Morre Fidel, o penúltimo de uma geração que ensinou ao mundo que era possível se rebelar

Publicado em 26 de novembro de 2016
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(Pausa na revolução para ler. Foto: Andrew St. George)

Não sou fã incondicional de Fidel Castro. Consigo ver seus erros e admirá-lo pelos seus acertos. Fidel foi uma das figuras históricas mais importantes de todos os tempos. Com ele, se vai o penúltimo de uma geração que ensinou ao mundo que era possível se rebelar contra o sistema, que era possível não ficar calado, de cabeça baixa, se resignando com as injustiças, com a miséria, com a fome. Penúltimo porque ainda resta Raúl, seu irmão e parceiro, coadjuvante de uma história em que Fidel foi um dos indiscutíveis protagonistas.

Quais foram os erros? Para mim, o maior deles foi, como em quase todas as experiências de socialismo real, confundir socialismo com falta de democracia. Quase todas: no Chile de Salvador Allende nunca se censurou ou executou ninguém por discordar do regime. Mas durou pouco.

O grande equívoco de Fidel e dessa geração de comunistas, em que pese seu brilhantismo, foi achar que é possível todo mundo pensar do mesmo jeito. Deste erro se originaram todos os demais: os fuzilamentos, a perseguição aos homossexuais, a censura. É impossível, num país, estado ou cidade, que todos os cidadãos pensem da mesma maneira. É impossível haver um lugar onde todo mundo seja socialista (e a recíproca é verdadeira). Não é natural no ser humano a ausência de divergência.

E os acertos de Fidel? O maior deles foi representar, ao longo de 60 anos, um colossal contraponto a um império gigantesco e a uma concepção hegemônica de mundo, e apenas com palavras. Por isso discursos tão longos: o verbo sempre foi sua principal arma contra os inimigos. Ao contrário dos Estados Unidos, Cuba jamais invadiu país algum, só se defendeu. Envia médicos a outros países, não soldados. Fidel escapou de 638 tentativas de assassinato, das maneiras mais absurdas possíveis: desde plantar uma mulher para seduzi-lo e envenená-lo até um charuto explosivo.

Para conhecer Fidel e o porquê de ele inspirar gerações a combater as desigualdades e a injustiça no mundo, o melhor a fazer é olhar menos para o Fidel dos primeiros anos da revolução e mais para o Fidel derradeiro: ler os artigos que ele escrevia para o Granma, órgão oficial do Partido Comunista cubano. Ali está toda a filosofia dos seus últimos anos sobre a terra.

Fidel evoluiu muito como ser humano e foi capaz de reconhecer alguns erros do passado, como em relação aos homossexuais. “Foi um momento de grande injustiça e fomos nós que fizemos isso”, disse ao diário mexicano La Jornada em 2010. Era, ao final da vida, um estudioso das ciências, um homem interessado em medicina tradicional e nas plantas medicinais, na agricultura orgânica, na questão climática e ambiental e, claro, na crise do capitalismo.

O mundo fica pior sem Fidel Castro. Não porque fosse perfeito, mas porque representava, paradoxalmente, o que reprimiu durante tantos anos entre os seus conterrâneos: uma voz dissonante em um mundo onde se quer impor o pensamento único de que acumular é o verdadeiro sentido da vida, sem se importar em destruir tudo no caminho. Com erros e acertos, passará à História como um homem valente que lutou a vida inteira por algo que parece em extinção: ideais. Um revolucionário até o fim.

Algumas frases dos últimos textos de Fidel Castro:

“Embora muitas pessoas no mundo sejam enganadas pelos órgãos de informação, quase todos em mãos dos privilegiados e dos ricos, que publicam estas imbecilidades, as pessoas acreditam cada vez menos nelas. Ninguém gosta de ser enganado.”

“Os povos aprendem e a resistência cresce frente às crises do capitalismo, que se repetem cada vez com maior frequência; nenhuma mentira, repressão ou novas armas poderá impedir a derrocada de um sistema de produção crescentemente desigual e injusto.”

“A América Latina e o Caribe, em seu conjunto, dispõem de terra, água e recursos energéticos sem necessidade de promover a produção de gás de xisto mediante fratura hidráulica como fazem os Estados Unidos, com riscos provados para a própria saúde dos cidadãos desse país.”

“Tenho ideias do que se pode e deve ensinar a uma criança. Considero que a falta de educação é o maior dano que lhe podem fazer.”

“Considero que lhe faltou altura ao discurso do Presidente dos Estados Unidos quando visitou o Japão, e lhe faltaram palavras para escusar-se pela chacina de centenas de milhares de pessoas em Hiroshima, apesar de que conhecia os efeitos da bomba. Foi igualmente criminal o ataque a Nagasaki, cidade que os donos da vida escolheram ao acaso. É por isso que resulta preciso martelar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência se tome o direito de matar milhões de seres humanos.”

