George Harrison Living in the Material World, de Martin Scorsese

Publicado em 25 de fevereiro de 2014

Olhem que pérola um leitor do blog me mandou: links para o documentário feito por Martin Scorsese em 2011 sobre o beatle George Harrison (faria 71 anos hoje, 25 de fevereiro) no youtube. Não sei quanto tempo vai durar até que eles tirem do ar, por isso decidi postar aqui logo para a gente ver. O filme inclui entrevistas com Eric Clapton, Terry Gilliam, George Martin, Paul McCartney, Yoko Ono, Phil Spector, Ringo Starr, entre outros. Mais informações aqui, porque eu também não vi ainda. As legendas são em espanhol. Se alguém achar em português me mande.

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Darcy Ribeiro, o melhor presidente que o Brasil nunca teve

Publicado em 17 de fevereiro de 2014

(Darcy com índio Urubu Ka’apor nos anos 1950)

“Como é que uma nação pode perder o amor por suas crianças? Como elas podem estar soltas no mundo, abandonadas? O Brasil não tem um bezerro abandonado, um cabrito. Um frango qualquer que você encontra, tem dono. Mas tem milhares de crianças abandonadas”, lamenta Darcy Ribeiro no documentário Um Vulcão de Idéias (2007), dirigido para a TV Escola por Isa Grinspum Ferraz.

Um dos maiores desastres que a ditadura militar causou ao Brasil, em minha opinião, foi ceifar a carreira política do antropólogo Darcy Ribeiro. Ministro da Educação e da Casa Civil de João Goulart, Darcy teve seus direitos políticos cassados com o golpe. Tragicamente, as ideias que pretendia colocar em prática no governo Jango foram abandonadas –as chamadas reformas de base que ainda hoje fazem falta ao país. Se elas tivessem acontecido, em vez do atraso imposto por um governo fardado, a educação no Brasil seria outra. O Brasil seria outro.

Darcy voltou para cá em 1976, três anos antes da anistia, quando recuperou seus direitos políticos. Com Leonel Brizola, fez o projeto dos CIEPs, escolas em turno integral, realidade em qualquer país desenvolvido, mas não aqui, até hoje. “O Brasil inventou essa bobagem de escola em turnos. As cidades cresceram e em vez de fazer mais escolas, faziam turnos”, critica Darcy. “A escola em tempo integral é a escola do mundo civilizado. Os bobos pensam que eu inventei os CIEPs. É bobagem.” É impossível assistir ao documentário de Isa e não ficar impressionado com as ideias à frente de seu tempo de Darcy, que, um ano antes de morrer, em 1996, imaginem, já falava da internet como “uma coisa prodigiosa, a coisa mais importante que já aconteceu na história humana”.

Quanto mais escuto suas palavras, mais sinto uma saudade irreal do presidente maravilhoso que Darcy teria sido… Lula foi um grande presidente, mas ele deve saber que Darcy seria inigualável, sobretudo como sucessor de Jango. Um presidente com olhar para a terra, para os índios, os negros, para as crianças, para a educação, para o futuro. Para tudo que é preciso mudar no Brasil. Ou será que, por isso mesmo, nunca deixariam?

No início dos anos 1980, quando Darcy e Leonel Brizola falaram em “socialismo moreno”, um socialismo nosso, brasileiro, foram massacrados pelos jornais, ridicularizados. Nem governador do Rio de Janeiro Darcy conseguiu se tornar quando concorreu, em 1986. Imaginem o tamanho da perda: em seu lugar entrou Moreira Franco, apoiado pelas organizações Globo, que fizeram campanha incessante contra Darcy e Brizola. De maneira hipócrita, os mesmos jornais o homenageariam como “grande brasileiro”, “sonhador que chegou ao poder”, “intelectual que fazia” –quando morreu…

Não deixem de assistir ao documentário, é imperdível para quem já conhece e para quem quer conhecer o pensamento deste grande brasileiro. A propósito: hoje, 17 de fevereiro, faz 17 anos que o antropólogo, político e escritor Darcy Ribeiro morreu. Este blog, que se chama Socialista Morena por causa dele, nunca se cansará de homenageá-lo. Viva Darcy!

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Comunistas transam melhor?

Publicado em 4 de agosto de 2013

 

O documentário Liebte der Osten Anders? (“Comunistas transam melhor?”, na tradução do título em inglês), dirigido em 2006 por Andre Meier, parte da premissa, comprovada estatisticamente, de que no lado comunista do muro de Berlim as pessoas faziam mais e melhor sexo que do lado capitalista, e tenta explicar por quê. É surpreendente descobrir que, apesar da censura e da proibição da pornografia, os alemães orientais (e sobretudo as alemãs) tinham mais liberdade sexual do que os ocidentais. Mais orgasmos, inclusive.

