Um ano depois, onde estão os principais defensores do impeachment e onde está Dilma?

Publicado em 17 de abril de 2017
dilmany

(Dilma no Central Park, em Nova York. Foto: James N. Green/Reprodução Facebook)

Hoje, 17 de abril, faz um ano da tenebrosa sessão em que uma Câmara corrupta votou pela abertura do processo de impeachment de uma presidenta honesta, Dilma Rousseff. Onde estão hoje os principais personagens desta história? E onde está Dilma?

Michel Temer: citado na Lava-Jato, o presidente ilegítimo já precarizou a vida do trabalhador, congelou gastos com a saúde e a educação pelos próximos vinte anos e agora planeja destruir a aposentadoria.

Ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha: está preso em Curitiba, acusado de receber propina por um contrato de exploração de petróleo no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro.

Deputado Jair Bolsonaro: o parlamentar que homenageou o torturador de Dilma em seu voto está sendo processado por quilombolas do país inteiro por insultá-los em uma palestra no clube Hebraica, no Rio. As ofensas já resultaram em uma ação do MPF no Rio de Janeiro.

Deputada Raquel Muniz (PSD-MG): chamou a atenção ao gritar “sim! sim! sim!” e dedicar o voto ao marido, prefeito de Montes Claros, que foi preso no dia seguinte.

Geddel Vieira Lima: saiu do ministério de Temer após a revelação de que pressionava o ministro da Cultura, Marcelo Calero, para liberar um prédio embargado pelo IPHAN em Salvador onde teria um apartamento. Geddel também é citado como tendo recebido milhões em caixa 2 da Odebrecht.

Deputado Bruno Araújo (PSDB-PE): autor do voto de número 342, que autorizou a abertura do processo, se tornou ministro das Cidades do governo golpista e é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa na Lava-Jato.

Deputado Wladimir Costa (SD-PA): enganou muita gente posando de democrata com a bandeira amarrada no pescoço. Em fevereiro deste ano, o TRE do Pará cassou seu mandato por unanimidade por ter recebido dinheiro “oriundo de fontes não declaradas” (caixa 2) e ter omitido doações à Justiça Eleitoral.

Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ): votou a favor do impeachment elogiando Eduardo Cunha. “O senhor entra para a história hoje”. Agora, ele e seu pai, César, a quem também homenageou, viraram réus na Lava-Jato, acusados de terem recebido pagamentos irregulares da construtora Odebrecht.

Deputado Jovair Arantes (PTB-GO): o relator do processo de impeachment foi citado em escutas da operação Carne Fraca, em que um fiscal aparece fazendo um pedido de dinheiro a um frigorífico para sua campanha.

Deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS): membro da “bancada ética” (sic), Lorenzoni votou pelo impeachment “para dizer um basta à roubalheira”. Mas foi delatado na Lava-Jato como suspeito de falsidade ideológica por não ter declarado ao TSE o recebimento de 175 mil reais da Odebrecht.

Deputado Paulinho da Força (SD-SP): votou na Câmara contra a “boquinha do PT” e o “roubo generalizado”, mas aparece na lista do ministro Facchin em dois inquéritos, acusado de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro por ter recebido doações irregulares da Odebrecht.

Os paneleiros: permanecem em silêncio. As panelas voltaram a soar apenas quando o PT transmitiu seu programa de TV, semana passada. Contra outros partidos, nada.

E Dilma, onde está?

Enquanto o Brasil descobre que Marcelo Odebrecht tentava pressioná-la para barrar a Lava-Jato e que não se encontra nenhuma comprovação de que tenha feito algo ilegal, a presidenta eleita do Brasil faz uma série de palestras em universidades dos Estados Unidos denunciando o golpe e a situação em que nosso país se encontra. Nada como ter a consciência tranquila.

 

 

Publicado em

Em Blog

0 Comente

Lula: “A Lava-Jato tem um pacto com a imprensa, utiliza a imprensa para condenar previamente”

Publicado em 7 de abril de 2017
lulacbn

(Reprodução facebook)

Lula deu entrevista hoje pela manhã, por telefone, ao jornalista Luiz Viana, da Rádio O Povo/CBN, do Ceará, transmitida ao vivo na página do ex-presidente no facebook. Mais uma vez, Lula exortou o juiz Sergio Moro a apresentar “provas” de que cometeu crimes, e se disse “ansioso” para depor no próximo dia 3 de maio em Curitiba.

