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Direitos Humanos

Presidente da CDHM pede presença internacional no dia da inscrição da candidatura de Lula

A preocupação é que no dia 15 de agosto, em Brasília, se repitam os excessos policiais da era Temer-PSDB contra manifestantes

PM de SP atira contra manifestantes em protesto contra Temer em 2016. Foto: Paulo Pinto/ AGPT
Da Redação
08 de agosto de 2018, 12h46

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Luiz Couto (PT-PB), solicitou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, à Relatoria Especial para Liberdade de Expressão da OEA e ao Relator Especial para liberdade de Expressão da ONU que estejam presentes em Brasília no próximo dia 15 de agosto, quando deve ocorrer uma manifestação por ocasião do registro de candidatura a Presidente da República de Luiz Inácio Lula da Silva. Para o parlamentar, isso se justifica diante do histórico de repressão, seletiva, às manifestações populares no Brasil desde que Michel Temer assumiu a presidência.

“Hoje o comportamento das forças policiais no Brasil beira o fascismo. Isso é típico de uma ditadura, vai severamente contra a liberdade de expressão, a integridade física, a vida e os princípios básicos do Estado Democrático de Direito. O Estado reprime as manifestações seletivamente, com o objetivo claro de calar os opositores políticos do atual regime de exceção”, aponta Luiz Couto. A ONU já criticou o uso excessivo da força pela PM contra manifestações no Brasil da era Temer-PSDB.

A estudante Deborah Fabri, que ficou cega de um olho. Foto: reprodução/facebook

O comunicado relata que a repressão de protestos legítimos passou a ser sistemática no Brasil desde 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff foi deposta por um golpe midiático-jurídico-parlamentar. No documento, o deputado dá exemplos de casos em que a CDHM atuou, relativos à repressão a manifestações. Após a confirmação do impeachment no Senado, no dia 31 de agosto de 2016, as ruas de várias cidades do Brasil foram ocupadas por manifestações em defesa de seu mandato. No Distrito Federal, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e violência física. Em São Paulo, a estudante Deborah Fabri, de 19 anos, teve o olho esquerdo perfurado e ficou cega por causa da explosão de uma bomba de efeito moral em seu rosto.

Hoje o comportamento das forças policiais no Brasil beira o fascismo. Isso é típico de uma ditadura, vai severamente contra a liberdade de expressão, a integridade física, a vida e os princípios básicos do Estado Democrático de Direito

No mesmo ano, no dia 29 de novembro, milhares de pessoas tentaram se manifestar contra a Proposta de Emenda Constitucional do Teto de Gastos, mas as vias de acesso à Esplanada dos Ministérios foram fechadas pela polícia do Distrito Federal. A polícia usou cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Pessoas foram atendidas nos hospitais da região, com quadros de intoxicação pelo gás, ferimentos e fraturas. Dezenas foram presos aleatoriamente.

Entre outubro de 2016 e março de 2017, a CDHM pediu providências a autoridades sobre atos de perseguição e criminalização de movimentos sociais praticados pela Polícia Militar do Estado de São Paulo contra estudantes secundaristas, repressão policial nas ocupações de escolas secundaristas no Estado de Minas Gerais, agressão contra manifestação estudantil em defesa da educação pública no município de Santa Maria (RS).

Outro caso narrado foi o ocorrido em 17 de março de 2017, durante manifestação realizada em Itambé (PE) numa rodovia estadual, quando um dos policiais militares ameaçou atirar caso a via não fosse desocupada. Um policial disse “esse vai levar o tiro primeiro, pode mirar no peito” e outro agente faz o disparo contra a vítima. O senhor Edvaldo da Silva Alves morreu, vítima de homicídio.

A repressão de protestos legítimos passou a ser sistemática no Brasil desde que a presidenta Dilma foi deposta por um golpe midiático-jurídico-parlamentar. A ONU já criticou o uso excessivo da força pela PM nos protestos contra Temer

As manifestações contra as reformas trabalhista e previdenciária também foram reprimidas. No Rio de Janeiro, em abril de 2017, a polícia atacou os manifestantes com balas de borracha, bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio. Em maio, em Brasília, em outro protesto contra essas reformas, os governos federal e do DF usaram grande quantidade de bombas, disparadas de terra e de helicóptero, para impedir a manifestação. Houve uso de armas de fogo. Clementino Nascimento Neto, militante, perdeu a visão do olho direito em decorrência de um tiro de bala de borracha. Foram 48 feridos e sete presos.

No dia 7 de abril de 2018 manifestantes que estavam concentrados na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, esperando a chegada ao local do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, foram atingidos por bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Pelo menos dez pessoas foram feridas e encaminhadas para o hospital. Para Luiz Couto, houve “seletividade” na ação policial porque toda a ação policial foi direcionada apenas aos manifestantes que apoiavam Lula.

“O direito ao protesto é formado pela conjunção de três pontos: o direito à liberdade de expressão, à liberdade de reunião e à liberdade de associação. São direitos humanos fundamentais protegidos pelo Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos e pela Constituição brasileira. Eles deveriam ser observados pelos agentes públicos ao lidar com manifestações”, lembra o deputado Luiz Couto.

O Código de Conduta para Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei foi, de acordo com o comunicado, violado nas situações narradas. A norma internacional estabelece que os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando estritamente necessária e na medida exigida para o cumprimento do seu dever. Os Princípios Básicos Sobre o Uso Da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, das Nações Unidas, também foram desrespeitados, principalmente no que diz respeito à moderação e à proporcionalidade.

Leia aqui a petição na íntegra.

Com informações da assessoria de imprensa da CDHM

 


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Sergio em 08/08/2018 - 14h16 comentou:

Primeiramente vamos ver haverá manifestantes. Quando Lula esteve “preso” em São Bernardo do Campo, onde estavam os milhões de eleitores do Lula? Quando ele foi levado coercitivamente para depor, onde estavam os milhões de eleitores do Lula? Quando ele depôs ao juiz Sérgio Moro, onde estavam os milhões de eleitores do Lula? Quando saiu a sua condenação e confirmada na segunda instância, onde estavam os milhões de eleitores do Lula?

Haverá manifestantes? Sim! Mas, nem Lula, infelizmente, tem tido a capacidade de mobilizar as massas.

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Sergio em 10/08/2018 - 09h33 comentou:

Sei que não é o assunto. Mas, um soldado da PM, Juliane dos Santos foi assassinada. Assim como o caso da vereadora carioca, Marielle Franco, devemos também clamar por justiça.

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Emoji do Lula em 11/08/2018 - 10h12 comentou:

Estarei lá dia 15/08. Lula2018!

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Line em 11/08/2018 - 16h51 comentou:

O Lula está em primeiro lugar nas pesquisas através desses eleitores virtuais.

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Marcos em 12/08/2018 - 07h18 comentou:

A desmilitarização das polícias precisa ser pauta nos fóruns sociais! O judiciário pátrio legítima ações policiais e quem ousa desafiar acaba sendo réu, diga-se atentar contra a vida dos policias!! É evidente que o status quo usa seu aparato policial para manter essa estrutura de privilégios.
O funcionalismo público estatal a serviço do poder, fato! Está na hora do embate a essa estrutura vertical de poder!

O texto demonstra reflexões de que o estado policial precisa ser questionado…porque a polícia brasileira é muito forte e perigosa, e com alta capacidade de mobilizar e, infelizmente, matar!

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