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Para OEA, difusão de fake news em massa nesta eleição não tem precedentes

Presidente da missão de observadores também criticou o tom utilizado em alguns discursos incitando a violência

Fernando Haddad se reúne com Laura Chinchilla, da OEA representante da OEA Foto: Ricardo Stuckert
Da Agência Brasil
25 de outubro de 2018, 20h13

Por Daniel Mello, na Agência Brasil

A presidenta da missão de observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) para as eleições brasileiras, Laura Chinchilla, disse nesta quinta-feira que o Brasil enfrenta um fenômeno “sem precedentes” em relação à difusão de notícias falsas. Segundo ela, o fato preocupa o grupo de especialistas, que deu o alerta já no primeiro turno das eleições.

“Tem nos preocupado, alertamos desde o primeiro turno, e se intensificou neste segundo, o uso de notícias falsas para mobilizar vontades dos cidadãos. O fenômeno que estamos vendo no Brasil talvez não tenha precedentes, fundamentalmente, porque é diferente de outras campanhas eleitorais em outros países do mundo.”

Laura Chinchilla, que é ex-presidenta da Costa Rica, reuniu-se, em São Paulo, com o candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, a vice na chapa dele, Manuela d’Ávila, e o ex-chanceler Celso Amorim. A reunião foi solicitada pela Coligação O Povo Feliz de Novo.

Tem nos preocupado, alertamos desde o primeiro turno, e se intensificou neste segundo, o uso de notícias falsas para mobilizar vontades dos cidadãos. O fenômeno que estamos vendo no Brasil talvez não tenha precedentes

O grupo de observadores reúne 48 especialistas de 38 nacionalidades. Eles vão se dividir entre o Distrito Federal e 11 estados para o acompanhamento do segundo turno das eleições. Ao final, será elaborado um relatório.

A presidenta da missão afirmou que recebeu por escrito as denúncias sobre o esquema financiado por empresários para o envio em massa de notícias anti-PT utilizando o whatsapp. Ela disse que repassou as informações para as autoridades eleitorais e policiais brasileiras.

Laura Chinchilla disse que pretende se reunir ainda com a procuradora-geral, Raquel Dodge, para discutir essa disseminação de fake news na internet e em aplicativos. Ela não afirmou, entretanto, quando será o encontro. Para a presidente da missão de observadores, o uso do aplicativo de mensagens particulares dificulta o controle das autoridades em relação à disseminação de informações falsas, por ser uma rede privada e protegida.

“Se está usando uma rede privada, que é o whatsapp, que apresenta muitas complexidades para ser investigada pelas autoridades. É uma rede que gera muita confiança porque são pessoas próximas que difundem as notícias e é a mais utilizada, com um alcance que nunca se tinha visto antes.”

Segundo Laura Chinchilla, o controle está na conscientização do eleitorado brasileiro. “Continuaremos insistindo na necessidade de que os cidadãos aprendam e façam um grande esforço para distinguir o que é certo e o que não é. Existem muitas iniciativas que estão tentando colocar isso na mesa. Iniciativas que estão se organizando na sociedade civil, nas universidades e nos meios de comunicação.”

Se está usando uma rede privada, que é o whatsapp, que apresenta muitas complexidades para ser investigada pelas autoridades. É uma rede que gera muita confiança porque são pessoas próximas que difundem as notícias

Laura Chinchilla disse que, além das fake news, preocupa a missão o tom utilizado em alguns discursos incitando a violência a partir de divergências políticas. Apesar de episódios isolados, ela afirmou que não houve irregularidades registradas no primeiro turno.

“Temos que reconhecer que esse processo eleitoral, onde não encontramos nenhum tipo de irregularidade no primeiro turno e esperamos que seja assim no segundo, foi fortemente impactado por alguns fenômenos ligados ao clima político, sobretudo o discurso, que alertamos, tende a dividir, tende a incentivar a violência política.”

 


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