“Se tem um cidadão brasileiro, dos 204 milhões, que quer a verdade, a mais pura verdade dos fatos, sou eu. Prova significa documento, coisa escrita, conta bancária. Eles já quebraram minha conta bancária, meu sigilo telefônico, sigilo da conversa da minha mulher com meus filhos, sinceramente não sei qual é o limite deles em invadir a minha vida. Estou ansioso pelo dia 3 porque é a oportunidade que eu tenho de responder.”

O ex-presidente também criticou a postura do Judiciário, sobretudo do Supremo, afirmando que juiz que quer emitir opinião sobre política “deveria deixar de ter um emprego vitalício e disputar eleição”. Alfinetada no ministro Gilmar Mendes? Outra cutucada foi para o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., que segundo Lula está querendo usá-lo como escada para se cacifar para 2018. “Aprendi na vida quando um político quer ter 5 minutos de glória. O fato de o prefeito de São Paulo ficar todo dia me criticando no fundo, no fundo, ele quer que eu o transforme em personagem antagônico e eu não vou transformar. Ele foi eleito para governar São Paulo e tem que cumprir com a obrigação dele de governar São Paulo, precisa parar de fazer pirotecnia e governar de verdade.”

O blog transcreveu os principais trechos da entrevista, onde Lula fez questão de condenar o ataque de Trump à Síria. “O mundo não está precisando de governantes arrogantes.”

Transposição do Rio São Francisco

“Não se trata de saber quem é o pai da criança da transposição. A transposição tem pai, mãe, tem tio, tem filho, neto. Muita gente falou nessa obra e ninguém fez, esse é um dado concreto. Essa obra só poderia ser feita por alguém que tinha a experiência de carregar lata d’água na cabeça, e graças a Deus esse presidente com essa experiência fui eu. A seca é um fenômeno da natureza, as pessoas morrerem por conta dela é irresponsabilidade da classe política.”

Doria

“Aprendi na vida quando é que um político quer ter 5 minutos de glória. E o fato de o prefeito de São Paulo ficar todo dia me criticando no fundo, no fundo, ele quer que eu o transforme em personagem antagônico e eu não vou transformar. Ele foi eleito para governar São Paulo e tem que cumprir com a obrigação dele de governar São Paulo. Precisa parar de fazer pirotecnia e governar de verdade. Só isso.”

Pesquisas

“Eu não estou preocupado com pesquisa, tem dois anos pela frente. Neste momento estou preocupado com o que está acontecendo no Brasil, a desesperança do povo, o desemprego, a tentativa de acabar com a aposentadoria prejudicando milhões de pessoas pobres. O que a gente tem é que mostrar pro povo que o país não tem necessariamente passar pelo que está passando. Já tenho 71 anos de idade, tenho pouco tempo pela frente e quero dedicar esse tempo para ajudar o Brasil a voltar ser feliz. Isso depende muito da qualidade do governo, da credibilidade junto à sociedade. Isso só é possível com um presidente eleito democraticamente.

Ciro Gomes

“Apesar de alguns destemperos verbais de Ciro Gomes, eu tenho carinho e tenho respeito pela lealdade que Ciro teve durante todo o período que trabalhou comigo. Não vai ser uma palavra mal colocada que vai fazer com que eu tenho divergência com Ciro Gomes. O Cid Gomes nós construímos uma parceria extraordinária no governo dele, nos dois mandatos. O Camilo (Santana, governador do Ceará, petista) tem mais de 21 anos de idade e tem liberdade de escolher qual é o candidato dele. Não me preocupei com a declaração do Camilo, respeito a relação que tem com os Gomes, que o apoiaram para ser governador. Eu não conversei com Ciro sobre 2018. Tenho que deixar o tempo passar pra gente ver a política brasileira se arrumar, tá muito complicada a política brasileira. De todos aqueles que estão ligado a partidos políticos quem tem uma performance acima da média sou eu. Temos que esperar um tempo, o PSDB não tá morto, o DEM não tá morto, o PDT não tá morto. Em algum momento, vamos conversar. Só quero que as pessoas tenham clareza que eu levo muito o Ciro em conta, que não vou brigar com ele por qualquer coisa, não. Aprendi a gostar dele. Devo a ele e à coragem dele a feitura do projeto da transposição do São Francisco. Só tenho elogios, não tenho crítica e quero continuar assim, mesmo que a gente seja adversário, porque já fomos duas vezes adversários e o fato de sermos adversários não criou nenhuma rusga entre eu e o Ciro.”

