Ricos prestam menos atenção a seus semelhantes na rua, aponta estudo

Publicado em 1 de novembro de 2016
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(Foto: Richard Sandler, Nova York, 1981)

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Nova York publicado este mês na revista Psychological Science demonstrou que pessoas que se definem como de classe alta têm menor capacidade de prestar atenção em quem passa por elas na rua do que as mais pobres. Quer dizer: aquela impressão de que os mais ricos desviam o olhar quando cruzam com outras pessoas não é só impressão.

“Através de estudos de campo, em laboratório e online, descobrimos que outros seres humanos são mais propensos a atrair a atenção dos indivíduos de classe mais baixa do que a atenção de indivíduos de classe superior”, afirma a psicóloga Pia Dietze, uma das coordenadoras do estudo, em release divulgado pela universidade. “Como outros grupos culturais, a classe social afeta o processamento da informação de uma maneira difusa e espontânea”.

Em um dos experimentos, os pesquisadores distribuíram Google glasses a um grupo de 61 pessoas de diferentes classes sociais para que caminhassem em um quarteirão de Manhattan, sob a justificativa de que estariam participando de um teste sobre o dispositivo. Eles andavam a pé, com os óculos filmando todas as coisas que capturavam sua atenção. Os pesquisadores, então, analisaram o material cruzando com a classe social e também a etnia.

Os resultados mostraram que a classe social não importa em relação ao número de vezes que as pessoas olham para quem cruza seu caminho, mas está associada ao tempo que cada um gasta de fato olhando para elas. Participantes que se definiram como de classes mais altas passaram menos tempo olhando para as outras pessoas do que as de classes mais baixas. Em resumo: os ricos possuem uma capacidade bem maior do que os mais pobres de ignorar os outros seres humanos. Que bênção, hein?

Dois outros estudos mostraram resultados semelhantes: enquanto os mais ricos mal passam os olhos nas pessoas com quem cruzam na rua, os mais pobres efetivamente olham para elas, tardando mais em virar o rosto. Descobertas adicionais sugerem que esta diferença não é deliberada e sim inconsciente.

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(“Se este pôster fosse um jovem sem-teto, a maioria das pessoas não iria nem se preocupar em olhar para baixo”)

Em um estudo feito online, 393 participantes tinham que identificar, entre diferentes imagens, cada qual contendo um rosto e cinco objetos, quais eram as mesmas e quais eram diferentes. Os participantes mais ricos demoravam mais para notar que um rosto mudou do que os mais pobres. Ou seja, para os mais ricos os rostos não se diferenciavam muito, pareciam idênticos… Quanto aos objetos, ambos notaram igualmente as mudanças, sem diferença quanto à classe social.

Imaginem em relação a um sem-teto como será. Veja este experimento sobre a forma como enxergamos (ou não) as pessoas que moram na rua. Irmãos, tios e primos dos participantes ficavam nas calçadas, vestidos como mendigos, para ver se eram reconhecidos pelos próprios familiares. O que aconteceu?

 

 

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12 coisas banais que podem fazer você levar um tiro se for negro nos EUA

Publicado em 21 de julho de 2016

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Por Narjas Zatat, no Independent

1. Carregar um caminhão de brinquedo

Charles Kinsey, um terapeuta que estava tentando ajudar seu paciente autista, foi baleado pela polícia na quarta-feira 20. O paciente dele estava segurando um caminhão de brinquedo que a polícia confundiu com uma arma. Kinsey felizmente sobreviveu e denunciou o caso no hospital.

2. Brincar com uma arma de brinquedo

A polícia foi chamada em um parque por pessoas que não tinham certeza se a arma com a qual Tamir Rice, de 12 anos, estava brincando, era real ou não. Os policiais pediram para ele colocar as mãos para cima e quando elas passavam na altura da cintura, atiraram duas vezes. O menino não ameaçou o policial nem apontou a “arma” para ele.

