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Direitos Humanos

Personalidades lançam manifesto anti-Bolsonaro, candidato do saudosismo autoritário

Pela primeira vez desde o segundo turno da eleição de 1989, quando Collor derrotou Lula, setores progressistas se juntam contra um candidato

Cartaz antifascista da guerra civil espanhola
Da Redação
24 de setembro de 2018, 17h08

Mais de 350 personalidades brasileiras, entre atores, cantores, artistas, cineastas, professores, chefs de cozinha, economistas, escritores, jornalistas e empresários, lançaram um manifesto suprapartidário contra a eleição do candidato de extrema-direita e do saudosismo autoritário Jair Bolsonaro, pela “ameaça” que ele representa à democracia. Pela primeira vez em quase 30 anos, desde o segundo turno da eleição de 1989, quando Fernando Collor derrotou Lula, setores progressistas se juntam contra um candidato.

“Prezamos a democracia. A democracia que provê abertura, inclusão e prosperidade aos povos que a cultivam com solidez no mundo. Que nos trouxe nos últimos 30 anos a estabilidade econômica, o início da superação de desigualdades históricas e a expansão sem precedentes da cidadania entre nós”, diz o texto. “Não são, certamente, poucos os desafios para avançar por dentro dela, mas sabemos ser sempre o único e mais promissor caminho, sem ovos de serpente ou ilusões armadas.”

Mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização e somar forças na defesa da liberdade

Assinam o manifesto nomes como o dos cantores Gilberto Gil, Caetano Veloso, as atrizes Camila Pitanga e Fernanda Torres, o humorista Gregório Duvivier, a chef Bel Coelho, o ex-presidente da Petrobras Philippe Reichstul, a cartunista Laerte, os escritores Lílian Schwarcz, Milton Hatoum e Fernando Morais, o rapper Mano Brown, o jurista (e autor do pedido de impeachment de Dilma) Miguel Reale Jr., os cineastas Fernando Meirelles e Luis Bolognesi, o diretor de teatro Ivam Cabral, a cientista política Esther Solano… E a lista continua a receber adesões, no site criado para difundir o manifesto.

Os signatários fazem questão de destacar que são um grupo heterogêneo: tem gente ali que vota não só em Haddad ou Boulos, mas em Marina, em Ciro, em Alckmin, provavelmente até no Amoêdo ou no Meirelles. O que os une é a repulsa por um candidato que, se eleito, fará o Brasil retroceder à época da ditadura militar. O texto lembra a diferença entre divergir dentro da democracia e simplesmente abrir mão dela como o melhor sistema.

“Podemos divergir intensamente sobre os rumos das políticas econômicas, sociais ou ambientais, a qualidade deste ou daquele ator político, o acerto do nosso sistema legal nos mais variados temas e dos processos e decisões judiciais para sua aplicação. Nisso, estamos no terreno da democracia, da disputa legítima de ideias e projetos no debate público”, diz o texto.

Entre os signatários, há quem vota em Haddad, Boulos, Marina, Ciro, Alckmin, provavelmente até no Amoêdo ou no Meirelles. O que os une é a repulsa por um candidato que, se eleito, fará o Brasil retroceder à época da ditadura militar

“Quando, no entanto, nos deparamos com projetos que negam a existência de um passado autoritário no Brasil, flertam explicitamente com conceitos como a produção de nova Constituição sem delegação popular, a manipulação do número de juízes nas cortes superiores ou recurso a autogolpes presidenciais, acumulam declarações francamente xenofóbicas e discriminatórias contra setores diversos da sociedade, refutam textualmente o princípio da proteção de minorias contra o arbítrio e lamentam o fato das forças do Estado terem historicamente matado menos dissidentes do que deveriam, temos a consciência inequívoca de estarmos lidando com algo maior, e anterior a todo dissenso democrático.”

O texto faz referência à defesa, pelo vice de Bolsonaro, o general Mourão, de que seja feita uma nova Constituição sem deputados eleitos pelo povo, e sim através de uma comissão de notáveis escolhida pelo presidente. Mourão também defendeu a possibilidade de o presidente fazer um “autogolpe” com apoio das Forças Armadas “em caso de anarquia”. A defesa do uso de tortura já foi repetida pelo próprio candidato do PSL inúmeras vezes, assim como as declarações xenofóbicas e discriminatórias.

Líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários

“Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários”, afirma o manifesto. “É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós.”

Em 1989, no segundo turno, Mário Covas, do PSDB, e Leonel Brizola, do PDT, se uniram para apoiar Lula, do PT. De que lado ficará a Globo desta vez? Em 1989, como em 1964, optou pelo reacionarismo e apoiou Collor, que ganhou, para sofrer impeachment dois anos depois. Se bem que, comparado a Bolsonaro e seu bando de nostálgicos da ditadura, Collor parece a fina flor do progressismo.

Leia a íntegra aqui.

 

 


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