Lirio em 03/12/2014 - 18h31 comentou:

A onda gourmet chega ao consumo da maconha. Pergunta: a larica de quem fuma uma cannabis tão sofisticada só pode ser saciada com sanduíche gourmet e brigadeiro de erva-doce?

Responder

Lenir Vicente em 03/12/2014 - 18h33 comentou:

Sou a favor da legalização,mas ela envolve muito mais que o extermínio do tráfico ..Mexe com o preconceito de pessoas que não têm informações corretas sobre a cannabis. Tenho certeza que se fosse legalizada, o clonazepam ia mofar nas prateleiras das farmácias rsrsrsrsrs

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@licantr0 em 03/12/2014 - 18h35 comentou:

excelente matéria

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Laura em 03/12/2014 - 18h48 comentou:

Muitíssimo obrigada pela reportagem, Cynara! Jornalismo de qualidade: informando para educar. You rock, girl!

Responder

@danielfh em 03/12/2014 - 19h07 comentou:

Muito bom esse Artigo. Realmente, o uso da erva está se tornando "cult" no país. Porém… "estima-se que existam 1,5 milhão no Brasil" tá meio errado o calculo. Põe no Paraná ai que faz mais sentido!

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Almirante Nóia em 03/12/2014 - 19h12 comentou:

Excelente o texto!!!! Tratou com maestria cada ponto e deixou o texto delicioso do início ao fim. Parabéns. (ass: Seu novo Fã)

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gera em 03/12/2014 - 19h40 comentou:

Essa "da lata" eu fumei e era da doida mesmo! Chegou pelos correios pra uma grande amiga da universidade, que me convidou.

Responder

Helton em 03/12/2014 - 20h01 comentou:

hahahahaha… Parabéns, Cynara. Bela matéria!

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@gabrielrubins em 03/12/2014 - 20h12 comentou:

O "Verão da Lata" virou um programa do THC – The History Channel 😛 – também! http://seuhistory.com/programas/verao-da-lata

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Fer_07 em 03/12/2014 - 21h36 comentou:

Na Argentina a maconha ainda é proibida por lei, mas em Buenos Aires ela é muito mais tolerada do que nas grandes cidades brasileiras. Muita gente fuma na rua, não são poucos os bares em que se pode fumar em terraços, em shows também é "praticamente liberado" e as pessoas plantam cada vez mais. Não existe essa "gourmetização", não é coisa para conhecedores, que dependa de tanto estudo. É para maconheiros mesmo. E ainda que muita gente cuide das plantas com dedicação, outros jogam uma semente de "paraguayo"em um vaso e a planta nasce e cresce e é uma fêmea. não é tão complicado.

Responder

Nelson em 04/12/2014 - 04h22 comentou:

Parabéns pela matéria.

Responder

Thiago em 04/12/2014 - 10h20 comentou:

Belíssimo texto. Esclarecedor.

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Flávia em 04/12/2014 - 10h39 comentou:

Connaissance > connAisseurs

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Horridus Bendegó em 04/12/2014 - 12h07 comentou:

Menina….

Responder

F L em 04/12/2014 - 13h03 comentou:

Muito legal!

Responder

Gustavo em 04/12/2014 - 13h03 comentou:

A elite branca coxinha maconheira…

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Maldorror em 04/12/2014 - 13h06 comentou:

Parabéns pela lucidez!!!! Enquanto isso a ANVISA continua proibindo o CBD-Canabidiol no Brasil. Já nos USA pode-se comprar o CBD na Amazon.com como suplemento alimentar. A legalização da maconha é urgente! Temos que parar de alimentar um comércio ilegal que é: brutal, desumano, sanguinário e hipócrita!
Quem nasceu para o prensado paraguaio nunca chegará ao Amnésia Haze ou OG Kush!

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@bhatecore em 04/12/2014 - 15h04 comentou:

Ótima matéria, a única coisa que me surpreende são essas exclamações "como se fosse um vinho, como se fosse um queijo, como se fosse não sei o que", me diga, que diferença tem entre um vinho e a maconha, na verdade só que um é de beber e outro de fumar, pois os 2 tem aromas, cores, sabores, regiões de cultivo….
É um baita preconceito com a maconha, ainda tem esse esteriótipo de que o maconheiro não tem paladar, não pode apreciar a maconha de forma como apreciaria qualquer coisa , tem que ser um degenerado ou algo assim…
É ridícula a forma como a sociedade trata essa planta, como se fosse algo fora do normal , meu deus ele aprecia maconha como apreciaria um vinho… , mas não é justamente como deveria ser??
Tratando-se de qualquer droga ou mesmo alimento, vai ter gente que vai abusar e vai ter problemas de saúde, vai ter gente que vai degustar e vai até ser beneficiado, infelizmente a maconha a qual somos submetidos por esse governo corrupto é como sangue de boi mesmo, ou uma cana da mais vagabunda, daquelas que destroem o fígado, se regularizassem a erva o usuário poderia plantar ou comprar maconha de altíssima qualidade, sem venenos , sem mofo, sem porcaria, e seria muito menos prejudicado, do mesmo modo como é menos prejudicado aquele que toma uma bebida de boa qualidade…