“Lutar pela paz é o dever mais sagrado de todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas religiões ou país de nascimento, a cor de sua pele, sua idade adulta ou sua juventude.”

“A saúde física e mental, e o espírito de solidariedade são normas que devem prevalecer, ou o destino do ser humano, este que conhecemos, perder-se-á para sempre. Os 27 milhões de soviéticos que morreram na Grande Guerra Pátria fizeram-no também pela humanidade e pelo direito a pensar e a ser socialistas, ser marxistas-leninistas, ser comunistas, e a sair da pré-história.”

“Cada dia podemos aprender algo novo. Ajudar os demais e ajudar-nos no possível a nós mesmos.”

“A esmagadora vitória de 1959, podemos afirmá-lo sem sombra de chauvinismo, converteu-se em exemplo do que uma pequena nação, lutando por si própria, pode fazer também pelos outros.”

“Eu respeito todas as religiões embora não sejam professadas por mim. Os seres humanos procuram uma explicação da sua existência, desde os mais ignorantes até os mais sábios.”

“Ninguém que seja honesto concordará jamais com os atos terroristas, mas, acaso o Presidente dos Estados Unidos tem o direito de julgar e o direito de matar; a se converter em tribunal e ao mesmo tempo em carrasco e levar a cabo tais crimes, em um país e contra um povo situado no lado oposto do planeta?”

“As multinacionais ianques jamais vão renunciar ao controle das terras, das águas, das minas, dos recursos naturais de nossos países.”

“Verdade, compatriotas, que o capitalismo é coisa maravilhosa! Se calhar somos os culpados de que cada cidadão não tenha um submarino particular na praia.”

“Marxistas e cristãos sinceros, dos quais conheci muitos; independentemente de suas crenças políticas e religiosas, deviam e podiam lutar pela justiça e pela paz entre os seres humanos.”

 

 

 

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Viagem à Transnistria, o país que não existe –mas é a última “província soviética”

Publicado em 11 de outubro de 2016

(Celebração do Primeiro de Maio na Transnitria. Foto: Julia Autz)

No livro O Púcaro Búlgaro, o romancista mineiro Campos de Carvalho (1916-1998) conta a história de uma cômica expedição à Bulgária –como tentativa de “provar” que o país, na verdade, não existe. A narrativa surreal, publicada pela primeira vez em 1964 e considerada um clássico da literatura brasileira, só errou de lugar. Existe um país que não existe a 744 km da fronteira búlgara: a Transnistria ou República Moldávia Pridnestroviana. A Transnistria não só não existe como pode ser considerada a última província soviética, embora a União Soviética tenha acabado há 25 anos.

Vocês pensam que é ficção? Pois a fotógrafa alemã Julia Autz esteve no país que não existe e, tal qual os companheiros de viagem do protagonista de O Púcaro Búlgaro, documentou a não-existência do lugar. Como é possível um país não existir? Em 1990, quando a Moldávia se separou da União Soviética, uma pequena aldeia gaulesa, ops, um pequeno país com cerca de 500 mil habitantes não quis se desvincular do passado comunista e se declarou independente, situação em que se encontra até hoje.

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A Transnistria não foi reconhecida pelas Nações Unidas, que, 26 anos depois e apesar de possuir governo próprio desde então, ainda a considera parte da Moldávia. Só três países no mundo reconhecem a existência da Trasnistria, todos tampouco reconhecidos pela ONU: a Abecásia, a Ossétia do Sul e Nagorno-Karabakh. Juntos, os quatro formaram a Comunidade para a Democracia e Direitos das Nações, mais conhecida como Comunidade dos Estados Não-Reconhecidos, uma espécie de Brics de países pequeninos órfãos da União Soviética que se recusam a fazer parte de outros. Uns irredutíveis, sem dúvida.

Geograficamente, a Transnistria se situa ao leste da Moldávia, fina, comprida e comunista como um Chile que não tivesse tido Pinochet. Ao contrário de tantos países da região que derrubaram os monumentos aos heróis da revolução russa, uma estátua de Lenin continua intacta em frente ao Parlamento, em Tiraspol, capital do país. Na Transnistria, o muro de Berlim continua de pé e a União Soviética só morreu em seu coração, ingrato. A bandeira do país, aliás, é a única por aquelas plagas que ainda ostenta a velha foice e martelo.

(A estátua de Lenin em frente ao Parlamento. Foto: Moldovaoffrecord)

(A estátua de Lenin em frente ao Parlamento. Foto: Moldovaoffrecord)

Se tivesse que escolher, o país preferia voltar a ser anexada à “mãe” Rússia do que à Moldávia –o que até seria possível se não houvesse uma Ucrânia no meio do caminho. A Rússia tem se comprometido em proteger a Transnitria, mas não a reconhece como país independente. Em maio deste ano, o presidente Yevgeny Shevchuk voltou a declarar seu desejo de que a Transnitria se una em “um Estado comum” com a terra de Vladimir Putin, como nos gloriosos tempos da URSS.

