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Rebelião monetária na Venezuela: prefeitura de Caracas cria moeda própria

Esta é a quarta moeda criada no país para driblar a guerra econômica imposta ao governo Maduro pelos EUA e produtores nacionais

A prefeita Erika Farias e os Caribes. Foto: Eduardo Vegas/Prefeitura de Caracas
Da Redação
16 de abril de 2018, 17h22

Uma rebelião monetária está acontecendo na Venezuela para combater a guerra econômica imposta pelos EUA e produtores locais contra o governo de Nicolás Maduro.

A prefeita de Caracas, Erika Farías, lançou neste domingo uma moeda própria, o Caribe, para driblar a escassez de produtos e a falta de dinheiro em efetivo. “O Caribe vai derrotar a guerra econômica imposta pela direita nacional. Ser Caribe é ser rebelde, não desistir, não se ajoelhar, é lutar. Ser Caribe é ser criativo, é reconhecer o inimigo e combatê-lo em qualquer terreno e por isso estou mostrando nossa rebeldia Caribe num terreno complexo como é o da economia, mas não há lugar onde o Caribe não possa vencer e ganhar”, disse a prefeita chavista de 45 anos.

A moeda, em notas de 5, 10, 20, 50 e 100, poderá ser usada na compra de alimentos vendidos pela prefeitura. Uma das principais causas da crise venezuelana é a ocultação de mercadorias pelos produtores para que não cheguem às prateleiras (“acaparamiento”) e a consequente inflação nos preços dos artigos de primeira necessidade. Segundo a prefeita, a ideia de criar uma nova moeda surgiu também para combater o contrabando do Bolívar, a moeda oficial, que é vendido ilegalmente dentro e fora do país por um valor maior do que marca o bilhete, outra ação da guerra econômica contra o país.

Os caraquenhos poderão usar o Caribe nas “verbenas”, feiras que a prefeitura está promovendo para vender principalmente produtos alimentícios (peixe, carne, verduras, frutas, arroz, farinha de milho, café) e de higiene pessoal. “A meta é chegar a 22 verbenas por semana. Seguiremos trabalhando para que Caracas seja abastecida”, disse Erika. Nos locais, haverá um ponto para transferência bancária eletrônica de bolívares e aquisição dos Caribes. Cada Caribe vale 1.000 bolívares.

Em fevereiro, Maduro lançou uma criptomoeda, o petro, lastreada no ouro e no petróleo em vez de indexada ao dólar, como uma forma de afrontar as sanções econômicas e financeiras impostas pelos EUA e União Europeia

O Caribe é a quarta moeda criada na Venezuela como estratégia para driblar a guerra econômica. Em fevereiro, o presidente Maduro lançou uma criptomoeda, o petro, lastreada no ouro e no petróleo em vez de indexada ao dólar, como uma forma de afrontar as sanções econômicas e financeiras impostas pelos EUA e União Europeia. No domingo, 15 de abril, Maduro recebeu o presidente da Bolívia, Evo Morales, para discutir a adoção do petro como moeda criptografada no comércio entre os dois países. O presidente venezuelano afirmou que o petro já funciona “em um grande número de países” e que irá divulgar um balanço sobre a criptomoeda em breve.

Em dezembro passado, um coletivo do bairro 23 de Enero, reduto chavista da capital venezuelana, criou o Panal, equivalente a 5 mil bolívares, para ser utilizado por seus moradores na compra do arroz produzido pelo próprio coletivo que criou a moeda.

Em março, a cidade de Elorza, a 700km de Caracas, também criou sua própria moeda. O presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional venezuelana, de oposição, reconheceu que a crise está impulsionando o surgimento de “mini-bancos centrais” no país.

 

 


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Matheus Battistoni em 19/04/2018 - 18h50 comentou:

Viva a Venezuela! A resistência deste povo nos causa inveja! Simon Bolivar não morreu!

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