A principal razão, defende Meier, é que, até a descoberta da pílula, as comunistas eram mais independentes do que as comportadas alemãs do lado capitalista. Durante a Segunda Guerra, com os homens no front, as mulheres alemãs foram obrigadas a ir à luta para sustentar a família e aprender tarefas consideradas “masculinas”, como construir casas. Depois que eles voltaram, porém, enquanto na República Federal da Alemanha (capitalista) as mulheres retornaram às prendas domésticas, na República Democrática da Alemanha (comunista) elas continuaram trabalhando fora. No final dos anos 1960, uma em cada três mulheres trabalhava fora na Alemanha Ocidental; do lado Oriental eram 70%. Historiadores e sexólogos defendem no documentário que este papel protagonista da mulher influía positivamente em sua vida sexual.

“Em nenhuma área a emancipação feminina avançou tanto quanto na sexualidade. As mulheres davam as regras na cama. Isso era muito típico da Alemanha Oriental”, diz um especialista ouvido no filme. “Mais tarde as alemãs orientais foram reduzidas a caricaturas, mas eram elas que usavam as calças”, afirma outro. Ele fala isso e eu penso imediatamente em Angela Merkel, a toda poderosa chanceler que cresceu do lado comunista. Merkel foi beneficiada por uma emancipação que começara já no pós-guerra. Ou seja, quando as ocidentais passaram a lutar para conquistar espaço no mercado de trabalho, a maioria das orientais já possuía uma carreira.

Outros fatores para a liberação, por incrível que pareça, partiram do Estado comunista. Se do lado capitalista não houve educação sexual nas escolas até meados dos anos 1960, em 1962 os alemães orientais já assistiam programas sobre o assunto na televisão, voltados para crianças. Na Alemanha Oriental o casamento perdeu muito cedo a função de legitimar a sexualidade. Homens e mulheres também dividiam as tarefas do lar, bem antes de que isto se tornasse uma questão no Ocidente. O aborto foi legalizado na Alemanha comunista em 1972! Os alemães orientais sofriam a repressão do Estado, mas não a da igreja como os ocidentais, com efeito enorme sobre a sexualidade. Livres da religião, os/as comunistas se dedicavam sem culpa aos prazeres da carne. A alcova não era alvo da Stasi, a temida polícia secreta.

De acordo com o documentário, nos anos 1970 e 1980 os heterossexuais gozavam de liberdade sexual quase plena na Alemanha Oriental. O mais importante sexólogo do lado comunista, Siegfried Schnabl, deu a deixa em uma entrevista: “Lenin disse que sob o comunismo não deveríamos aspirar ao ascetismo e sim aos prazeres da vida. Isso inclui uma vida amorosa satisfatória”.

Outro aspecto interessante é que, do lado comunista, a prática do nudismo era amplamente aceita e começava no seio familiar (leia aqui uma reportagem sobre o tema publicada pelo jornal britânico The Telegraph). Isso explicaria a foto que circulou na rede da senhora Merkel nua numa praia da Alemanha Oriental durante a juventude –há dúvidas se é ou não a chanceler, mas que parece, parece.

Angela Merkel nua em pelo (e com um corpitcho de arrasar) numa praia comunista. Será?

Tudo muda com a queda do muro, em 1989, e a chegada da pornografia e da prostituição. Mas será que, pelo menos sexualmente, os comunistas eram mais felizes e não sabiam? Clique aqui para assistir, é imperdível. Infelizmente não está disponível na rede com legendas em português, só em inglês.

Entendo que o diretor quis focar no mundo hetero e no feminismo, mas faço um reparo à ausência no filme do tema da homossexualidade, bastante reprimida pelos regimes comunistas de maneira geral –que o digam os cubanos. Outro documentário, Unter Männern — Schwul in der DDR (Entre homens – gay na RDA), de Ringo Rösener e Markus Stein, aborda o tema e conta que houve repressão à homossexualidade também na Alemanha Oriental. Mas não foi, parece, tão grave como o que ocorreu na URSS ou em Cuba. Pelo contrário, houve certa liberdade para os gays nos primeiros anos da Alemanha comunista, que descriminalizou a homossexualidade um ano antes que a Alemanha Ocidental. O próprio sexólogo Schnabl publicou textos onde defendia a existência dos homossexuais como “normal”.

Sem contar que aqueles beijaços na boca que o presidente alemão oriental Erich Honecker gostava de sapecar nos colegas comunistas eram meio homoafetivos, né não? Dizem que a comunistada saía correndo quando o Honecker aparecia. Bem, nem todos.

Foto clássica do líder soviético Leonid Brejnev recebendo um beijaço de Honecker, aquele safadeenho

Veja um trailer do filme (em alemão):

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