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Luis em 04/12/2014 - 16h11 comentou:

A verdadeira paraguaia está no mesmo nível que qualquer planta. O que muda é o gosto e a viagem!

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Carla em 05/12/2014 - 22h15 comentou:

Quero apenas deixar um relato de que legalizar a maconha também é assunto de saúde mental. Fui usuária de maconha por anos, tive dois surtos psicóticos influenciados diretamente pelo uso da droga, e hoje posso dizer que não fumo mais maconha, mas que muito me foi difícil esse estágio de não mais fumar maconha pois eu era uma pessoa addicta a erva. Por tantas e tantas razões maiores, mas também porque a maconha virou objeto de fetichização na nossa cultura e até entender isso, foram muitas e muitas bads… Tenho vários amigos que fumam maconha e exaltam suas qualidades, é uma relação erótica eu diria, e me dar conta de que aquela onda que a pessoa falava não era a mesma onda que eu sentia, de que não é ser mais 'cool' fumar um baseado, que maconha também tem seus grandiosos problemas e complexidades… Quero que me entendam, não sou contra a maconha, sou contra essa romantização que fazem de 'fumar unzinho' como se isso passasse impune a qualquer ser humano, quer dizer, é uma substância psicoativa e todo cuidado é necessário, e mesmo que o argumento seja 'é uma planta', ninguém comeria uma planta 'comigo ninguém pode', certo? Enfim, a idolatria nunca é benéfica, seja do que for. Foi bacana ter umas ondinhas? sim. Mas mais bacana é ter saúde de espírito. E isso não se encontra necessariamente em uso de substâncias psicoativas.

Responder

    jpsilveira em 06/12/2014 - 07h17 comentou:

    Uau, que relato. Minha leitura é a mesma que a tua; aliás, essa também é minha leitura acerca álcool, algo com que tenho mais familiaridade. Acho legal curtir um, mas esse lance de uma "identidade" com a coisa, como se fossemos beats descolados, não cola comigo.

    Marcia em 06/12/2014 - 11h21 comentou:

    Parabéns pela lucidez ao contribuir com a discussão. Bem assim mesmo: tudo bem fazer uso de maconha gourmet mas tem que ter claro que o uso e o abuso de qualquer substância psicoativa tem riscos. Prefiro minhas SPAs puramente endógenas e cultivar o meu autoconhecimento e autocontrole.

    F L em 06/12/2014 - 13h12 comentou:

    Não me dou bem com cerveja, passo mal

    Anônimo em 18/12/2014 - 16h36 comentou:

    Parabéns pelo relato. Conheço algumas pessoas com problemas de surtos psicóticos detonados comprovadamente por uso da maconha. Importante saber os riscos para a saúde mental. Muitos tem predisposição para problemas mentais e desconhecem.

F L em 06/12/2014 - 13h10 comentou:

Por coincidência com a postagem, esse ano desfrutei do meu primeiro fino (só deu pra um fininho) cultivado por mim mesmo. Sem muita ambição coloquei uma sementinha de paraguaio (acho que era paraguaio) num dos muitos balainhos que uso pra fazer muda, de toda planta que pego semente. É um "róbi". E não é que germinou? Como não foi muito cuidada, cresceu quase nada e secou após a floração. Mas o fino deu um gosto diferente, melhor, sei la, e uma "luz" bem legal. Essa é uma alternativa muito legal à opção de comprar "por aí".

Responder

sid em 06/12/2014 - 23h31 comentou:

Quando se fuma baseado antes de qualquer atividade não fica muito agradável , fumo a mais de 40 anos e no começo as parangas era de fumo solto ,produzido no polígono da maconha no nordeste , manga-rosa e cabeça de negro, fumo prensado apareceu depois, já encontrei aranha ,cascudos e teias tudo prensado, realmente é uma porcaria mas, como moro perto do Uruguai, em breve a coisa vai melhorar.

