Sejamos francos: só quem lamenta de fato a absolvição da chapa Dilma-Temer é o povo

(foto: TSE)

(Foto: TSE)

A absolvição da chapa Dilma-Temer pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta sexta-feira, 10 de junho, é o acontecimento mais deprimente de nossa história recente, porque expõe de forma indiscutível como a corrupção está entranhada na política e no judiciário brasileiros. Dá até desânimo olhar para o futuro sabendo que dependeremos de instituições carcomidas como o TSE para garantir o funcionamento de nossa frágil democracia.

Tudo o que aconteceu naquele plenário nos três dias de julgamento foi um grande teatro, desde os votos contrários à cassação da chapa até os favoráveis, com direito ao grand finale do maior protagonista do espetáculo, o ministro Gilmar Mendes, dando o voto de Minerva. Uma ópera-bufa onde o elemento destoante era o relator Herman Benjamin, como um ator dramático deslocado no meio de uma imensa palhaçada.

Mas o mais desalentador é saber que, no fundo, toda a classe política se alegrou com o resultado. Vamos ser francos?

– Temer ficou feliz porque continua no cargo e ainda posa como defensor “das instituições democráticas”.

– Dilma ficou feliz porque manteve seus direitos políticos intactos e mostrou para a nação os “dois pesos e duas medidas” aplicados para arrancá-la da presidência.

– O PSDB ficou feliz ao ver sua própria ação ser rejeitada porque, afinal, o que queria era tirar Dilma do cargo, e poderá continuar a ser sócio do governo que patrocinou até o fim.

– O PT ficou feliz porque sua campanha de 2014 foi absolvida e se confirmou que a Justiça no Brasil só funciona se houver petistas envolvidos.

– A mídia ficou feliz porque poderá criticar o TSE e Temer e transmitir a impressão de que defende a moralidade na política enquanto chantageia o governo para conseguir mais dinheiro público na forma de anúncios publicitários.

– Os procuradores da Lava-Jato ficaram felizes porque se fortaleceram como “bastiões da ética” no meio da lambança geral.

– A direita ficou feliz porque o seu poder dentro da “Justiça” brasileira ficou ainda mais evidente.

– A esquerda ficou feliz porque a farsa do julgamento comprovou que tínhamos razão quando denunciamos que a destituição de Dilma era um golpe para estancar a Lava-Jato e que a Justiça em nosso país está tão corrompida quanto a política. Além disso, Temer é o adversário ideal: fraco, pusilânime, rodeado de ladrões, inimigo dos trabalhadores.

O único que irá sofrer de fato com esta decisão é o povo brasileiro. É o povo, sobretudo os mais pobres, que vai sentir no couro as “reformas” de Temer e o saco de maldades do qual ainda sacará “surpresas” até sair do cargo, em 2018, se sair. É o povo que vai perder direitos arduamente conquistados. Quando é que o povo vai se dar conta disso e ir às ruas contra Temer?

 

 

 

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Publicado em 11 de junho de 2017