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Piada pronta: no Brasil, vice dos EUA visitará abrigo de imigrantes (da Venezuela, claro)

Enquanto nos EUA defende leis migratórias duras, Pence vem ao Brasil para, com a ajuda de Temer, fazer proselitismo usando imigrantes

Aoysio Nunes baixa a cabeça diante do vice dos EUA, Mike Pence. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Da Redação
26 de junho de 2018, 16h00

Parece piada, mas é real: em visita ao Brasil, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, vai visitar um abrigo para imigrantes em Manaus, algo que nunca fez em seu próprio país, onde estrangeiros “ilegais” estão sendo mantidos em gaiolas e separados dos filhos, inclusive 51 menores de idade brasileiros. Claro que o abrigo é para imigrantes venezuelanos.

A Venezuela, aliás, foi um dos principais assuntos da pauta da reunião desta terça-feira no Planalto entre Temer e Pence, que agem como se não tivessem problemas em seus quintais. Não é incrível que o Brasil, onde um adolescente usando uniforme escolar acabou de ser assassinado pela polícia na malfadada intervenção militar no Rio de Janeiro, e os EUA, em plena crise migratória, estejam obcecados com a Venezuela?

Não é incrível que o Brasil, onde um adolescente usando uniforme escolar acabou de ser assassinado pela polícia na malfadada intervenção militar no Rio de Janeiro, e os EUA, em plena crise migratória, estejam obcecados com a Venezuela?

Segundo a Agência Brasil, cerca de 200 venezuelanos vivem atualmente em dois abrigos administrados pela prefeitura de Manaus, onde o vice norte-americano estará. Um desses espaços, no bairro Coroado, chegou a receber 300 estrangeiros (nenhum deles em gaiolas ou separados dos filhos). No encontro, Pence disse a Temer que o Brasil tem feito “esforços importantes” no suporte à crise na Venezuela acolhendo os refugiados que sofrem com a crise no país.

 

Ao mesmo tempo que se diz “preocupado” com os venezuelanos que deixam seu país em busca de um futuro melhor no Brasil, o vice de Donald Trump defende mais rigor com quem chega aos EUA vindo do México ou de países da América Central querendo o mesmo. “Queremos que vocês e suas nações prosperem e floresçam em toda a América Central. Não arrisquem sua vida e a vida de seus filhos entrando nos EUA. Se não têm condições de entrar legalmente, não venham”, disse Pence, após encontro com Temer. O vice-presidente dos EUA mencionou que o país recebeu, no ano passado, cerca de 1,1 milhão de imigrantes legais.

“Se não têm condições de entrar legalmente, não venham”, disse Pence, após encontro com Temer, em referência a países da América Central, como El Salvador, Honduras e Guatelama

“Assim com os EUA respeitam suas fronteiras e soberania, peço que respeitem a nossa. Como diz o presidente Donald Trump, sem fronteiras não há país”, afirmou, fazendo referência específica a países da América Central, como El Salvador, Honduras e Guatelama. De acordo com Pence, o fluxo de imigrantes ilegais oriundos desses países para os EUA foi de cerca de 150 mil pessoas nos últimos meses. Ele citou que o governo está empenhado na construção de um muro na fronteira do país com o México e que o Congresso dos EUA trabalha para “fechar os hiatos (legais) que ainda servem como atração às famílias vulneráveis”.

Pence, que acha que as leis migratórias de seu país “são fracas”, foi vaiado por manifestantes contrários à política migratória na semana passada, ao chegar a um jantar beneficente em Nova York. O vice de Trump é um bom parceiro para ele nesta área. Pence tem um longo histórico contra imigrantes: em sua carreira como político republicano, sempre defendeu uma política migratória punitiva, tanto no Congresso como no governo de Indiana. Ele e seu chefe na presidência defendem o uso do termo ofensivo “aliens” (alienígenas) em vez de “imigrantes” para nomear pessoas sem documentos.

 Ao mesmo tempo que se diz “preocupado” com os venezuelanos que deixam seu país em busca de um futuro melhor no Brasil, o vice de Trump defende mais rigor com quem chega aos EUA vindo do México querendo o mesmo

No Congresso, Pence votou a favor de uma lei de 2004 que proíbe o reembolso federal de emergências hospitalares a ‘aliens’ sem documentos” e autoriza hospitais a recusar assistências a indivíduos sem documentos. Em 2006, ele apresentou um projeto descrito como “reforma migratória sem anistia”, que força todos os imigrantes sem documentos a se auto-deportarem e acaba com a cidadania pelo direito de nascença. Em 2007, poiou uma lei que defende o inglês como língua oficial dos EUA.

Como governador de Indiana, Pence ordenou que as agências estatais não auxiliassem no assentamento de refugiados sírios, o que resultou num processo movido contra ele pela American Civil Liberties Union, que Pence perdeu.

Ou seja: em casa faço uma coisa, na casa dos outros digo outra. É com essa moral que o vice-presidente dos Estados Unidos vem criticar a Venezuela? E o Brasil permite?

Com informações da Agência Brasil e da Immigration Impact

 


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