3. Segurar cigarros na rua

Eric Garner foi imobilizado no chão por dois policiais que se aproximaram dele com a suspeita de que estivesse vendendo cigarros ilegalmente. Garner negou, mas a polícia tentou prendê-lo de qualquer jeito. Garner morreu após receber uma gravata -o que é proibido pela polícia de Nova York. Suas últimas palavras, “Não posso respirar”, junto com #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam), viraram símbolo dos protestos anti-armas em todo o país.

4. Andar por uma área residencial

Em 2012, Trayvon Martin foi baleado e morto pelo segurança voluntário George Zimmerman. Martin estava caminhando ao telefone numa rua residencial junto com sua namorada quando Zimmerman se aproximou dele, perguntando por que estava lá. Após uma discussão, Zimmerman atirou e o matou. Ele foi absolvido por assassinato em segundo grau. Em maio, a arma que matou o adolescente de 17 anos de idade foi leiloada por mais de 100 mil dólares.

5. Segurar um celular

Em 2015, Keith Childress, de 23 anos, foi baleado e morto pela polícia após eles confundirem o telefone celular em sua mão com uma arma.

6. Abrir uma porta

Em Chicago, Bettie Jones, de 55 anos, estava desarmada quando abriu a porta da frente após denúncias de violência doméstica. A polícia atirou e matou-a “acidentalmente”.

7. Ter problemas mentais

Em 2014, o policial Christopher Manney atirou em Dontre Hamilton 14 vezes após uma chamada sobre seu comportamento. Apesar de ele não estar fazendo nada ilegal nem sendo violento, resistiu no momento de ser revistado e isso o levou a ser morto. Sua família disse que ele sofria de esquizofrenia, mas não era violento.

8. Usar a escada

Akay Gurley, de 28 anos, estava descendo a escada com a namorada no edifício onde morava quando foi baleado e morto pelo policial de Nova York Peter Liang.

9. Tomar analgésico

Rumain Brisbom foi baleado e morto após um policial se aproximar de seu carro suspeitando que estivesse envolvido em tráfico de drogas. O policial disse a ele para sair e apontou a arma em sua direção. Quando aproximou a mão da cintura, e após uma breve luta, Brisbon foi fatalmente baleado. Depois se descobriu que ele estava procurando por um frasco de oxycodone -um analgésico.

10. Correr

Freddie Gray, de 25 anos, foi parado porque correu após ver a polícia nas proximidades. Eles o pegaram e o prenderam por alegadamente possuir um canivete ilegal. Ele morreu morreu uma semana depois, sob custódia da polícia, de uma lesão na medula.

11. Andar de bicicleta

Em agosto de 2015, Dante Parker andava de bicicleta em seu bairro. A polícia, respondendo a uma denúncia de roubo, usou uma taser (arma de choque) 25 vezes nele e é acusada de negar ajuda médica. Aparentemente a aparência dele era similar à descrição do acusado de roubo.

12. Pedir socorro

Em 2013, Johathan Ferrell bateu seu carro e tentou conseguir socorro. Uma mulher chamou a polícia e quando o policial chegou não se identificou nem deu nenhum comando, apenas atirou nele 12 vezes.

Este artigo foi inspirado no vídeo abaixo: 23 formas de ser morto se você for negro nos EUA

 

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Grandes enganações do capitalismo: o CD

Publicado em 5 de julho de 2016

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Existe tecnologia mais fail do que CD? A porcaria arranha, quebra, fura, mofa, descasca ou simplesmente NÃO TOCA! Quem nunca passou raiva com um CD que fica rodando, rodando, rodando e zunindo sem parar? Aí você troca de aparelho para testar e o troço continua pulando de faixa em faixa feito um demônio e nada de música… Sem contar que os próprios CD-players também vivem encrencando. Está para nascer quem não tenha um aparelho velho de CD encostado em casa. Ou vários, uma espécie de cemitério de CD-players inúteis.

Já comentei aqui sobre o manjado truque do capitalismo de criar necessidades: convencer as pessoas de que elas precisam de algo que na realidade não precisam. Foi assim com os CDs. Fico pensando no momento em que nos convenceram a todos de que o disco de vinil era algo obsoleto e que os CDs eram muito melhores, mais práticos e duráveis. Resultado: a maioria de nós jogou fora todos os LPs e compactos que colecionamos durante a vida inteira, alguns deles relíquias de família. Que burrice!