Condenação

“Este é o desejo de alguns adversários, que é preciso fazer alguma coisa para evitar que eu seja candidato. Eu tenho um depoimento para 3 de maio e estou ansioso por este depoimento porque é a primeira oportunidade que vou ter de saber qual é a acusação que tem contra mim, qual é a prova que eles têm contra mim, porque até agora a única coisa que eu ouvi alguém dizer é que não esperem prova, que o que eles tem contra mim é convicção. Um ser humano, para ser condenado, a pessoa tem que mostrar prova para condenar. Eu tenho ficado quieto, só fui um pouco mais explícito quando fui dar o depoimento em Brasília com o juiz federal no caso da obstrução de Justiça, numa delação do Delcídio que era uma mentira. Estou muito tranquilo. Se tem um cidadão brasileiros, dos 204 milhões, que quer a verdade, a mais pura verdade dos fatos sou eu. Prova significa documento, coisa escrita, conta bancária. Eles já quebraram minha conta bancária, meu sigilo telefônico, sigilo da conversa da minha mulher com meus filhos, sinceramente não sei qual é o limite deles em invadir a minha vida. Estou ansioso pelo dia 3 porque é a oportunidade que eu tenho de responder.”

Moro

“Não pretendo dizer nada, pretendo ouvir quais as provas que ele tem contra mim. Eu sinceramente acho que o Moro cumpre um papel importante na história do país. A única coisa que condeno nisso tudo é utilizar a imprensa para condenar as pessoas previamente, sem antes ter as provas. Primeiro o cidadão é jogado no chão, é jogado no limbo, é destruído moralmente e politicamente e depois vai pro julgamento. Deveria ser o contrário: primeiro você prova que a pessoa fez coisa errada, prova que a pessoa pegou dinheiro, prova que a pessoa é corrupta, aí depois você julga, aí você condena. Esse pacto da Força-Tarefa da Lava-Jato com a imprensa é: primeiro você condena pela imprensa, quando o cidadão não tiver mais coragem de levantar a cabeça e sair de casa, aí você julga ele e condena. Acho que cometeram um equívoco em tentar me tratar dessa maneira. Então, vou me defender e com muita tranquilidade esperar para saber quais são as provas que eles têm das mentiras que foram contadas a meu respeito.”

Julgamento do TSE

“Acho que o PSDB tinha que pensar no que está fazendo com o Brasil. A Dilma foi eleita democraticamente, o Temer foi eleito junto com ela, a Justiça Eleitoral convalidou o resultado, a Dilma tomou posse. Agora, você tentar, nessas alturas do campeonato, cassar a Dilma, que já foi cassada? É, no mínimo, uma certa confusão política desnecessária. A desgraça que eles tinham que fazer contra a Dilma eles já fizeram, que foi inventar uma mentira da pedalada que foi fazer com que a Constituição fosse pisoteada para tirar uma presidente legitimamente eleita e colocar um presidente que não foi eleito pelo povo.”

Judiciário

“O Brasil precisa voltar a ter ordem. O poder executivo governar, o poder legislativo legislar. O poder judiciário, sobretudo a Suprema Corte, garantir a Constituição, colocar um pouco de ordem na casa. Eu vejo juiz dando declaração na televisão, fora dos autos do processo, eu vejo juiz todo dia emitindo opinião. Ora, as pessoas que querem emitir opinião sobre política deveriam deixar de ter um emprego vitalício e concorrer a um cargo, entrar num partido político. Vejo delegado dando palpite na política, promotor dando palpite na política. Essa gente que quer fazer política entre num partido e vá ser candidato.”

Ataque à Síria

“É preciso que se apure corretamente se a Síria usou armas químicas mesmo. Você está lembrado que a guerra do Iraque aconteceu porque os americanos afirmaram que Saddam Hussein tinha armas químicas? Invadiram o Iraque e mataram Saddam e até hoje não encontraram armas químicas. Esse presidente americano parece que é meio confuso, eu tenho visto as entrevistas dele, é preciso que o presidente de um país como os EUA tenha equilíbrio. O mundo está precisando de paz, está numa crise econômica desde 2008 que até hoje não conseguiu resolver, o desemprego ainda é grande no mundo inteiro, o comércio no mundo inteiro diminuiu, é preciso que os dirigentes políticos do mundo tivessem tranquilidade para reordenar a economia, fazer a economia voltar a crescer. Já foram investidos mais de 14 trilhões de dólares para tentar resolver a crise financeira de 2008 e até hoje não foi resolvida. Imagina se parte destes 14 trilhões tivesse sido investido para ajudar o desenvolvimento de países pobres, na África, na América latina, na Ásia, como o mundo estaria muito melhor? Foi irresponsabilidade do governo americano bombardear a Síria, o mundo não está precisando de bombardeios, está precisando de dirigentes que dialoguem, se tem algum problema que convoque reunião extraordinária da ONU para que o Conselho de Segurança decida o que vai acontecer na guerra na Síria. Sou contra qualquer ataque, violência gera violência. O mundo não está precisando de governantes arrogantes, está precisando de governos que pensem no futuro da juventude, num mundo melhor, sem guerras, ambientalmente mais qualificado. A paz vale alguns trilhões, a guerra não vale um tostão.”

