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Por muito menos derrubaram Dilma, prenderam Delcídio e querem prender Lula

O Brasil assiste atônito às últimas revelações sobre a corrupção na política brasileira, revelações estas que pouco ou nada têm a ver com o núcleo da Lava-Jato instalado em Curitiba sob a batuta do juiz Sergio Moro. O jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou a existência de gravações em que o presidente ilegítimo […]

(Moro cumprimenta Temer em solenidade do Dia do Exército, em abril. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
Cynara Menezes
18 de maio de 2017, 11h43
(Moro cumprimenta Temer em solenidade do Dia do Exército, em abril. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

(Moro cumprimenta Temer em solenidade do Dia do Exército, em abril. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O Brasil assiste atônito às últimas revelações sobre a corrupção na política brasileira, revelações estas que pouco ou nada têm a ver com o núcleo da Lava-Jato instalado em Curitiba sob a batuta do juiz Sergio Moro.

O jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou a existência de gravações em que o presidente ilegítimo Michel Temer dá aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha e o senador tucano Aécio Neves pede 2 milhões de reais ao dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, autor dos grampos. Joesley revelou ainda ter pago um total de 60 milhões de reais em propina a Aécio em 2014 e dado dinheiro a outros partidos para apoiar o tucano na campanha para a presidência da República. Ao contrário do que acontece com os petistas, nenhuma das imagens ou áudios foi divulgado até agora.

Por onde quer que se olhe, as denúncias envolvendo Temer e Aécio são imensamente mais graves do que as acusações que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff, à prisão em pleno exercício do mandato do então senador petista Delcídio do Amaral e as que pesam sobre o ex-presidente Lula. Vamos relembrar: Dilma caiu por conta de pedaladas fiscais, algo que nem estava previsto como “crime de responsabilidade” na Constituição, e não agiu ilegalmente para proteger ninguém, nem a si própria, comprando o silêncio de alguém. O mesmo não pode se dizer de Temer.

Delcídio foi preso em novembro de 2015, em flagrante, acusado de “obstrução de Justiça” por ter supostamente oferecido uma mesada de 50 mil reais para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada. Foi a primeira vez desde a redemocratização que um senador da República foi preso. Ora, me parece muito mais grave extorquir um empresário em 2 milhões de reais a pretexto de pagar seu advogado –e enviar este dinheiro à família de um senador amigo, dono de um helicóptero que já entrou para a história. Imaginem, apenas imaginem, se fosse um petista a dizer, mesmo em tom de “brincadeira”, que ia “matar” alguém, como fez Aécio.

E Lula? Em três anos de Lava-Jato, não foi encontrada nem uma prova sequer do envolvimento do ex-presidente em crimes. Vasculharam a vida de Lula inteirinha, grampearam os telefones dele e de sua família e só encontraram dois pedalinhos, um sítio em Atibaia que não lhe pertence e um apartamento tríplex no Guarujá que tampouco se conseguiu comprovar ser dele. Quanto a Temer e Aécio, bastou serem grampeados apenas uma vez para que crimes incontestáveis viessem à tona, e com provas. Gravações são provas.

Detalhe: tanto Aécio quanto Temer são campeões em citações na Lava-Jato, ao contrário de Dilma. Ao lado de Romero Jucá, do PMDB (aquele que disse que o tucano seria “o primeiro a ser comido”), Aécio acumula o maior número de pedidos de investigações na lista do ministro Fachin: cinco ao todo. O presidente Michel Temer já foi citado mais de 40 vezes na Lava-Jato.

Fica claro agora para o Brasil o que temos dito desde o princípio: que o problema da corrupção em nosso país é sistêmico e não de um só partido, como a mídia e a Lava-Jato queriam fazer com que o povo acreditasse. Também fica claro que a perseguição a Lula visava esconder os reais protagonistas de atos criminosos na política nacional, jamais condenados por nada e que seguem inimputáveis. E fica claro que Dilma realmente caiu para “estancar a sangria” da Lava-Jato. As revelações de Joesley Batista comprovam ainda o acerto do jornal New York Times ao noticiar, em abril passado (ao contrário da mídia brasileira), que o impeachment de Dilma estava sendo feito por uma gangue.

Na berlinda, o juiz Sergio Moro. O magistrado de Curitiba precisa explicar à nação por que optou por calar Eduardo Cunha, afirmando que este pretendia “constranger e intimidar” Temer com suas perguntas em vez de investigar o que ele tinha a dizer. E por que insistiu em continuar na trilha de Lula, sem nenhuma evidência, enquanto embaixo do seu nariz e ao mesmo tempo em que se desenrolava a Lava-Jato, um senador do PSDB e o presidente da República praticavam atos criminosos. Que raios de “investigação” é essa, dr. Moro?

Temer precisa cair. E Aécio tem de ser preso. Só assim nós, cidadãos de esquerda, podemos passar a acreditar que de fato se está levando a cabo uma luta séria contra a corrupção em nosso país.

 

 

 


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