Fomos convencidos ainda a comprar equipamentos ultra-sofisticados para tocar os CDs e impressionar as visitas. Lembro de gente que tinha umas CDtecas enormes, com aparelhos que tocavam vários CDs de uma vez, e quem comprava aquilo adorava se exibir, era símbolo de status. O tempo mostrou quão ilusório isso era: os CDs não duram nada se não estiverem em condições de armazenamento, umidade etc. “ideais” e aqueles aparelhos “de última geração” quebram com a maior facilidade. Para consertá-los, as assistências técnicas cobram os olhos da cara, e muita gente acabava preferindo comprar outro. Nada mais lucrativo para os fabricantes.

Os CDs eram mais portáteis, isso é verdade, do que os velhos bolachões. Você podia levar vários numa viagem de carro, por exemplo. Quanto aos CD-players, a maior vantagem apontada era a possibilidade de pular a música apenas com um toque de botão ou no controle remoto, sem precisar levantar para mexer no disco, como acontece com os LPs. Essa, pensando bem, deve ser a maior desvantagem do CD diante do vinil: criar uma geração inteira de gente com preguiça até de levantar para trocar um disco de lado.

Com o advento do MP3, o CD, que supostamente duraria 200 anos, foi praticamente abandonado. Hoje inclusive tem mais gente que escuta música direto em aplicativos como o Spotify. Aquela “tecnologia moderníssima” foi para o limbo. Não conheço quase ninguém que escuta CDs atualmente. Em compensação, muitos amigos voltaram a ouvir os velhos vinis. Sorte de quem não seguiu a onda e os salvou da lata de lixo. E, surpresa: basta passar um paninho que eles tocam que é uma maravilha!

Não vou entrar aqui na polêmica nunca resolvida sobre qual dos dois possui o melhor som, o CD ou o vinil. Acho que é, acima de tudo, uma questão de gosto. Mas o fato é que os vinis não estragam! O máximo que pode acontecer com eles é arranhar. Se você deixá-los guardado um tempo, não vai precisar de muita coisa além de esponja e sabão para tê-los tinindo novamente. Agora faça o mesmo com um CD, deixe-os esquecidos durante décadas: eles ficam imprestáveis!

As caixinhas dos CDs são outra coisa abominável. Feitas em plástico, elas quebram no primeiro descuido e ficamos com vários discos sem caixa até conseguir outras – e aí obviamente eles estragam ainda mais facilmente. Impossível não comparar com as belíssimas capas dos LPs de vinil, em papel, perfeitamente duráveis. Tenho discos com mais de 40 anos aqui em casa e com as capas novinhas.

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(Esse disco do Police é de 1978…)

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(…e esse da Rickie Lee Jones é de 1991. Novinhos!)

Os aparelhos para tocar vinil podem ser supersimples, analógicos. Ou seja, como Fuscas, raramente quebram. O melhor é voltar à velha vitrolinha e comprar algo bem rudimentar, que serve apenas para… tocar disco. Foi o que eu fiz. Tínhamos em casa um 3 em 1 velho que estava há anos encostado e foi parar no quartinho dos fundos. Comprei uma vitrola e voltei a ouvir meus discos e alguns usados que comprei em sebos, todos em excelente estado. A vitrolinha também é capaz de transformar meus velhos LPs em MP3. O melhor da velha e da nova tecnologias.

Fala sério: fomos ou não fomos trouxas ao cair no conto do CD? Bem, eu nunca joguei meus LPs fora e agora estou tendo o prazer de escutá-los na vitrola. Nada mais gostoso do que aproveitar os momentos de folga ouvindo-os um por um, com seu som inigualável. Sem a menor preguiça de levantar, trocar de lado, escolher outro… Delícia.

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(O cantinho que eu fiz pros meus amados LPs)

 

 

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