Responder

Luma Rosa em 07/12/2014 - 03h31 comentou:

Legalizar a maconha como aconteceu no Uruguay, não deixa de ser um cadastramento pelo governo dos usuários – Para controle de fronteira? Controle de consumo. Acho. O povo fuma tanto que esquecem de fazer outras coisas, como trabalhar. Entre a população, existem aqueles que fazem questão de comunicar antes de uma conversa, que não são usuários.
Muito bom existirem os especialistas…
Você viu a experiência que fizeram com 3 avós? https://www.youtube.com/watch?v=IRBAZJ4lF0U

Responder

Maia Kaefman em 07/12/2014 - 15h49 comentou:

Mas cá entre nós…Na hora do aperto nunca vi um "cannabieur" recusar um paião…Hahahahaha. Vida longa Growroom!

Responder

    Gregorio de Mattos em 10/12/2014 - 09h41 comentou:

    Ja nem aperto mais nada ;boto a berlota sem galho ou folhas dentro do vaporeiser,aciono o isqueiro turbo e só da essencia pra dentro, agora vou torrar um "Moby dick " que tenho que refletir sobre algumas coisas, trabalho ativo fisicamente; é legal com " Orange bud" ou "Mango haze".Eu percebo que umas massas mais claras ,verdinhas tipo "Gras " (grama-planta ) contuman ser mais Hight,e as mais escuras tipo Skunk ou "san simila"marron " muitas vezes sao mais "Down" como estava me explicando um dono de Coffe shop em Amsterdam .Porém uma vez eu fumei uma " Strouberry haze" com gosto de morrango(era meio avermelhada mas meio clara) era muito forte eu dormi no Coffe shop por alguns minutos lá sentado nun sofá: hoje em dia existem tantas misturas e tantas variedades naturais que se tem acesso (na holanda)que é dificil saber qual será o efeito sem conhecer o que se fuma previamente. Mas surpreso eu fique mesmo, ao saber, que aqui na alemanha, é comum darem "Hanf öl " oleo de Canabis ,para bêbês recêm desleitados junto com o mingau ou papinha ,é uma planta multi-uso e o Brasil perde varias oportunidades economicas por causa de uma lei consevadora que os USA impuseram ou resto do mundo( e eles próprios já estão mudando, exatamente pela quantidade de grana que movimenta) e por causa de um bando de conservadores babacas que infelizmente ainda tem muito poder no Brasil.

    Maia Kaefman em 11/12/2014 - 20h36 comentou:

    Mas na hora que falta nego não nega…Hehehehehe.

    Você deve saber que a maioria desses nomes de strain são nomes comerciais sem um estudo fenotípico ou genotípico científico por trás pra garantir que o Super Mellow Blaster Cheese Brain Fucker Kush que tu comprou no Colorado não é White Widow né? Hehehehehehe.

    No fundo são híbridas muito bem cultivadas que puxam mais pro THC (mais "euforizante") ou pro CBD e outros canabinóides (mais "chapantes")…Genéticas puxadas pra sativa-sativa contém mais thc, genéticas puxadas mais pra sativa-indica outros canabinóides. Mas como dissestes é um negócio trilhonário e portanto é natural que os breeders tentem se diferenciar com cruzas novas e nomes atraentes.

    A cor dos botões varia muito né? Depende inclusive de cura, oxidação, etc. Não acho que pela cor da massa ou dos pístilos dê pra prever o tipo de efeito.

    Agora é bom que se diga que não é nada normal ou indicado ministrar BHO ou qualquer tipo de extração de óleo de cannábis a um bebê de colo que não seja paciente de alguma doença séria na qual a cannábis forneça auxílio clínico.

    Abraço marofado poeta Gregório.

Carlos Alberto em 09/12/2014 - 14h25 comentou:

Parabéns pela mensagem! Muito legal suas palavras, fiquei ligado até o fim. Um grande Abraço!

Responder

Paulo em 11/12/2014 - 13h37 comentou:

Sou um profundo ignorante no assunto, só não consigo entender como a legalização vai combater o tráfico?
Todas as pessoas poderão fumar? Inclusive menores de idade? Aí não vai continuar o tráfico com esses menores? Enquanto isso não posso acender um cigarro comum na rua sem alguém passar e ficar reclamando.
É chique fumar maconha? Não acho. É sinonimo de liberdade? Não acho. Posso estar errado. Acredito sim que produtos tirados da maconha para beneficio medicinal devem sim ser liberados. E aqueles que vão me xingar, sem problemas.

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