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(Emblema oficial da Transnitria com a foice e o martelo)

Em entrevista à revista londrina Huck, a fotógrafa Julia Autz contou que ir à Transnitria é como “uma viagem no tempo, como se o tempo não tivesse passado por lá. Há muitas coisas remanescentes da era soviética em toda parte e monumentos que mostram que o passado ainda é presente. Há uma atmosfera muito especial de nostalgia sem fim pelo passado soviético. Mas também há uma presença muito forte de militares onde quer que você vá”.

Considerada um “museu vivo da era soviética”, a Transnitria aproveita a fama. Agências de viagens oferecem diversos roteiros no país, inclusive um “tour soviético”, perfeito para bolcheviques nostálgicos. Uma das atrações é a destilaria Kvint, na capital Tiraspol, famosa por fabricar a bebida favorita do cosmonauta Yuri Gagarin.

Foi complicado para a fotógrafa alemã se comunicar, porque não havia muita gente que falasse inglês em Tiraspol, mesmo entre os jovens. Quem falava inglês não parava de lhe perguntar: “O que você está fazendo aqui? Você é uma espiã? Você esteve na Disneylândia? Você gosta do Putin?” No geral, ela achou tudo “muito frio e depressivo”. “Muitos jovens querem deixar o país porque está cada vez mais difícil achar um trabalho que pague o suficiente, para não mencionar que os diplomas da Universidade da Transnitria não são reconhecidos fora do país. Muitos garotos me falaram que sonham em estudar na Rússia”, disse Julia.

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(Jovens da Transnitria. Foto: Julia Autz)

Veja mais fotos da última província soviética (que não existe) no site de Julia Autz.

 

 

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Por que os capitalistas têm tanto medo dos comunistas? Algumas hipóteses

Publicado em 11 de julho de 2016

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É impressionante o pavor histórico que os capitalistas têm do comunismo. Basta mencionar a palavra “comunista” que alguns direitistas entram em pânico. Interessante que a recíproca não é verdadeira: comunistas e socialistas não têm nem nunca tiveram o menor medo dos capitalistas. Nossa reação diante do capitalismo sempre foi de desprezo e de luta, jamais de covardia.

O medinho que os reaças sentem do comunismo é tão grande que agora querem proibir que se mencione em sala de aula o nome de Karl Marx, um dos filósofos mais importantes da história da humanidade. Recentemente, uma brincadeira feita por estudantes no Paraná, que transformaram as ideias marxistas em um funk, causou chiliques na direita brasileira ao ponto de a professora que ensinava a matéria ser suspensa.

Afinal, o que pode acontecer quando uma professora ensina sobre marxismo em classe? Na cabeça dos reaças, o efeito óbvio é que todos os alunos se tornarão comunistas. Quem dera fosse verdade! A direita trata os jovens como se eles não fossem seres pensantes, capazes de discernir o que concordam do que discordam. Ainda mais na escola, quando a coisa mais comum do mundo é pensar o oposto do que o professor fala… Engraçado que a lavagem cerebral empreendida pela mídia (de direita), muito mais efetiva, não os incomoda nem um pouco, né?

Bem, vou levantar aqui algumas hipóteses para o medo, o pânico, a paúra, dos direitistas diante do comunismo. Acompanham o post cartazes clássicos de propaganda anticomunista da guerra fria, época que a direita brasileira aparentemente nunca superou.

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Hipótese 1: Os reaças têm medo do comunismo porque acham que serão assassinados quando “o comunismo chegar”

O ataque aos comunistas tendo como base fatos ocorridos no século passado é um must entre a reaçada que pouco leu de fato sobre o socialismo. Eles adoram se referir aos regimes totalitários que mataram em nome do comunismo no início do século 20 e também aos fuzilamentos do regime cubano. Falam em “milhões de mortos” pelo comunismo, embora prefiram ignorar a quantidade de mortos pelo capitalismo, por fome e guerras, desde que os países comunistas acabaram, 25 anos atrás. Cuba já não fuzila ninguém desde 2003. Naquele ano, comunistas históricos como José Saramago protestaram e romperam com Fidel Castro, mas não deixaram de ser comunistas ou socialistas –assim como muitos dos perseguidos por Stalin foram comunistas até à morte. Enquanto isso, os EUA, por exemplo, continuaram assassinando gente no seu país e no dos outros: calcula-se que o governo norte-americano tenha matado cerca de 9 milhões de pessoas no Oriente Médio e na Eurásia entre 1945 e 2015. Além disso, a ideia de luta armada foi sendo revista ao longo das últimas décadas pelos próprios esquerdistas –eu, por exemplo, acredito que não há mais espaço para este tipo de coisa, acho que a revolução datou e que a defesa de uma sociedade armada combina muito mais com a direita. Finalmente, não há nada mais improvável atualmente do que a “chegada” do comunismo. Este medo, portanto, é uma viagem das mais insanas. Ter medo da polícia é mais racional: só em 2015, a polícia do Rio de Janeiro matou 25 pessoas a cada policial morto, segundo a Human Rights Watch.