 

 

 

Publicado em

Em Blog

0 Comente

Doria, o poste (de pole dance)

Publicado em 13 de janeiro de 2017

doriaposte

(Ilustra do Cris Vector)

Quando começaram a surgir as primeiras notícias de que seria candidata a presidente da República, Dilma Rousseff foi logo apelidada “poste”. Por nunca haver disputado cargo eletivo, Dilma era um “poste” de Lula. As palavras “marionete” e “fantoche” também foram utilizadas. Mesmo que, antes de se candidatar, ela estivesse como ministra da Casa Civil da presidência da República, tendo sido antes ministra das Minas e Energia e ocupado vários cargos públicos a partir dos anos 1980.

Em Dilma, o fato de ser uma “não-política” foi apontado pela velha mídia como um defeito, não uma qualidade. Torceram o nariz para a “neófita”, a técnica que queria ser presidente. Eleita, dizia-se que quem governava de fato era seu “criador”. À parte a questão da misoginia, determinante em relação a Dilma, algo parecido aconteceu com Fernando Haddad em São Paulo. Embora tenha sido ministro da Educação, Haddad foi chamado de “poste” de Lula. Um “não-político” de esquerda? Inaceitável, vamos bater nele até derrotá-lo.

Antes de ser lançado por seu padrinho político Geraldo Alckmin à prefeitura de São Paulo, os únicos cargos de destaque que João Doria Jr. ocupou foram os de lobista do mundo empresarial, líder do movimento “Cansei” e administrador de uma empresa imaginária num reality show. Mas Doria se autodenominou “gestor”, um não-político, para ganhar a eleição. E colou. A boa vontade da mídia com o tucanato é tanta que ninguém o chamou de “poste”.

No entanto, não foram precisos nem dez dias à frente da prefeitura da maior metrópole brasileira para o país inteiro perceber que João Doria é o mais legítimo poste eleito para cargo público nos últimos anos, desde que Celso Pitta foi ungido prefeito por Paulo Maluf em 1996. Doria é um poste de “pole dance”, se exibindo fantasiado diante das câmeras de TV. O poste espetaculoso de Alckmin já se vestiu de gari e pedreiro. Virou meme: qual o próximo integrante do Village People que Doria irá encarnar?

Como suspeitávamos, João Doria Jr., o “ges-tor”, possui, ao contrário, todos os defeitos dos “políticos profissionais” que tanto criticou em campanha. É demagogo ao extremo. E populista no pior sentido da palavra, capaz de se fingir de pobre para agradar aos pobres, emulando seu antecessor Janio Quadros, que polvilhava farinha nos ombros para que as pessoas pensassem ter caspa. Não por acaso a marca registrada de Janio, como se tornou a de Doria, é uma vassoura.

É que o populismo, quando é de direita, é bem-vindo. Na esquerda, o discurso contra a desigualdade, por mais justiça social, é criticado como “populismo”. Que populismo bom é esse que tira cidadãos da miséria? Imaginem se Dilma se fantasiasse de faxineira ao iniciar o governo. Ou Haddad, de servente… Demagogo, populista, marqueteiro de si mesmo e obviamente despreparado para o cargo, para Doria ser igualzinho aos piores políticos só falta ser corrupto.

Pode-se dizer o que for de Dilma e Haddad, mas ambos fizeram administrações absolutamente republicanas, sem culto à personalidade e muito menos demagogia. Como técnicos sérios que são, se limitaram a fazer o que acreditavam frente aos cargos que ocuparam –sob o alto preço de receber uma chuva de críticas de todos os lados. Doria começou o mandato mostrando que não é nada além de um poste. Um poste vestindo Ralph Lauren não deixa de ser um poste.

 

Publicado em

Em Blog

0 Comente