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Hipótese 2: Os reaças têm medo do comunismo porque acham que os comunistas confiscarão seus bens

Vivemos em sociedades democráticas e os partidos comunistas estão sujeitos a todas as regras que valem para os demais partidos. É mais fácil o PSDB, que está no governo, confiscar os bens de alguém do que os partidos comunistas. Ou a Petrobras não é um bem nosso, do povo brasileiro? O PCdoB está governando o Estado do Maranhão há dois anos. Perguntem aos maranhenses se perderam alguma coisa ou se ganharam desde que a oligarquia dos Sarney foi derrotada pelo comunista Flávio Dino. O que nós, comunistas e socialistas, queremos não é confiscar os bens das pessoas e sim que todos tenham direito a possuir bens. Na verdade, o que a direita parece temer é que a maioria dos cidadãos possam ter acesso aos bens de consumo que eles tanto endeusam, porque aí deixarão de se sentir “diferenciados” da população em geral.

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Hipótese 3: Os reaças têm medo do comunismo porque acham que o Brasil vai virar uma Venezuela

Para começo de conversa, cada país tem suas próprias características geográficas, raciais, econômicas etc. e sua própria história. É impossível, portanto, que um país se transforme em outro. Os problemas da Venezuela estão relacionados ao governo e à oposição de lá, e não ao socialismo. Não é o socialismo quem está mandando os empresários esconderem produtos para sabotar o presidente Nicolás Maduro; e não é o socialismo quem está fazendo Maduro tomar decisões equivocadas. Esta confusão entre governo e socialismo é uma constante entre a direita, claro que proposital. Não interessa aos direitistas que as pessoas se deem conta de que o socialismo é uma forma de ver o mundo, independentemente de quem está no governo. Curioso é que ninguém culpa o capitalismo pela fome na África, embora praticamente todos os países africanos sejam capitalistas. Por que, em vez de temer que o Brasil se transforme numa Venezuela, não temem que o Brasil se torne um Paraguai, um dos países com maior desigualdade da América do Sul, segundo o Banco Mundial, e que também foi alvo de um golpe, em 2012?

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Hipótese 4, a mais provável: Os reaças têm medo do comunismo porque sabem que se as pessoas souberem dos problemas do capitalismo, irão se rebelar

Embora se digam “defensores da liberdade de expressão”, o que os direitistas mais desejam, no fundo, é que as pessoas não sejam informadas sobre os graves problemas do capitalismo, coisa que os comunistas e socialistas são capazes de fazer melhor do que ninguém: não existe capitalista com autocrítica. A maior missão do socialismo e do comunismo sempre foi, sem dúvida, apontar as desigualdades, as injustiças e as perversidades do sistema capitalista. Uma vez que a pessoa se dá conta disso, é claro que não vai mais se submeter, abaixar a cabeça. E é aí que mora o perigo para os exploradores: seus empregados não vão aceitar salários de fome nem condições de trabalho indignas. Os estudantes não vão se calar diante de uma educação opressora. Negros e mulheres irão se levantar contra a intolerância e o preconceito. Homossexuais conquistarão seu espaço na sociedade. E os camponeses continuarão a lutar contra os latifundiários pelo direito de ter terra para plantar. O medo que a direita tem do comunismo é, em suma, o medo da conscientização e, consequentemente, da rebelião. Querem manter o status quo a todo custo e, para isso, é preciso calar os inconformistas. Neste aspecto, os reaças têm toda razão para temer o comunismo: é somente a nossa crítica quem ameaça a manutenção de seus privilégios. Outro medo dos direitistas é que os comunistas façam as pessoas perceberem o vazio da sociedade de consumo. Sem o pilar do consumo excessivo, sobre o qual se sustenta, o sistema capitalista pode desmoronar a qualquer momento. E, sim, é verdade que nós, socialistas e comunistas, dedicamos a nossa vida a pregar contra a sociedade de consumo e a escravidão que ela significa para os seres humanos e seu potencial de destruição para o planeta. Nós, comunistas e socialistas, acreditamos que é mais importante ter tempo para desfrutar a vida e os nossos entes queridos do que gastar nossas existências trabalhando como máquinas, apenas para obter mais e mais bens materiais. Esta nossa certeza faz chacoalhar a direita –de pavor de que estejamos certos.

 

 

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